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Após viajar pelo mundo e viver noutros países por muitos anos, não é fácil compreender porque é que um país com tanto potencial como Portugal fica sucessivamente para trás. Como é que um lugar com condições para ser uma das maiores nações da Europa continua a demonstrar mediocridade?

Porque é que quando se coloca um Português ou uma Portuguesa em qualquer outra nação do mundo eles são um sucesso no que fazem e, no entanto, um país cheio de Portugueses parece não conseguir andar para a frente?

1 — Decisões Políticas

Infelizmente a maiorias das medidas políticas em Portugal não servem os interesses públicos. Poderíamos começar pelo simples facto de haver regras diferentes para os trabalhadores privados e para os trabalhadores públicos.

É possível dar inúmeros exemplos de como as decisões políticas contribuem continuamente para o atraso e, até mesmo a queda desta nação: portagens ilegais, uma das maiores taxas de eletricidade da Europa, e o preço que a TAP custa a cada cidadão Português (alguns que até mesmo nunca usufruíram ou usufruirão dos serviços dessa companhia) demonstram a falta de liderança e visão.

Quando as pessoas são tratadas como idiotas ou ignorantes, acabam por se comportar dessa forma. Quando o sistema político e o que cada partido representa (os nomes dos partidos são muitas vezes contraditórios ou indicam uma ideologia que não corresponde à que esse partido defende) é natural que se observe o caos.

2 — Construção e Eletricidade

Outro aspeto curioso sobre Portugal (e uma das razões pelas quais os cérebros congelam durante uma parte do ano) é a sua incapacidade de se adaptar devidamente ao clima.

Portugal é no sul da Europa e tem um clima temperado quando comparado com países do norte e centro da Europa. No entanto, não deixa de ter Inverno e, embora se verifique uma diferença muito grande para uma área geográfica tão pequena em termos de amplitude térmica entre a costa e o interior e o norte e o sul do país, qualquer região de Portugal pode atingir temperaturas reduzidas (e, consequentemente, desconfortáveis).

A combinação letal entre temperaturas baixas e elevada humidade, com dias intensivos de chuva, sobretudo no norte do país, fazem com que a sensação térmica seja muitas vezes inferior a temperaturas mais baixas em clima seco.

A questão que se coloca é: porque é que os edifícios não estão preparados para lidar com esta gama de temperaturas? Será que é, “para inglês ver” e por realmente nos considerarmos um país de Verão? Não seria mais adequado termos construções que refletissem a realidade climatérica do país e se focassem em oferecer conforto às pessoas?

A esmagadora maioria dos edifícios em Portugal possuem correntes de ar e rápida formação de bolor, devido ao fraco isolamento e ao excesso de humidade. Assim sendo, não admira que a pessoa sinta mais frio dentro de casa do que fora ou que sinta que há vento dentro de casa (há até casas que têm gotas de água a cair no interior). Isto é inacreditável e, para além de refletir a fraca qualidade construtiva, demonstra também uma incapacidade de fazer manutenção às coisas, neste caso às casas. Esta ausência de cuidado deve-se não só, porventura, a falta de conhecimento ou vontade, como também a escassez de recursos económicos para fazer face a estas despesas.

A situação torna-se ridícula se considerarmos que Portugal é um dos maiores exportadores mundiais de cortiça, um dos materiais com melhor capacidade de isolamento que existe. As consequências de viver neste tipo de condições (para além do desconforto que influencia a eficácia de pensamento) são doenças crónicas, nomeadamente ao nível dos ossos e da respiração.

Este ponto levanta outra questão: se a construção não é adequada às exigências do clima em questão, então obviamente qualquer energia que gastamos a aquecer o espaço, será o dobro ou mais, como se o calor escapasse (aliás, escapa mesmo) pela janela. Para além disso, o preço do kilowatt hora em Portugal é um dos mais elevados da Europa. É praticamente tão elevado como o da Noruega. Inacreditável, não é? Especialmente se considerarmos os salários em ambos os países e a percentagem de salário que a pessoa paga por este bem essencial.

Portanto, os preços da eletricidade deveriam ser revistos e adaptados, bem como a construção que se pratica e os incentivos à manutenção dos edifícios habitacionais. Trata-se quer de investimento financeiro, quer de mudança de mentalidade.

Apesar de a Alemanha estar muito melhor preparada durante a segunda guerra mundial do que a Rússia, acabou por ser derrotada pelo General Inverno. Porque, embora os números e o material de artilharia fossem superiores, as tropas alemãs não conseguiram resistir às condições climatéricas extremas (subestimaram esse fenómeno). O mesmo se passa em Portugal!

O General Inverno derrota Portugal anualmente. O frio húmido do Inverno congela o cérebro e impede as pessoas de fazerem o seu melhor trabalho ou pelo menos serem tão eficientes como costumam ser. Isto aplica-se a condições climatéricas extremas quer de frio, quer de calor e está comprovado cientificamente. Estar constantemente com frio coloca o corpo humano em modo lutar ou fugir, pelo que pensar se torna secundário. O organismo está mais ocupado em usar a energia para aquecer os órgãos vitais.

Para além disso, viver desta forma é não só desconfortável como reflete a mentalidade de escassez que foi incutida no povo português e que se perpetua ao longo de várias gerações. Não zelar pelo conforto próprio é o mesmo que dizer a si próprio que não é importante.

3 — Carga Emocional

Por último, mas não menos importante, a pesada carga emocional enfrentada pelos Portugueses impede-os de estarem/serem o seu melhor. Não é segredo que o medo e a ira comandam o mundo atualmente. À medida que atravessamos a experiência de vida na Terra, estas emoções tornam-se mais intensas desequilibrando as pessoas do seu estado natural de saúde.

O desafio da nossa espécie é aprendermos a lidar com a energia das emoções que nos atravessam e que fazem parte de ser humano. Depende de nós criar uma nova era onde a consciência emocional é a regra.

Para além destas duas emoções pesadas, Portugal carrega uma carga extra de culpa e inveja. Para os Portugueses que moram em Portugal há uma sensação geral de que nada do que se faz é suficiente ou merecedor de ser apoiado, celebrado e encorajado. Tal é notório em diversos aspetos, desde as tradições locais e sotaques regionais das pessoas, até criações artísticas, investigação científica e tudo o que é criado a nível nacional. É como se estes profissionais precisassem de ir para fora para terem “aprovação” e reconhecimento e verem o seu trabalho valorizado pelo que é e tratado com respeito e dignidade.

Esta herança emocional que Portugal incorpora num fado de queixume constante impede que as pessoas se sintam bem e sejam saudáveis. A carga é tão pesada que as pessoas sentem necessidade de se justificarem constantemente e desculparem-se por tudo, até mesmo por respirarem e viverem. Necessitam de ter uma razão para se queixar e para explicar porque é que a vida delas é pior do que a dos outros, acabando frequentemente numa profecia auto-realizável. Para além disso, olham para o que o vizinho faz para arranjar um pretexto para criticar e propagar essa negatividade.

Mas a coisa mais estranha é que, quando uma pessoa Portuguesa está no estrangeiro, começa subitamente a falar de Portugal como o melhor do mundo. Ao contrário de Noruegueses ou Espanhóis, os Portugueses estão continuamente a criticar os seus conterrâneos (como todo este texto tão bem exemplifica).

Enquanto vivi na Noruega ficou claro que tudo o que é Norueguês é apresentado como sendo bom, pois é essa a mensagem geral e a mentalidade do país e qualquer produto Norueguês é publicitado e anunciado como sendo o melhor, justamente por ser Norueguês.

Esta visão que temos de nós próprios e/ou do nosso país como medíocres tem de ser repensada. Na verdade, nós somos dos melhores do mundo em diversas áreas e o que nos falta seria porventura assumirmos e celebrarmos esse facto, em vez de nos auto-sabotarmos constantemente com uma atitude (e um discurso) derrotista.

Porque é que só quando estamos no estrangeiro somos capazes de apreciar o que é Português? Qual é a carga emocional que torna os Portugueses tão pobres dentro do seu próprio país e tão ricos fora dele? Será que este fenómeno também é consequência de células cerebrais congeladas? Bem, talvez possamos simplesmente culpar o General Inverno!

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Natália Costa
Escrevo sobre inteligência emocional, filmes e pessoas inspiradoras, taoismo e espiritualidade. Criei o Skin at Heart para partilhar vitalidade, rejuvenescimento e mindfulness, bem como o meu trabalho literário. Para mais informações visite www.skinatheart.com

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