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Vacinar ou não vacinar, eis a questão.

Eles querem matar o Xavier!

Há um movimento anti-vacinas que está mais preocupado com os possíveis – e raros! – efeitos adversos da vacina que à própria prevenção das doenças infecto-contagiosas!

Em pleno século XXI, a sociedade de hoje ainda está no sopé da acuidade e não é, com certeza, por falta de informação. Se o é efectivamente, peço-vos, então, um ou dois minutos de atenção para evitar qualquer tentativa de argumentação obsoleta de quem faz parte de tal movimento.

Além deste movimento ser uma ameaça ao progresso feito ao combate das doenças evitáveis através da vacina, ele é tão perigoso que foi considerado pela Organização Mundial da Saúde um dos dez maiores riscos à saúde global em 2019. Surpreendente, não é?

Felizmente, em Portugal, os movimentos anti-vacinas têm pouco sucesso e temos cerca de 97% de taxa de cobertura – um dos melhores números a nível mundial.

Contudo, em outros países como os EUA, Brasil e países orientais, o movimento tende a ficar no podium mesmo havendo provas que contrastam com os argumentos usados pelos anti-vacinas.

No inicio do século XX, 1 a cada 5 crianças morria devido à uma doença infecciosa antes de completarem 5 anos. No Brasil, por exemplo, nessa época ocorria 100 mil casos de Sarampo e 10 mil casos de Poliomielite.

Graças à acção de imunização, estes números mudaram ao longo de 45 anos de imunização que erradicaram a Varíola; eliminaram a Poliomielite, Difteria, Sarampo, Rubéola e Tétano neonatal; e controlaram o Tétano, Meningite C, Hepatite B, Papeira, Tosse convulsa, Tuberculose e H. influenzae b (bactéria responsável por infecções como a meningite e pneumonia em crianças pequenas e adultos imunodeprimidos).

Sabes o que é a Poliomielite ou a Difteria? Se a resposta à questão é negativa, provavelmente será devido à vacina.

Posto isto, a partir do momento que a minha vida está em risco – e a tua! – devido ao movimento anti-vacinas porque este, como o disse, está mais preocupado com os supostos e possíveis efeitos colaterais do que com a própria prevenção da doença infecciosa é, no mínimo, motivo para me expressar relativamente a este assunto e formar um Movimento Anti anti-vacinas!

Por acção deste movimento dos crentes de algum género de teoria da conspiração – a bela teoria do Big Pharma – ou crentes que a indústria farmacêutica ou governamental tem um plano estratégico para lucrar mais meia dúzia de milhões, a minha vida está em risco assim como a tua e a dos teus.

Antes de explicar esta ameaça que nos poderá assistir, recuemos um pouco para percebermos de onde surgiu este movimento inócuo…

Em 1998, um médico investigador devidamente certificado, publicou um artigo científico afirmando que determinadas vacinas causavam autismo.

Mais tarde, veio à tona a verdade: o médico recebera uma valiosa quantia de dinheiro de um escritório de advogados para disseminar esta teoria ridícula em prol dos clientes dos advogados que estavam em fase de processo contra uma indústria farmacêutica.

Este médico respondeu legalmente por ter forjado resultados da pesquisa, por corrupção e, naturalmente, ficou sem a carteira profissional – e o artigo foi apagado pela comunidade científica. Mesmo assim, ainda há pessoas que acreditam e clamam que a vacina causa autismo.

Eu não sou médica, muito menos certificada em praticamente nada, contudo, custar-me-ia a acreditar nesta pesquisa, mesmo depois de tantas provas a sentenciar!

Entretanto, além do autismo, surgiram novas teses e argumentos contra a vacina:
“Porque a tia da sobrinha do genro da minha vizinha tomou a vacina da gripe e ficou com gripe!”

Ora, o que são as vacinas? Na maioria dos casos, as vacinas não são nada mais que uma certa quantidade do vírus (ou bactérias) injectadas no organismo que são incapazes de deixar uma pessoa doente pois estas ou estão mortos ou inactivos. Por esse facto, a pessoa consegue criar anti-corpos para possuir a defesa necessária para o combate do vírus (ou bactérias) para se tornar imune.

Na vacina da gripe, o processo, como é evidente, é o mesmo. O que pode acontecer é, das duas uma: ou cria os sintomas da gripe – sintomas -, ou poderá dar-se o caso de estar a pessoa gripada antes da vacina. Convém salientar, também, que o vírus da gripe está em constante mutação e, consequentemente, os anti-corpos criados tornam-se, naturalmente, obsoletos.

Há, contudo, efectivamente efeitos secundários mas, para além de raros, são completamente inofensivos para a saúde, sendo estes: febre e vermelhidão.

Por este raciocínio, ou por raciocínio do movimento anti-vacina, é claramente preferível morrer com alguma doença infecto-contagiosa a ter febre ou vermelhidão…

Em raríssimas excepções pode, eventualmente, a pessoa vacinada contrair a doença para qual foi vacinada mas chamo a atenção para o número de casos: estatisticamente está 1 para 1 milhão tal acontecimento. Por isso, em nada corrobora a defesa dos anti-vacinas que é um dos argumentos primordiais ao qual se agarram para colocar em causa o sucesso das vacinas.

Vejamos:

Na toma da vacina poderá haver factores, como foi dito, que façam com que a vacina não funcione convenientemente ou a 100%: poderá haver uma condição que torna a pessoa imunodeficiente (a pessoa tem um problema de imunidade e faz com que aquela vacina não tenha o efeito pretendido); poderá, eventualmente, a pessoa receber um lote de vacinas “contaminadas” (pode acontecer, assim como as balas perdidas ou um vaso que cai de uma varanda – é raro mas pode acontecer…); a pessoa pode ter HIV o que a torna imunodeficiente, entre vários factores e possibilidades que, de facto, podem fazer com que a vacina não funcione.

Neste ponto, chegamos ao cerne da questão e vou explicar a razão pela qual as vacinas são tão importantes tendo por base uma história simples para um bom entendimento.

Numa sociedade ideal e utópica no que toca às vacinas, o Xavier foi devidamente vacinado assim como todos os seus amigos e conhecidos e mais aqueles que, por eventualidade da vida e do acaso, se cruzam com ele. Porém, o Xavier pertence à minoria em que, lamentavelmente, é imunodeficiente ou imunodeprimido. Contudo, graças à esta sociedade com discernimento são, o Xavier estará protegido pois todos aqueles com quem tem contacto estão devidamente vacinados e não há, desta forma, qualquer possibilidade de colocar o Xavier em risco uma vez que – repito – é imunodeficiente ou imunodeprimido. A esta protecção (in)consciente da sociedade é o chamado Efeito Rebanho.

Por esta razão, é tão importante que estejamos vacinados para que os Xavieres, que tomaram a vacina mas que, infelizmente, não surtiu o efeito devido, estejam protegidos.

Já na sociedade real, de hoje em dia e com os movimentos anti-vacinas, a mãe do amigo de Xavier, o Manuel, resolveu não vacinar o filho pois esta sabe, com a certeza absoluta, que tudo faz parte de um grande plano conspiratório a médio/longo prazo do governo onde introduzem chips no organismo para posterior controlo da humanidade.

O que acontece? O Manuel contrai uma doença contagiosa, tem contacto com Xavier e este, por sua vez e sem qualquer culpa, contrai a doença contagiosa devido à sua condição e, em casos extremos, pode morrer.

Por estas atitudes, quem não se vacina por deliberada vontade ou devido a algum género de delírio persecutório, coloca em risco pessoas que não merecem ser contaminadas por decisões imbecis.

Em alguns países, não vacinar é crime. Os pais não têm direito de não vacinar os filhos pois estes não são propriedade mas sim responsabilidade e não vacinar os filhos é negligencia-los absurdamente assim como à humanidade.

A vacina é uma das melhores invenções na história da medicina e não deveria de haver, sob nenhuma hipótese, a opção de não vacinar.

As vacinas são uma das mais importantes conquistas de saúde pública e foi responsável, nos últimos dois séculos, pelo aumento de cerca de 30 anos de expectativa de vida da população.

Se dúvidas restarem, sintam-se à vontade para analisarem a apresentação do Programa Nacional de Vacinação, da Direcção-Geral da Saúde.

E assim, de forma natural e em Efeito Rebanho, salvamos a vida do Xavier.

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Rita Morais de Oliveira

Sem apresentações hollywodianas, nasci em 1988 no Nordeste Transmontano, Portugal. Encontrei o meu habitat na escrita desde que comecei a ler e a escrever. Nos meus tempos livres, além de Freelancer de Conteúdos, também sou uma aspirante escritora em (eterna) construção e indiscutivelmente contra o Novo Acordo Ortográfico. Com dois contos editados nas Antologias "À Margem da Sanidade" e "O Penhasco"; outro publicado na Revista Pulp Fiction e um livro em criação. Prevalece sempre o mesmo género literário: policial, thriller, suspense e algum terror psicológico. Como o nosso velho amigo Albert Einstein disse: "Criatividade é inteligência divertindo-se."

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