Do êxito da macroeconomia ao porta moedas vazio

Fundo Monetário Internacional prevê crescimento da economia portuguesa acima da média da União Europeia.”

Peso da dívida pública nunca esteve tão baixo, batendo mesmo recordes mínimos.

Portugal entre as 50 maiores economias do Mundo.”

Desde 2008 e da intervenção da Troica que Portugal não crescia tanto e não estava tão bem cotado a nível económico nos principais fóruns europeus e mundiais.

As exportações e o turismo foram os principais impulsionadores deste crescimento.

Mesmo com uma pandemia e a invasão da Ucrânia por parte da Rússia de Putin (não, Sr. Trump, não foi a Ucrânia a dar início à guerra, foi a Rússia que invadiu a Ucrânia, que é um país independente com um presidente legitimamente eleito pelo respetivo povo) que quebraram esse crescimento, os valores já voltaram aos valores pré-pandemia.

Curiosamente a guerra tem ajudado as finanças. O aumento de preços que se verificou, direta ou indiretamente causado pelo conflito, juntamente com o aumento do consumo que tinha baixado por efeito da pandemia, têm levado a que o estado arrecade valores de imposto recordes.

Se por um lado todos os principais indicadores da economia portuguesa revelam uma saúde invejável mesmo quando comparados com alguns dos principais países da U.E. -a Alemanha, por exemplo, a maior economia da zona euro, está à beira da recessão-, por outro, esse sucesso das contas certas parece não se refletir no bolso da maioria do comum dos trabalhadores portugueses.

“Preços elevados e menor poder de compra levam menos turistas portugueses ao Algarve.”

“Número de trabalhadores com dois ou mais empregos cresceu em Portugal para um máximo histórico.”

Estes títulos acabam por refletir o país real onde mais de 50% dos trabalhadores em Portugal ganha menos de 1.000 euros por mês, onde nalgumas vilas por esse país não se consegue alugar uma casa “digna” por menos de 750 euros por mês…

Talvez este título seja o mais justificativo desta situação:

“As empresas europeias estão a converter lucros em melhores salários, exceto em Portugal.”

Segundo este artigo de setembro do ano transato, enquanto nos outros países europeus as empresas usam parte dos seus lucros para aumentar os trabalhadores, em Portugal, quando são “obrigadas” a aumentar salários, refletem esse “custo” no preço dos produtos ou serviços que vendem penalizando o poder de compra.

Faz parte da mentalidade do empresário português, acrescentam.

Contudo, a esta conclusão já eu tinha chegado. Assim nunca mais o mês me chega para o ordenado.

Nota: este artigo foi escrito seguindo as regras do Novo Acordo Ortográfico.

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