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Sociedade

Como parar com este flagelo?

Mães de família/mulheres continuam a ser tratadas como uma extensão da casa

Vivemos num novo século mas as questões que envolvem as mulheres e as mães parecem manter-se. Com maior ou menor expressão, continuamos a lutar contra estigmas que insistem em perpetuar-se.

Outro dia a ver umas imagens algures numa rede social dei de caras com uma imagem que dizia: “Quando uma mulher precisa de espaço basta ampliar a cozinha!” ou algo similar.

Como é que é possível alguém achar piada a isto? E como é que as pessoas acham normal, nos dias de hoje, continuar a partilhar este tipo de mensagens? O humor não precisa ser idiota ou ofensivo deve ser também construtivo e educativo. Propagar este tipo de mensagens é alimentar a ideia errada de que as mulheres, por serem mulheres devem ser tratadas como uma extensão da casa.

Ainda se vive com esta ideia que tudo o que se passa na esfera domestica é da exclusiva responsabilidade da mulher e da mãe. Só elas sabem fazer, só elas sabem cuidar e só elas cuidam da casa. A natureza da mulher como cuidadora, não implica que tenha de ser uma dona de casa extremosa ou uma mãe exemplar (considerando os dois papeis como complementares para o sucesso de uma mulher). Também reconheço que como mulher, temos em parte culpa por continuarmos a viver com este rótulo, são séculos desta cultura enraizados nas nossas células e nem sempre é fácil distanciarmo-nos disso.

No entanto, não cabe somente à mulher o papel de cuidar ou zelar pela esfera domestica, onde se inclui: a gestão e arrumação da casa, cuidar dos filhos e da família, tarefas estas que não são da exclusiva responsabilidade das mulheres mas sim de todo o agregado familiar. Quando se constitui uma família a casa é uma responsabilidade de ambas as partes, a divisão de tarefas, veio melhorar significativamente a vidas das mulheres no seu dia-a-dia.

O cuidar do outro, da família, da casa ou de um relacionamento é um papel que cabe na nossa humanidade e não é definido pelo género feminino ou masculino é muito maior que tudo isso e que todas as regras e rédeas que lhes tentem impor. A mudança começa na educação familiar, depois na escola e mais tarde no comportamento social dos indivíduos.

Temos ainda um longo caminho a percorrer para alterar mentalidades. Muito já foi feito, é certo mas ainda é claramente insuficiente. As mulheres continuam a ser estigmatizadas por se quererem desvincular desta ligação – cuidadoras do lar – e procurarem outras formas de estar na vida. Obviamente que qualquer homem ou mulher que queira ter esta associação ou se sentir identificado com ela, é livre para fazê-lo. Contudo, não devemos impor as nossas crenças e certezas, sejam elas quais forem aos outros como as formas de viver corretas e universais.

Mudar mentalidades culturais enraizadas ao longo de séculos e séculos, não é fácil mas não é impossível, como sabemos. Este é um tempo de mudança profunda nas nossas vidas, que seja também o tempo para deixar cair o que já não serve para o bem-estar da nossa vida familiar e social.

Sofia Cortez

Sofia Cortez marketeer por acaso, escritora em desenvolvimento e artista por vocação. Não existe uma linha condutora para a criatividade, só a vontade de criar. Entre os seus trabalhos estão uma Exposição de Croquis de Moda realizada 97 no Espaço Ágora, curso de desenho na Sociedade de Belas Artes em Lisboa, a participação em feiras de artesanato com o projeto: Nomes em Papel para crianças, um livro editado em 2018 “Devemos voltar onde já fomos felizes”, várias participações em coletâneas de autores em poesia e conto, blogger no blog omeuserendipity.blogspot.pt, cronista, observadora, curiosa com o mundo e aprendiz de todos os temas que permitam o desenvolvimento humano.

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