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Diário pandémico

A pandemia está na ordem do dia. Ora se fala da vacina ou contra ela, ora se fala do número de mortos e internados, ora das novas variantes mais ou menos mortais.

Tudo isto são factos que devemos respeitar e ter em conta, mas não podemos ignorar a realidade do que se está verdadeiramente a passar. 

No entanto estou em crer que toda esta história do Covid é uma manobra de diversão para nos distrair daquelas que são as verdadeiras e letais pandemias que estamos a viver dentro da pandemia. 

Passo a explicar. 

Nos últimos meses tenho-me afastado cada vez mais das redes sociais, mas ao contrário de muitos não o faço apenas por estar farto de ver miséria humana, lavagem de roupa suja, maledicência, ostentação, felicidade construída e amizades fingidas.

Existem duas pragas bem mais graves e contagiosas que a COVID-19 e, por essa razão, senti que tinha de proteger a minha saúde, já que para os vírus em apreço não existem máscaras nem vacinas que nos salvem. 

A primeira praga é a de senhoras que substituíram as feiras de levante por grupos de Facebook. É verdade. Elas entram nos grupos de tudo e mais alguma coisa, estendem a boutique do lençol e vai de começar a vender roupas em direto.

Não interessa o público-alvo. Elas entram em grupos de poesia, de automóveis, de pornografia (contou-me um amigo) e até nos grupos de associações de pessoas com furúnculos no traseiro.

Todas as pessoas são potenciais clientes. 

Basta assistirmos àquilo durante dois minutos e vemos as vendedoras a tratar as potenciais compradoras por “Minha Querida” ou “Meu Amor”, mesmo sem as conhecerem de lado algum, e descansarem as clientes dizendo-lhes que para a semana já vão ter aquelas cuequinhas, de fio dental, super sensuais em amarelo.

Qualquer pessoa vai parar aos cuidados intensivos sem conseguir respirar, mesmo que não esteja infetada com o Corona Vírus. 

A segunda praga são os vendedores da banha da cobra.

Desculpem! 

Os descobridores do Santo Graal e da Galinha dos Ovos de Ouro, queria eu dizer.

É verdade. Existem pessoas com um altruísmo tão, mas tão grande, que depois de descobrirem como potenciar o vosso negócio, se oferecem para vos ajudarem a faturar imenso através das redes sociais, com cursos 100% online e 100% gratuitos e para os quais eles disponibilizam imensas horas do seu tempo livre, bem como todas as ferramentas necessárias para o efeito (ao que parece, eles pagam as contas com dinheiro que lhes cai do ar).

Sim, é verdade. Numa sociedade tão egoísta como aquela em que vivemos, temos de aproveitar, pois já não se fazem pessoas assim. Parece que não, mas ainda há gente boa! 

Talvez os egípcios tivessem razão e as pragas do Facebook também sejam sete.

Para já, fico-me pela identificação destas duas! Se souberem de mais alguma, por favor, partilhem porque eu quero saber quando descer os degraus e fechar-me no bunker que construí no subsolo da minha casa. 

Já agora, meus amores, se quiserem “tshertes fúcsia” a 5 euros, basta entrarem no grupo dos “Reformados Amantes do Chinquilho de Freixo de Espada à Cinta”. Ainda há stock!

Balthasar Sete-Sóis

Balthasar Sete-Sóis, sociólogo, escritor, cronista, radialista e crítico literário encontra nas letras e na comunicação a realização e o sentido para aquilo que o rodeia.

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