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A Maldição do Grão-mestre Jacques de Moley

Ordem dos Cavaleiros Templários | Teorias da Conspiração

“Nekan, adonai!!! Chol-begoal!!! Papa Clemente… Cavaleiro Guilherme de Nogaret… Rei Filipe. Intimo-os a comparecer perante ao Tribunal de Deus dentro de um ano para receberem o justo castigo. Malditos! Malditos! Todos malditos até a décima terceira geração de vossas raças!!!”

– Grão-mestre Jacques de Molay

Em primeiro lugar, façamos um resumé sobre o que eram as cruzadas, situá-las cronologicamente e a razão por terem existido…

As cruzadas eram movimentos militares cristãos que tinham como objectivo conquistar e ocupar a Terra Santa e mantê-la sob domínio cristão. Esta localização é assim denominada por estar abrangida pelas três grandes religiões monoteístas do mundo: cristianismo, judaísmo e islamismo. Antes localizada entre o Rio Jordão e o Mar Mediterrâneo, agora dividida entre Israel, Cisjordânia e Jordânia.

Na época, o termo “cruzadas” não era conhecido e foi assim nomeado porque tinham participantes considerados Soldados de Cristo.

Durante os séculos XI e XIII, o movimento perdurou e foi entre esta época que nasce os cavaleiros da Ordem de São João de Jerusalém (oficialmente Ordem Soberana e Militar Hospitalária de São João de Jerusalém, de Rodes e de Malta) e os nossos Cavaleiros Templários.

Cavaleiros Templários – o início e o fim

A ordem dos Cavaleiros Templários surgiu entre 1118 e 1119, em Jerusalém, e chamavam-se, na altura, Cavaleiros de Cristo e do Templo de Salomão.

Selo dos Cavaleiros Templários

 

O primeiro mestre e criador desta Ordem foi Hugues de Payns com mais 9 cavaleiros franceses. Este liderou por quase 20 anos até a sua morte.

Consagraram-se e ficaram poderosos nas esferas políticas e económicas, transformaram-se numa importante e influente instituição internacional militar e financeira e conquistaram inúmeros terrenos europeus doados por cristãos sempre com o mesmo objectivo e função: proteger os peregrinos que partiam para Jerusalém durante as cruzadas.

Hugues de Payns

Os Cavaleiros Templários era um movimento cada vez maior, porém sempre associado ao das Cruzadas, e considerados quase uma infra-estrutura. Dois séculos depois, após sua formação, já eram considerados uma grande potência militar, com um exército com mais de 15.000 homens, com estabilidade e poder financeiro e com os seus próprios mosteiros.

Emprestavam dinheiro à igreja e até geriam alguns dos seus bens, faziam negócios com o Rei João I de Inglaterra e com o Filipe IV, o Belo, de França.

Contudo, a perda e extinção da Terra Perdida e os rumores sobre os rituais de cerimónia de iniciação para os Templários (já lá vamos…) criaram desconfianças e o apoio à Ordem reduzira-se.

O belo vilão

A ganância e a sede de poder do rei Filipe IV, o Belo, conseguiu destruir os Cavaleiros Templários, com a bênção de Papa Clemente V. Filipe IV queria a ampliação dos domínios do reino de França e o enriquecimento do seu tesouro com toda a riqueza templária existente.

Sem sucesso, o Rei de França e o Papa teceram um plano cruel: o Pontífice fabricou uma acusação inspirada numa suposta visão divina e acusava os cavaleiros de heresia, difamação em nome de Deus, adoração de outros deuses, perversões sexuais e prática de magia negra. Com isto, instaurou uma perseguição religiosa e conseguiu um processo jurídico contra eles para que fossem julgados injustamente.

Rei Filipe IV, o Belo

Talvez por arrependimento, Papa Clemente e outros cardeais, decidiram absolver os Cavaleiros Templários indo, deste modo, contra o próprio Rei.

Contudo, a verdade é que este último conseguiu justificar a continuação das perseguições por tradições que, de facto, existiam nos rituais de iniciação para os Templários: estes cuspiam na cruz e trocavam beijos com o perceptor para que, deste modo e nesta submissão, os introduzisse na Ordem. Apesar destas sessões incomuns e estranhas, o próprio Papa justificou tais actos compreensíveis em contexto militar onde a ordem e lealdade imperava e acrescentando o facto de que eles nunca renegaram as liturgias católicas.

Papa Clemente V

Como contra-resposta ao Papa pela sua reconsideração relativamente ao plano inicial, o rei de França condenou à morte o Bispo de Troyes. Com esta ameaça de guerra iminente entre a monarquia e a unidade religiosa, o Papa Clemente V baixou a guarda e anunciou a extinção da ordem religiosa – Os Cavaleiros Templários. Com a porta aberta, o rei já pôde prender, torturar e queimar todos os cavaleiros por pura vingança e maldade.

A maldição do Grão-mestre

Em Outubro de 1307, numa Sexta-feira 13, a sede fora invadida e os cavaleiros foram capturados, torturados e queimados vivos. Nesse mesmo dia, onde, dizem, que a superstição da Sexta-feira 13 nasceu e perdura desde dessa época, o Grão-mestre Jacques de Molay, último mestre e 23º integrante na Ordem, foi capturado, tal e qual como seus companheiros de missão e, durante 7 anos foi torturado, com outro cavaleiro de nome Charney, enquanto seus algozes aguardavam uma confissão dos locais onde a riqueza dos Templários estava escondida, assim como denúncias da localização de outros cavaleiros.

Fiel a si próprio, à causa e aos seus colegas e sem confissão nem denúncias da parte de Moley, 3 julgamentos e com uma confissão forjada, Rei Filipe e o Pontífice condenaram o último Grão-mestre, de 72 anos, a morrer na fogueira, a 18 de Março de 1314.

A maldição de Jacques de Molay foi declamada na estaca, condenando o rei, o Papa Clemente e um cavaleiro chamado Guilherme de Nogaret, o executor das ordens reais, oficial chefe e principal conselheiro do rei – seus carrascos.

Grão-mestre Jacques de Molay

Numa verdade, sendo consequência ou não da maldição, um mês depois da morte de Moley, morre Guilherme de Nogaret por envenenamento, seguindo-se a morte de Papa Clemente V, 42 dias depois da maldição lançada.
Por último, em Novembro desse ano, morre o Rei Filipe IV com um derrame cerebral fulminante. A maldição ecoou durante 3 gerações do rei, colocando um ponto final à linhagem da Dinastia Capetiana.

Diz a lenda que, 4 séculos depois, quando o Rei Luís XVI – descendente de Filipe IV – foi condenado à guilhotina, um popular aproximou-se do cadafalso, mergulhou a sua mão no sangue azul derramado, elevou-a aos céus e bradou:

“Jacques de Molay, foste vingado!”

A morte do último Grão-mestre não foi apenas uma morte isolada, mas sim uma morte envolta em injustiça e maldade por um rei cruel e por um Papa submisso.

Em busca do tesouro

Devido à morte de Moley, deu-se início a histórias, teorias e murmúrios sobre a ordem. As teorias tomavam molde à luz da ganância de Filipe IV e alguns acreditavam, de forma solene, que o tesouro existia e que este estava escondido.

Quem acredita diz que o tesouro está por Espanha ou Escócia. Outros defendem que a localização estará por França, na região da Normandia. Eu gosto de acreditar que poderá estar em Portugal… Note-se aqui, que após a Ordem ser extinta, em 1312, em Portugal nascia a Ordem de Cristo, a “fiel herdeira e depositárias de todas as suas riquezas espirituais e materiais” (no fundo, uma re-fundação dos Templários).

A nossa história com a Ordem dos Templários está menosprezada e abandonada por bastantes teóricos. No coração de Portugal, temos o mais belo e robusto exemplo: o castelo de Tomar, inspirado no forte da Terra Santa. Para além deste, temos histórias que encantam relacionadas com os Templários, mas essas deixemos para outra altura.

Quem sabe e se porventura, o Santo Graal não estará, de facto, por terras lusitanas…

Rita Morais de Oliveira

Sem apresentações hollywodianas, nasci em 1988 no Nordeste Transmontano, Portugal. Encontrei o meu habitat na escrita desde que comecei a ler e a escrever. Nos meus tempos livres, além de Freelancer de Conteúdos, também sou uma aspirante escritora em (eterna) construção e indiscutivelmente contra o Novo Acordo Ortográfico. Com dois contos editados nas Antologias "À Margem da Sanidade" e "O Penhasco"; outro publicado na Revista Pulp Fiction e um livro em criação. Prevalece sempre o mesmo género literário: policial, thriller, suspense e algum terror psicológico. Como o nosso velho amigo Albert Einstein disse: "Criatividade é inteligência divertindo-se."

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