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Casablanca

Segunda Guerra Mundial. Rick Blaine, um americano amargo e cínico, expatriado devido a causas desconhecidas, dirige a casa noturna mais popular de Casablanca, o Rick´s Cafe.

Sendo uma casa noturna, atrai todo o tipo de ação com uma clientela diversificada. Por ali passam gentes de todos os lados da política, refugiados, nazis, ladrões, franceses de Vichy e tantos outros. Fazem-se apostas e ganha-se dinheiro.

Rick advoga-se neutro, mas vem a saber-se que esteve envolvido em ações de campanhas políticas, tais como tráfico ilegal de armas para a Etiópia, com o objetivo de combater os italianos e evitar a Guerra Civil Espanhola. Um militante, portanto.

Lisboa é uma cidade neutra, um paraíso para quem passar de um continente para outro, mas chegar até lá pode não ser fácil. Para tal são necessárias as Letters of Transit que são conseguidas através de meios pouco ortodoxos. O objetivo é chegar aos Estados Unidos.

Qualquer um faria qualquer coisa para conseguir esses documentos e sair do marasmo onde se encontra. É nesta transação que se verifica o caráter de cada um e até onde conseguem ir para chegar ao final pretendido. Tudo se vende e tudo se compra com preços elevados.

Rick é o fiel depositário de algumas dessas Letters, que lhe foram entregues por um funcionário de dúbios interesses. Como se não lhe bastasse essa inquietação, o seu antigo amor, o motivo do seu cinismo e amargura, chega ao seu café, com o marido, de forma inesperada.

Tudo tinha acontecido em Paris e Ilsa, de seu nome, desaparecera de forma misteriosa. O seu marido, Victor Laszlo, um resistente checo, está disposto a comprar as Letters que são passes para a liberdade. Suspeita que Rick as tenha, mas sem certezas.

No café os alemães cantam um hino e Lazlo pede para tocar para a Marseilhaise, um hino de resistência. De um lado cantam os alemães, “Die Wacht am Rhein” e do outro, com mais pessoas a aderirem, canta-se o hino francês. Furioso, o oficial alemão, manda fechar o café.

Pelo meio assiste-se ao reencontro dos dois amantes. É tão doloroso e ficam os dois divididos sobre o caminho a seguir. Existem apenas dois passes e são três pessoas que querem escapar. Percebe-se que Rick continua tão apaixonado como sempre. Tentam justificar-se sobre as suas atitudes, mas é apenas a dor do abandono a falar.

Rick abdica do seu amor e permite que Ilsa e Lazlo sejam felizes na terra da liberdade. A decisão estava tomada. O seu coração sangrava, mas outros valores seriam mais fortes do que uma relação tão egoísta. A despedida dos dois amantes é icónica e fica gravada como um mantra.

Play it Again, Sam“, é um grito de dor disfarçado de força, Sam toca piano e as lágrimas internas jorram como rios desgovernados após o degelo. Ele fica e ela vai. As saudades e as memórias não podem ser roubadas e, por isso, “we’ll always have Paris“.

Amor, guerra, traição, calor e dor em doses perfeitas de realidade que deixam um sabor estranho na boca e um aperto no coração. Atores extraordinários que ainda nos fazem doer. Filme noir, com um preto e branco cheio de tonalidades que ferem quem se atreve a sentir.

Margarida Vale

A vida são vários dias que se querem diferentes e aliciantes. Cair e levantar são formas de estar. Há que renovar e ser sapiente. Viajar é saboroso, escrever é delicioso. Quem encontra a paz caminha ao lado da felicidade e essa está sempre a mudar de local.

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