007 – Ordem para Matar

Foi com From Russia With Love, o segundo filme da série James Bond e o primeiro que vi, que me apaixonei pelas aventuras do agente secreto britânico. Recordo-me que a RTP ia passar, ao ritmo de um por mês, os filmes da série em que o espião inglês era interpretado por Sean Connery. Por alguma razão, não me lembro do primeiro filme mas este segundo, que ainda hoje permanece em mim como um dos melhores, foi um evento lá em casa: o meu pai era fã e foi em família que assistimos à ultima aparição Bentley (só no filme seguinte, Goldfinger, se estrearia o Aston Martin DB5), à sinistra agente Lotte Lenya, ao “amigo” Ali Kerim Bey, à Bond Girl Tatiana Romanova ou ao vilão Donald “Red” Grant, um dos que mais trabalho deu a Bond, numa luta épica no Expresso do Oriente.

O argumento, seguindo um guião de Ian Fleming, como na maior parte dos primeiros filmes de Bond, é um intrincado de espiões, acção, twists e mulheres bonitas. A vingança da organização criminosa SPECTER leva Bond em busca de uma máquina de descodificação Lektor.

Visto hoje, o filme perdura como uma obra datada, mas que sobrevive bem através do tempo: Connery foi um Bond violento e charmoso, as Bond Girls eram muitas vezes objectos para cumprir o estereótipo feminino da série e a verosimilhança das histórias era curta (anos mais tarde, nos filmes com Roger Moore, os enredos tornar-se-iam delirantes), mas divertia e entretinha. E imprimiu uma marca.

Se hoje olhamos para as Bond Girls sob a lente do sexismo, que perdurou durante muito tempo nestes filmes, embora com algumas personagens femininas de personalidade mais vincada (como Honor Blackman em Goldfinger, Barbara Bach em Agente Irresistível ou Michelle Yeoh em O Amanhã Nunca Morre), a verdade é que a série nunca deixou de ser uma caricatura de si própria, pejada de exageros mais ou menos assumidos. Para mais, ver a evolução do Bond de Connery (de Agente Secreto 007, em 1962 a Os Diamantes São Eternos, em 1971, o actor foi endurecendo a personagem de Bond), o Bond “marialva” de Roger Moore, o ar cool de Pierce Brosnan, que tentou cunhar a maioridade de Bond ou a profundidade que Daniel Craig imprimiu ao agente secreto, formam a riqueza que é assistir à evolução da sociedade através do Cinema.

As Bond Girls evoluíram ao ponto de o termo ter caído por si, tal como Bond evoluiu, muito por culpa dos dois últimos intérpretes. E se as histórias não perderam o cunho característico – há-de sempre haver um vilão disposto a mandar no mundo (ou a mandá-lo pelos ares) – também elas, as histórias, se tornaram mais completas, sem no entanto enganar um espectador que ao entrar numa sala se Cinema, sabe exactamente ao que vai. Esse equilíbrio entre acompanhar os tempos e não perder a mística, é o que mais gosto num filme de James Bond. Desde que vi From Russia With Love, no início da adolescência.

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