Segredo Mortal

No mês em que o mundo tem sofrido as consequências das alterações climáticas, considero o momento perfeito para falar sobre um thriller que se desenvolve em torno do tão almejado controlo da natureza.

Segredo Mortal é o primeiro livro da série “Mortal” e o segundo do escritor português, Bruno M. Branco. O seu livro de estreia, quando ainda estava na casa dos 20 anos, foi o policial “Contagem Decrescente”, publicado pela editora Chiado Books.

Nascido na década de 1990, praticou natação de competição até 2016, representando o Clube Lisnave e o CIRL. É licenciado em Radioterapia, área que seguiu pela sua mãe, trabalhando actualmente no IPO de Lisboa. Além de profissional de saúde e escritor, é o apaixonado marido de Sara, orgulhoso pai de Henrique e o extremoso tutor de Joey, o seu cão.

Desde cedo, Bruno começou a ler e também a escrever, dando preferência à leitura de fantasia e policiais. A escrita ajudou-o a ultrapassar momentos difíceis da sua vida. Conta entre as suas referências autores como, Daniel Silva, Dan Brown, Jo Nesbø e Tess Gerritsen. Bruno caracteriza a sua escrita como simples e intensa, dando prevalência ao enredo.

O policial Segredo Mortal leva-nos a um cenário assustador na véspera de Natal, quando cheias massivas submergem o centro de Lisboa, causando danos incalculáveis e centenas de mortes. A catástrofe é atribuída ao aquecimento global, mas a dúvida persiste. Será que realmente resultou das alterações climáticas?

Chamados à praia da Fonte da Telha, os inspectores da Polícia Judiciária, Leonardo Rosa e Marta Mateus, deparam-se com um cenário horripilante. Inicia-se assim uma implacável caça ao homem, desvendando um puzzle humano criado por um assassino ardiloso e inteligente, que desafia as capacidades dos inspectores. Leonardo Rosa é assombrado pelos seus próprios fantasmas interiores, tendo de ultrapassar barreiras para conseguir chegar à verdade: a descoberta de um segredo surpreendente.

Paralelamente, um jovem recém-licenciado é acusado de crimes que ele jura não ter cometido. Encurralado, decide fugir e provar a sua inocência, mas depressa se vê envolvido numa teia de acontecimentos que o leva a uma conclusão terrível: matar é a única forma de sobreviver. À procura de justiça e da verdade, os inspectores e o jovem envolvem-se na maior conspiração de todas. Conseguirão eles sair dela vivos?

Segredo Mortal é um livro notável que me cativou desde o início. O ritmo constante da narrativa é envolvente e prende o leitor à leitura, tornando-a uma experiência emocionante. A escrita fluída do autor, que descreve as cenas intensas de forma pormenorizada, transportando-nos para o centro da acção e mantendo-nos ansiosos por mais revelações surpreendentes, que surgem ao longo da trama até ao final impactante.

As personagens são cuidadosamente desenvolvidas e torna-se impossível não criar empatia com elas. Bruno cativa-nos com a genuinidade dos diálogos e a profundidade emocional das personagens, o que torna a leitura ainda mais rica e envolvente.

Outro ponto que aprecio neste livro é a dimensão dos capítulos, que facilita a leitura e nos permite avançar na história de forma fluída e contínua. As histórias paralelas habilmente interligadas criam um enredo complexo e envolvente, conduzindo-nos por locais que nos dão a conhecer a beleza e peculiaridades de Portugal.

Em suma, Segredo Mortal é uma obra literária brilhante, que combina uma escrita fluída, diálogos envolventes e cenas intensas com uma narrativa bem estruturada e uma dimensão de capítulos adequada. Este livro é uma leitura emocionante e memorável, recomendada a todos os amantes de policiais que procuram uma experiência literária empolgante e repleta de mistério e surpresas.

Para além do entretenimento, Segredo Mortal aborda questões humanas e sociais relevantes, como a adopção e as dificuldades dos pais adoptivos em abordar o tema com os filhos. A perda de entes queridos é retratada de forma intensa, mostrando como o luto pode ser vivenciado de formas tão distintas. O livro também levanta questões sobre assassinos em série e a falta de preparação da sociedade, e do sistema judiciário, para lidar com pessoas que sofrem de psicopatia, ou outras patologias semelhantes. A questão da amnésia dissociativa, e a importância do trabalho dos profissionais de saúde para desbloquear memórias também é abordada. Aborda a questão da pedófilia e dos abusos sexuais a adultos e de como a sociedade, e mesmo a comunidade prisional, vê esse crime. Além disso, a obra deixa no ar reflexões sobre os temas da superpopulação, da vingança e da corrupção, apresentando personagens com cargos públicos envoltos em segredos e pressões.

Bruno M. Branco inspirou-se no tema do clima para criar Segredo Mortal, surpreendendo ao ir além das alterações climáticas e discutir as implicações éticas do controlo da natureza. 

Através de uma narrativa eletrizante, Bruno M. Branco desafia os leitores a refletirem sobre questões importantes da sociedade e do meio ambiente. Segredo Mortal é uma obra que prende da primeira à última página, oferecendo uma jornada emocionante e envolvente, repleta de suspense, mistério e reviravoltas inesperadas. Uma experiência literária imperdível que vem confirmar o talento de autores portugueses na escrita de policiais.

Enquanto aguardamos com expectativa o lançamento do terceiro livro “Fúria Mortal” – nas livrarias a 25 de Setembro – é possível continuar a série “Mortal”, com o segundo livro: “Jogo Mortal”. 

Resumindo o livro numa frase – o ser humano não está preparado para ter o poder de controlar a natureza. 

Nota: este artigo foi escrito seguindo as regras do Antigo Acordo Ortográfico
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