António Poteiro

António Batista de Souza nasceu em 1925, numa aldeia portuguesa no Minho (antiga aldeia de Santa Cristina de Pousa) e emigrou com sua família para o Brasil em 1926, tendo-se fixado no estado de Minas Gerais.

António herdou do pai, também ceramista, a técnica e a sensibilidade para moldar o barro, ainda que tenha exercido outras actividades como porteiro ou servente. 

No entanto, a sua veia de artesão manteve-se sempre presente, criando, inicialmente, peças para uso doméstico e máscaras.

Em 1958, já com família a seu cargo, passou a viver definitivamente em Goiás e aí adoptou o apelido de “Poteiro”, por sugestão de Regina Lacerda, importante documentalista do folclore daquela região e cujo papel teve extrema importância na recuperação da memória histórica e cultural de Goiás. Foi também Regina Lacerda que orientou António Poteiro, por forma a que ele deixasse a assinatura marcada nos seus trabalhos de cerâmica.

Mais tarde, começa também a pintar telas e a expôr os seus trabalhos, tanto no Brasil, como no estrangeiro e a leccionar a disciplina de cerâmica.

“S. João”, 90 cm x100cm

O que existe de tão singular na sua obra? 

Nas suas criações, encontramos forte influência de motivos regionais e temas bíblicos e pressentimos o contacto estreito entre este artista e as tribos índias daquela região brasileira.

“O presépio”, 70 cm x 50 cm

Como apontam alguns críticos de arte, Poteiro manteve sempre um estilo único e coerente, tanto na forma, como no uso personalizado da cor. Os temas das suas criações são variados e abordam desde a fauna do Pantanal a assuntos de história religiosa,

As suas telas e cerâmicas são repletas de pequenas figuras de casas, animais, riachos, pessoas e detalhes ornamentais que preenchem todos os espaços vazios, tratados de forma minuciosa.

Júlio Pomar referiu-se a António Poteiro como: “subtil harmonizador de formas e de cores e um não menos subtil comentarista do grande teatro do mundo…”

Visto como um artista naif, Poteiro foi um contador de histórias com as suas obras.

Na base do seu trabalho esteve a inocência, a singeleza e o encanto da vida de um homem da terra.  

António Poteiro nunca gostou muito de teoria sobre seu trabalho: “Eu não sei quem sou, só sei que pego o barro e faço”, resumiu.

“A promessa”

Este artista foi distinguido com vários prémios como a Comenda Oficialato da Ordem do Mérito, atribuído pelo Governo Português (1987), a Comenda da Ordem do Mérito Cultural, do Brasil (1997) e o Prémio Unesco (2001).

Poteiro, que diz em menino não ter brincado, sabe, segundo palavras de Júlio Pomar, “… quanto é gostosa a regra dos sonhos, a qual é afinal a regra de toda a criação – a transformação das relações a que as coisas pareciam irremediavelmente constrangidas…

”Vem a falecer em Goiânia a 8 de junho de 2010, aos 84 anos, deixando-nos o seu imaginário lúdico e sagrado e marcando com cores o folclore brasileiro.

Fonte das Imagens: Imagens retiradas da página online do Instituto A. Poteiro
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