A caminha(o) dos nossos filhos

A parentalidade traz consigo inúmeras questões. De diferentes e diversos aspectos. Desde questões mais simples às mais complexas. Traz um mundo novo, de conhecimento, de adaptação e de partilha. Nós pais, somos muitas vezes “postos à prova” e sem manual de instruções. Entregues às balas, e venha daí a coragem, para enfrentar.

O mundo da parentalidade tem tanto de sereno como de agitação. De momentos pacíficos a momentos de verdadeira rebeldia. Mas é todo um mundo para conhecer. E, para no devido tempo, ressignificar.

Somos, muitas vezes, levados a fazer o que em tempos faziam connosco. Pelo exemplo que tínhamos, fosse ele qual fosse. Somos muitas vezes julgados, quase que “condenados”, por diversas questões. Mas a verdade é que somos muito mais do que aquilo que, muitas vezes, fazemos. Somos o que pensamos. Somos o que sentimos. E no mundo de ser pai ou mãe há sempre a novidade. Há a surpresa. Há o inesperado.

Queremos, algumas vezes, os filhos perfeitos e sermos o melhor exemplo possível, mas somos humanos. Somos feitos de muita coisa. De tantas camadas. Somos alegria e tristeza. Somos sorriso e lágrima. Somo canto e choro. E somos. Todos. Os nossos pequeninos também são, mas nós andamos por cá há mais tempo do que eles. E, em teoria, sabemos mais. Conhecemos mais. E achamos mais. Em teoria.

Pensamos no seu futuro e naquilo que gostaríamos de os ver passar. Nas quedas que os poderemos amparar e apanhar. No sucesso que eles poderão vir a ter. Para com eles, nos fazermos presentes e, festejar. Mas há escolhas que não são nossas. Assim como escolhas que os nossos pais tiveram e que nós não acolhemos. Preferimos abandonar. Porque sentimos que não era para nós. E, no sucesso dos nossos filhos, há partes onde não podemos por a mão. Porque o caminho irá ser feito por eles. E para eles. Às vezes, recordo a frase que tantas vezes ouvi: “Na cama que fizeres, nela te vais deitar!” E isto não precisa ser mau. Pode ser bom. Se eu souber que lá na frente, aquela é com certeza, a cama mais linda que eu escolhi fazer.

São tantas as vezes que basta ouvir. São tantas as vezes que basta girar a cabeça e somente observar. Poque a caminha feita hoje pelos nossos filhos, é para eles, a mais fofinhas de todas. E é nela que, todas as noites, eles se vão deitar. E se para nós, tantas vezes, a regra e o esquadro se fazem presentes para que aquela cama esteja feita no seu melhor. Para eles a glória está em a conseguir fazer! Mesmo que com lençóis mal puxados e o edredom a cair para o lado.

Há muito que (re)pensar e outro muito para aprender. E há coisas simples para ensinar. E que no andar da carruagem, desta que chamamos Vida, mais na frente os nossos filhos vão lembrar. “Obrigada e desculpa.” “Por favor.” “Bom dia.” “Boa tarde ou boa noite.” A gentileza não se gasta e a humildade também não. E mostram que no mais simples dos gestos está toda uma fórmula para que eles – e nós também – sejam bem sucedidos.

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