5 Lições de Rush

Rush de Ron Howard apresenta, de forma impressionante, a rivalidade entre duas lendas de Formula 1: Nikki Lauda e James Hunt. O confronto gigantesco levou ambos a uma jornada de auto-desenvolvimento: com o objetivo de se superarem um ao outro, eles acabaram por se superar a si próprios.

Apesar de Lauda e Hunt terem personalidades e atitudes diferentes (em relação à vida em geral e a corridas de carros em particular), partilhavam a mesma energia magnética que é visível ao longo do filme, graças aos cativantes desempenhos de Daniel Bruhl e Chris Hemsworth.

Mais do que uma obra-prima sobre dois desportistas inesquecíveis que apaixonaram milhões de pessoas pelo mundo, Rush é uma poderosa fonte de inspiração com lições que qualquer um pode adotar na vida.

Como é sempre possível aprender com o exemplo dos outros, vamos evidenciar 5 lições de vida que podemos aprender com Rush (Alerta Spoiler!):

1 – Conhece-te a Ti Próprio

“Deus deu-me uma mente ok, mas um rabo muito bom, que consegue sentir tudo num carro.”

O sentido de auto-consciência de Lauda é impressionante! Ele conhece-se a si próprio e ao seu ofício melhor do que ninguém. E não é isso que torna a arte de viver bem sucedida? Quando olhamos para a História, vemos que todas as grandes personalidade concordavam que conhecermo-nos a nós próprios é o verdadeiro poder. Há um provérbio Taoista que diz: “Conhecer os outros é sabedoria, conheceres-te a ti próprio é iluminação.”

Conhecermo-nos a nós próprios é a coisa mais importante que podemos fazer e garanto que ninguém te pode conhecer tão bem como tu próprio/a. Na verdade, esse é o verdadeiro propósito de se ser humano na Terra: conhecermo-nos!

No início do filme, podemos ver que Lauda conhece bem as suas capacidades. A auto-consciência dá-lhe a confiança e a determinação, mesmo sem a bênção da sua família imediata, para andar em frente. Conhecermo-nos profundamente bem traduz-se em diligência sobre o que estamos a fazer, e o resultado é tornarmo-nos experts, uma característica que distingue qualquer líder.

2 – Ser Humilde

“Sabes, Nikki, de vez em quando ajuda se as pessoas gostarem de ti.”

Numa das cenas, Lauda explica o seu ponto de vista com lógica, à medida que tenta convencer outros sobre essa perspetiva e declarando que é a melhor abordagem para a situação em mãos. No entanto, as coisas não se desenrolam da forma que pretendia, sobretudo porque as pessoas não simpatizam com ele. Uma vez que Lauda é exímio a exercer e conhecer a sua arte, ele tende a achar-se superior aos outros, o que faz com que passe como arrogante. Assim, as pessoas podem ouvir o que ele diz, mas sentem relutância em seguir essa via, independentemente de ser a melhor solução ou não.

Hunt, por outro lado, é o carismático divertido agradável tipo que vai às festas com quem toda a gente adora estar. Ele trata as pessoas com respeito, como iguais, criando empatia, consequentemente, as pessoas tendem a confiar nele e estão mais propensas a seguir o que ele diz, pelo que é mais fácil para Hunt ser percepcionado como líder.

Ser gentil gera conexão e confiança. Ser humilde não significa não saber ou não assumir o nosso valor, simplesmente ajuda-nos a perceber quem somos no contexto em que vivemos. Bondade, humildade, compaixão são valores chave para construir parcerias duradouras. Quando vivemos de acordo com estes princípios, colocamo-nos como iguais aos que nos rodeiam o que nos traz o respeito dos seres humanos à nossa volta.

3 – Focar no que Importa

“O que é importante é como me faz sentir a mim.”

Há uma cena em que James Hunt e a esposa Suzy estão a falar sobre a dissolução do seu casamento. Hunt diz algo redutor sobre si próprio e Suzy, sabiamente, responde:

“Tu não és terrível. Tu és simplesmente quem és neste momento da tua vida. E Deus ajuda quem quer que seja que queira mais.”

Quando aceitamos o que é, somos livres. Não desperdiçamos o nosso tempo com ódio ou ciúmes ou inveja ou a forçar um resultado. Não gastamos a nossa energia a desejar que algo ou alguém seja diferente do que é. Aceitamos e avançamos a partir daí. E isso torna a vida tão mais fácil!

A aceitação é a chave para viver uma vida feliz e descontraída, pois dá-nos clareza sobre o que está à nossa frente sem enovoar a nossa perceção com o que pensamos ou desejávamos que a pessoa/situação fosse. Quando estamos completamente presentes com o que é, temos a capacidade de nos focar no que importa.

Ainda durante essa conversa, Hunt diz algo para provocar Suzy e instigar uma reação e ela (mais uma vez sabiamente) responde:

“O que é importante é como me faz sentir a mim. E faz-me sentir que ele me adora!”

O mais importante é como nos sentimos! Todos vão ter uma opinião sobre tudo, mas, no final do dia, é a nossa própria perspetiva que dirige a nossa vida. Por isso, o melhor, é focar em viver a vida que queremos realmente viver!

Quando James tenta provocá-la, Suzy consegue dar-lhe uma resposta centrada e sensata, porque ela está profundamente focada em si própria e na sua experiência, em vez de desperdiçar atenção com raiva ou ganância sobre um determinado resultado ou o que quer que seja que ele ou outros possam pensar sobre a sua vida.

Tens o poder de te focar no que queres. Usa-o!

4 – Ser Grato/a

“Sr. Lauda, um homem sábio pode aprender mais com os inimigos do que um tolo com os amigos.”

O ponto anterior anda de mãos dadas com este. Às vezes a vida atira-nos desafios que podem ser difíceis de ultrapassar, porque a nossa mente racional quer imensamente compreender porque é que somos confrontados com o que está a suceder-se e porque é que as coisas se desenrolaram de certa forma.

A dada altura no filme, Lauda acaba no hospital. Ele está severamente ferido e sente-se enraivecido para com Hunt, como se o culpasse pela situação. Afinal, se Hunt não fosse tão bom com pessoas, talvez Lauda pudesse tê-los convencido do seu ponto de vista, e não se encontrasse na situação em que se vê metido. É nesse momento que o seu médico lhe dá este brilhante conselho. E Lauda decide aceitá-lo e mudar a situação para si próprio. À medida que muda a atitude sobre o que aconteceu, Lauda começa a fazer “limonada” com os “limões” que recebeu. É a sua vontade de ser vitorioso que o põe novamente na corrida.

A resiliência constrói vencedores e a gratidão é a chave para se ser resiliente. Quando nos focamos nos aspetos positivos do que está a acontecer, temos a capacidade de avançar, libertando-nos de ira, ansiedade, medo ou inveja. À medida que Lauda vai em direção à sua visão, consegue ultrapassar qualquer obstáculo, incluindo a dor. Em vez de culpar as pessoas ou as circunstâncias, Lauda decide vê-los como oportunidades para conquistar as suas limitações e ser bem sucedido. Lauda escolhe usar o que está a acontecer como um catalisador de motivação para conquistar o desafio. E é exatamente assim que nascem os heróis!

5 – Divertir-se

“Algo da vida tem de ser por prazer. De que serve ter um milhão de troféus e medalhas e aviões se não te divertes? Como é que isso é ganhar?”

Como diz o ditado: “Quem corre por gosto, não cansa.” De facto, quando nos divertimos no que estamos a fazer, estamos a fluir em sincronicidade. Essa fluidez é o nosso estado natural e significa que estamos a mover-nos facilmente pelo processo da vida, mudando o nosso foco de “atingir” para “apreciar”.

No final do filme, Lauda e Hunt estão a falar e Hunt diz que tenciona divertir-se e aproveitar, esse é o seu propósito. Hunt é tão apaixonado pelo que faz em cada momento, que está constantemente a divertir-se.

Quando amas o que fazes, acabas por fazer o que amas! Por isso, ser alegre, relaxado e tranquilo é não só agradável como inteligente, pois o sucesso é uma consequência natural desta atitude. Quando a pessoa se diverte no que está a fazer, está a ser grata ao que é. Quando te focas nos aspetos positivos da tua experiência, estás a desfrutar do processo. Isso permite-te ser o teu melhor. E ser o teu melhor agora é a atitude de um vencedor.

Estes são alguns dos momentos-chave do filme de onde podemos retirar preciosas lições de vida para nos inspirarem no nosso dia-a-dia, sobretudo quando somos confrontados com a (aparente) falta de sentido das vicissitudes diárias.

Ainda durante o filme, há uma cena em que a McLaren-Mercedez está a debater com Alastair (o agente de Hunt) se deveria contratá-lo a ele ou a outro concorrente. E Alastair explica que, apesar da fama de rei das festas de Hunt (que poderá por vezes transmitir uma certa falta de consistência), no dia em que realmente importar, no dia em que faria mesmo diferença, eles iriam desejar ter James Hunt ao volante, acrescentando:

“Vocês nunca ganharão o campeonato com Jackie Ickx, mas talvez ganhem com o James.”

Podemos pensar o mesmo sobre sermos otimistas ou pessimistas sobre o que se vai sucedendo na nossa vida. Nunca chegaremos a bom porto com uma atitude pessimista, na verdade, esse tipo de comportamento tende a exacerbar o que está a acontecer. Em contraste, uma atitude otimista é a única forma de (nos propormos a) sermos bem sucedidos no que quer que seja. Uma atitude otimista revela paixão pela vida e viver apaixonado/a pela vida é a atitude de um/a vencedor/a!

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