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Tempo

O tempo. Essa maldita invenção humana que nos escraviza e nos torna autênticos fantoches a dançar ao som do tic-tac, tic-tac.

Tudo para ontem. Corremos que nem loucos para cumprir os prazos estabelecidos, acorrentados a uma ideia de validade temporal que nos sufoca, mas da qual não nos conseguimos libertar.

A própria distância temporal, que nos afasta da data em que nascemos, dita as nossas competências, muito mais que elas próprias. Somos velhos muito cedo para uma série de coisas e demasiado novos para outras. A nossa aparência está constantemente a ser comparada aos anos que por cá andamos, assim como se houvesse uma idade e um tempo próprio para toda e qualquer coisa.

Tal como estamos habituados a saciar a fome pelo tempo que marca o relógio ou descansar na hora estipulada para o fazer, também estamos acomodados ao mito de que temos todos os mesmos tempos. Não temos. Cada um de nós, quer pelo nosso ADN, quer pela nossa maneira de estar na vida temos “timings” diferentes.

Ninguém tem de se comparar a ninguém, porque cada pessoa tem o seu tempo.

O seu próprio tempo.

Há pessoas que morrem relativamente novas com uma vida preenchida e cheia de concretizações e outras tão tarde, que até já perderam o interesse pela vida, onde pouco ou nada realizaram que não o que lhes fosse imposto.
Uns são rápidos, outros lentos. Outros, nem por isso.

Uns organizam a vida de uma maneira, outros de outra. Outros limitam-se a apanhar a onda e deixam-se ir.

A questão é que todos sabemos ser escravos do tempo contado e nada fazemos para mudar os nossos rituais, as nossas prioridades. E tão atarefados andamos aqui e ali, a tentar fazer tudo de uma vez, que nos esquecemos de viver.

Viver no sentido de nos aproveitarmos da vida em pleno, dando primazia ao nosso bem estar psicológico e físico, dando importância ao que ou quem realmente é importante para nós.

Vivemos a correr, quando afinal o que interessa é apenas o desfrutar do nosso tempo com quem amamos, a fazer o que gostamos, sem pressa, sem relógio.

Um dia a vida perde o seu prazo de validade e, tal como um iogurte esquecido no frigorífico, acaba no lixo em vez de ter sido saciada, saboreada e apreciada.

Eventualmente, não chegará para tudo, portanto, temos que fazer com que tudo chegue no seu tempo natural.
Ou seja, temos de aprender o equilíbrio entre o compromisso com o tempo e com a vida. E aprender que o tempo é relativo.

Ana Marta

Uma alma estranhamente comum que divaga pelos assuntos do quotidiano, aliando gosto pela escrita à mania de "dizer coisas".

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