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Mão Morta – Um frio tão quente

Ao vivo no LAV

No princípio era o frio…

Fumo e um pano branco de fundo.

Foi com, O Despertar e O Mundo Não É Mais Um Lugar Seguro, que teve início a apresentação na íntegra do último disco, dos bracarenses, Mão Morta, No Fim Era O Frio.

O baixo e a bateria dão início ao terceiro tema, Um Ser Que Se Não Ilumina, que termina com onomatopeias de sofrimento, porque… está tanto frio

Segue-se, Quem És Tu? – com o vocalista a cercar a boca com as mãos, para fazer chegar mais longe, as suas frases de procura, por alguém que sente que está ali. Oxalá, onde se manifesta o desejo de uma morte indolor e rápida, Passo O Dia A Olhar O Sol, o tema mais rockeiro deste o disco, o single de apresentação, Deflagram Clarões De Luz, Invasão Bélica, A Minha Amada – tema mais electrónico, com uma narrativa algo erótico-kafkiana e o baterista Miguel Pedro, a sair da bateria para tocar daxafone, um interessante instrumento. Terminam este primeiro acto, com os últimos dois temas do disco, Isto É Real? e, Sinto Tanto Frio. Uma primeira parte executada de forma exímia, em que a plateia foi transportada para um mundo distópico, com a banda sonora ideal.

Após quinze minutos de intervalo, regressam com um pano de fundo ilustrado por vários caretos, da cortesia dos artistas da Oficina Arara, do Porto, e o segundo acto tem início com Pássaros A Esvoaçar, e uma invasão de palco, por parte de um elemento do público, durante a performance teatral de Adolfo Luxúria Canibal, que soube discretamente aceitar e que elegantemente persuadiu o segurança de uma retirada mais forçada, do invasor.

Continuam com Sitiados, a pesada Hipótese De Suicídio, Tu Disseste, Em Directo (Para A Teelvisão) – e a movimentação do público a acentuar-se… Barcelona, Vamos Fugir, E Se Depois, Bófia, a tão aguardada 1º De Novembro, com a plateia ao rubro, a fazer o habitual coro e para o encore ainda estavam guardadas, Lisboa e Anarquista Duval, pondo fim a uma excelente prestação e uma boa noite de rock n roll, que até teve direito a um stage diving por parte do carismático vocalista.

A idade é um posto? É, mas os Mão Morta são ainda tão jovens…

Imagem: Inês Barrau, do site “Arte Sonora

Pedro Carramão

Natural de Lisboa dos anos 80. Musico-dependente. Com algumas incursões em projectos rock/metal. Escritor de abismos. Técnico auxiliar na área da saúde. Tenho como principais hobbies a música, a escrita, a leitura e a culinária.

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