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Viver morrendo

É urgente que entendamos que ser colecionador é inútil. Ao acumular compulsivamente coisas de que nem precisamos, acabamos trabalhando quase o dia todo e não temos tempo para desfrutá-las. A vida está-se a esvaziar de nós e, aos poucos, vamos esquecendo o que é realmente essencial.

Quando a compra de determinados objetos nos deixa satisfeitos, o que realmente acontece dentro de nós é que depositamos neles a expectativa de que possam nos fazer felizes. Algo semelhante acontece nos relacionamentos amorosos. Acreditamos, em vão, que a nossa infelicidade pode e deve ser combatida com a existência de outra pessoa, que finalmente suportará o peso de nossas frustrações e demandas pessoais. E assim, acomodamo-nos no sofá na “zona de conforto”, onde nada será da nossa responsabilidade e onde tudo vai acabar por ser culpa de outrem ou de outra coisa.

A verdade é que vivemos morrendo. É compreensível, eu também sou assim, mas quero mudar. Entendo que a sociedade valoriza o que você tem mais do que o que você sente, mas sejamos corajosos em acreditar que a mudança é principalmente para o nosso próprio benefício.

A vida tornou-se num “Big Brother”, onde a superficialidade está na ordem do dia. São sorrisos falsos, beijos de mau gosto e milhares de “Eu amo-te” sem coração, que fazem parte de uma trama de terror.

De que lado vamos ficar, quando esta charada acabar? Quando a situação exige apenas daqueles que sabem chorar sem armadura, daqueles que reconhecem e falam abertamente sobre os seus medos, onde nos vamos colocar?

Uma placa nas ruas do Porto dizia: “Deixe ir o que fomos, agradeça o que temos e tenha fé no que está por vir”, que me deixou a pensar. O novo mundo pede-nos uma mudança nas estruturas como sociedade e como pessoas. Abaixo, continuava uma frase de Madre Teresa de Calcutá, respondendo a mais perguntas: “Às vezes sentimos que o que fazemos é apenas uma gota no mar, mas o mar não seria o mesmo se essa gota faltasse”.

Deixar de lado o telemóvel e prestar atenção no que temos à nossa frente é o novo desafio. Olhar não é o mesmo que observar. Viajar, dançar, rir, conviver com as pessoas queridas, ajudar, respeitar, ensinar e, acima de tudo, nunca esquecer de respirar.

Rodrigo Gonzalez

Advogado argentino que virou escritor nómada é criador do projeto "Terapia Nomade" que já leva 4 anos recorrendo o mundo. Apaixonado por viagens à boleia torna visíveis relatos de vida criando contos de pessoas incríveis a cada passo. Viajar para quebrar as estruturas sociais impostas, ter coragem e fazer da nossa vida uma história memorável, foi o mote que o levou a vender todos os seus pertences e saltar no imprevisível.

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