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O confinamento geral nunca existiu

O estado de emergência em Portugal finalmente acabou e podemos todas sair às ruas sem horas para voltar ou medo de coimas por sentar em um parque público, essa que parece ter sido a realidade de todos na verdade foi a realidade apenas de uma parcela da população pois boa parte da classe trabalhadora e que sustenta a base da pirâmide foi obrigada a continuar nas ruas trabalhando e lutando para sobreviver e não me espanta que essas pessoas invisíveis em um mundo pré-pandemia também passassem despercebidas nesses últimos meses caóticos e incertos.

Seguranças, cozinheiras, coletores de lixo, entregadores, carteiros, motoristas e empregados de supermercados continuaram seus afazeres, hora em ritmo mais lento outras  mais acelerado, mas essa parcela de trabalhadores não teve a chance de um confinamento e boa parte deles não tiveram sequer a oportunidade de serem testados. São pessoas comuns que lidam com gente comum todos os dias, se expõe nos transportes públicos e nas ruas para conseguirem levar para casa o seu sustento e de seus familiares e por vezes precisam lidar com a ignorância o preconceito e maus tratos de quem tem suas refeições garantidas no fim do mês.

O confinamento veio também para expor as desigualdades, principalmente as de gênero, que afetam sobretudo as mulheres que sem alternativa tiveram de ficar confinadas com seus agressores sofrendo todo tipo de violência física e psicológica. O aumento de casos de violência doméstica de feminicídio e de divórcios comprova isso com dados alarmantes. 

O estudo feito pelo  Instituto Europeu da Igualdade de Género (EIGE) diz que em 21 dos 27 países da União Europeia foram as mulheres que mais perderam empregos, sendo obrigadas a ficar em casa e cuidar dos filhos e dos mais velhos tendo assim mais trabalho e menos remuneração.

Ocupando o quinto lugar nesta tabela, Portugal também bateu recordes de despedimentos de mulheres grávidas, que aumentaram 51%, enquanto a não renovação dos contratos foi de 20% para as mesmas. A ONU já vem alertando sobre o retrocesso que os direitos das mulheres estão sofrendo com a COVID-19 e que vem empurrando silenciosamente mulheres para os trabalhos “tradicionais” de cuidar da casa e dos filho ficando fora do mercado de trabalho e das decisões que afetam também suas vidas.

“Um estudo de 2020 descobriu que os homens superam em muito as mulheres nos órgãos criados para responder à pandemia. Dos 115 grupos de trabalho COVID-19 nacionais dedicados em 87 países, incluindo 17 Estados-Membros da UE, 85,2% eram compostos principalmente por homens, 11,4% eram principalmente mulheres e apenas 3,5% tinham paridade de género. A nível político, apenas 30% dos ministros da saúde na UE são mulheres.” 

(Fonte: Comissão Europeia)  

Agora que temos uma vacina e vemos uma possível saída da pandemia é necessário lutar para que estas desigualdades sejam reparadas e não só com as mulheres mas também com a população negra, LGBTQI+ e a população deficiente que foi muito afetada a nível de atendimento e ofertas de serviços já que na maioria das vezes as leis e tratados não são elaboradas pensando nessa parcela da população é urgente a necessidade de expor essas desigualdades e cobrar posicionamento e leis que realmente ajudem essas pessoas afinal a parte que conseguiu fazer um confinamento de verdade só o fez pois a base da pirâmide em nenhum momento teve a oportunidade de o fazer.

Nota: este artigo foi escrito seguindo as regras do Português do Brasil.

Carolina Vieira

Geminiana com ascendente em virgem que gosta de música e de escrever poesias no @maria_ao_mar, luto pelos direitos das mulheres na @plataformageni e acredito que a grama do vizinho só é mais verde pois é de plástico.

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