Viver fora da monotonia

“O que é uma vida repleta?”, perguntou-me alguém um dia. Não soube responder logo à pergunta. Há questões que nos fazem pensar, pensar e pensar até chegarmos a uma conclusão que pode ou não ser a certa, mas que é a nossa.

A conclusão a que cheguei é que ter uma vida repleta prende-se com o sentirmo-nos realizados. Há quem procure diferentes tipos de realizações. Uns vivem uma vida repleta se tiverem amor. Outros, uma boa vida profissional. E por fim, existe a mistura de ambos. A verdade é que todos buscamos conforto. Todos queremos chegar à cama no final do dia e sentir que houve mais uma realização. E quantas mais melhor. Porque é isso que nos faz sentir úteis nesta aventura que é a vida. Afinal, de que vale a pena estarmos vivos se não soubermos viver?

Viver exige muito mais do que acordar, trabalhar e regressar a casa. Esta repetição inquieta-me. Porque não termos as nossas rotinas mas acrescentarmos algo novo a cada dia que passa? Só assim podemos ter uma vida repleta. Porque para que ela assim o seja é necessário acrescentarmos-lhe novos ingredientes. Se comermos sempre o mesmo prato às refeições vamos, facilmente, fartar-nos dele. E a única forma de comermos de novo aquilo é alterarmos a receita. A vida é mais ou menos a mesma coisa. Os condimentos podem ser sempre os mesmos mas a forma como fazemos a receita pode variar. Porque tudo o que é repetido torna-se chato. E tudo o que é chato deixa de ter interesse.

Desta forma, só teremos uma vida repleta se deixarmos as monotonias de lado e investirmos em novas formas de felicidade todos os dias. Talvez seja esse o significado de “vida repleta”: vivermos cada dia de forma diferente e com o objetivo de fazer de cada dia o melhor de todos os dias.

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