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Viagens

Viajar é mudar a roupa da alma.

Angkor Wat

Foi em Março de 2015 que aterrei no aeroporto de Siem Reap, depois de 3 semanas de mochila às costas pelo Sudeste Asiático. Li algures num artigo de revista, dessas que supostamente são mais sérias que as outras, que o gosto por viajar é genético. Genético ou não, a verdade é que é pouco provável que conheçamos alguém que não goste de o fazer e eu não sou excepção.

A cultura asiática sempre teve lugar de destaque nas minhas preferências e das 3 vezes  que pisei o continente asiático foram precisos poucos minutos de respiração ofegante (a maldita humidade) para me sentir em casa. Nesta viagem conheci a excêntrica Singapura, revisitei a sempre adorável Tailândia e fui pela primeira vez ao Cambodja, mais especificamente a Siem Reap com o objectivo de conhecer os templos de Angkor Wat. Sendo Siem Reap uma das zonas mais ricas do país devido ao grande volume de turismo, ficamos logo com a imagem de um país pobre, desorganizado e ainda profundamente marcado pela guerra civil. O aeroporto parece de brincar, o pessoal da alfândega não fala inglês e os meios de transporte para a cidade parecem tirados de um filme do Indiana Jones. Tudo é caricato e despretensioso. Apesar de todas as características que a nós ocidentais nos parecem um tanto surreais, a cidade de Siem Reap faz lembrar Albufeira em pleno Agosto. Muito turista com álcool a mais no sangue, restaurantes escandalosamente baratos (faz-se uma boa refeição por 3 dólares americanos), bares de Karaoke e casas nocturnas com todo o género de “actividade.” O ambiente que se vive é agradável, descontraído, louco e desresponsabilizado. Os cambodjanos são simpáticos e acessíveis, idolatram a Angelina Jolie e tiram proveito do turismo desenfreado tendo quase sempre uma atitude honesta. É fácil sentirmo-nos bem.

Angkor Wat estava na minha bucket list de locais que tinha de visitar. As minhas expectativas eram tão elevadas que no dia que acordei às 4 da manhã para assistir ao nascer do sol nos templos, o meu coração parecia que ia saltar do peito.

Visitar os templos de Angkor Wat requer uma série de formalidades quase ao nível de se entrar num novo país, o que acaba por ser curioso uma vez que a maioria dos templos do complexo tem vindo a ser descoberta por acaso à medida que se vai desbastando floresta tropical. A entrada para o complexo arqueológico de Angkor é feita habitualmente pelo Portão Sul, esta entrada já de si espetacular, já nos começa a dar uma ideia da grandiosidade dos templos. O que se encontra na enormidade deste complexo arqueológico parece efectivamente tirado de um filme. Sendo em termos geográficos um local bastante extenso e inserido em plena floresta tropical sempre com bastante calor, exige alguma capacidade física: é comum encontrarmos visitantes ofegantes em sombras de árvores em busca de algum descanso.

Os principais templos e os mais visitados do complexo de Angkor Wat são: o próprio Angkor Wat que é o templo de maiores dimensões e onde se assiste ao nascer do sol, as suas altas torres faz com que a luz da alvorada surja devagar o que provoca um efeito quase mágico. O templo de Bayon conhecido pelos seus milhares de rostos esculpidos na pedra. O templo de Angkor Thom seguido pelo seu famoso terraço dos elefantes. E por último, o templo de Ta Prohm, imortalizado pelo filme “Tomb Raider” com Angelina Jolie, e onde a natureza quase engole as estruturas de pedra.

Foi um dia intenso, envolto em misticismo e admiração. Foram 8 horas a caminhar debaixo de um sol infernal. Bebi litros de água. Tirei centenas de fotografias. Percorri templos e mais templos e mais floresta tropical. Aproveitei para me sentar em cada sombra para descansar e absorver o que estava à minha volta. Encontrei e conversei com um português que viajava sozinho. Subi milhares de escadas. Respirei fundo e fechei os olhos, numas das torres principais do templo de Angkor Wat, e no meu coração deixei que aquele lugar me ficasse gravado como uma queimadura de sol escaldante. Fui embora mais cansada que o cansaço mas com a alma a transbordar de pura alegria. As minhas expectativas não tinham sido defraudadas. Quem quer ir a Angkor Wat e não tem certeza, arrume as dúvidas na gaveta e arranque. Vale tanto a pena.

Rita Ramos

Escrevermos sobre nós próprios, no sentido de nos darmos a conhecer a quem nos lê, acaba sempre por ser ingrato. Somos um nome? Uma idade? Uma formação académica? Eu quero acreditar que somos tudo o que vivemos, que somos tudo o que nos rodeia e que absorvemos, que somos quem amamos, que somos os livros que lemos e as viagens que fazemos. Somos um conjunto de tudo e de nada. Quanto a mim, sou a Rita, tenho 37 anos, sou licenciada em Relações Internacionais, sou casada, sou filha e mãe, e as palavras têm sido a minha maior companhia ao longo da vida.

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