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Dois Dias no Porto

São já algumas as viagens feitas ao Porto, mas desta vez demorei-me lá dois dias. A Sofia tratou das marcações e, coincidência das coincidências, ficámos no Hotel Pão de Açúcar, bem no centro da cidade, pensão onde fiquei quando, em miúdo, acompanhei o meu pai à Invicta, em duas das muitas viagens de trabalho que ele fazia ao norte.

Mal chegámos, encontrámos logo um lugar duas ruas acima, e tratámos de lá enfiar a viatura para não mais tirar – não mexe! Chegámos num sábado próximo do almoço e só sairíamos na segunda-feira de manhã, pelo que era perfeito, para não deixar um cêntimo pelo parqueamento.

Almoçámos logo ali. Comer no norte é tão mais barato do que nos estabelecimentos de Lisboa, onde somos gamados sem qualquer vergonha, seja por um chef a armar em fino, seja numa baiuca com pretensões de “típica”.

Depois foi calcorrear o centro, apreciar as filas sem entrar, claro (A Lello tornou-se num fenómeno turístico que ultrapassa em muito o conceito de livraria), ainda que grande parte da zona nobre da cidade estivesse em obras. Percorremos a zona ribeirinha, combinámos um café com a Patrícia, que veio ter connosco mais os pequenos – a Carmen e o Sebastião – para acabarmos no Santini, na Rua das Flores, a relembrar os gelados da minha adolescência, em Cascais.

Ao jantar, num restaurante de vinhos e petiscos na Rua de Ceuta, o Popina, comemos demasiadamente bem, tendo em conta índole turística do estabelecimento – bela relação qualidade-preço – terminando o dia em beleza. Sem nada de mais a assinalar, perfizemos mais de dez quilómetros a butes.

No dia seguinte foi pior. E melhor, dependendo da perspectiva, como quase sempre.

Decidimos ir a pé até Serralves (o carro… não mexe!) e seguimos pelo caminho mais óbvio assinalado pelo GPS: algumas ruelas até encontrarmos a Avenida da Boavista, na rotunda com o mesmo nome, junto à Casa da Música, e seguirmos estrada acima até cortarmos à esquerda, para a Fundação. Uma bela caminhada para ver Miró e o jardim. O pior veio depois: não me fazia sentido regressar pelo mesmo trajecto, pelo que, no mapa, era possível voltar ao centro metendo pelas ruas a sul de Serralves…

Bairro social, drogados cambaleando pelas ruas como mortos-vivos, falando sozinhos, dirigindo-se a nós num passo incerto, mas ameaçador (mesmo que só na forma pois na substância, não passavam de uns pobres coitados), injectando-se sem disfarces, lixo e mais lixo e nós a querer sair daquele inferno a todo o custo, mas o percurso nunca mais terminava (a ideia tinha sido minha por isso havia que aguentar). Vi depois no Google Maps que andámos a passear no coração do Bairro da Pasteleira (a aplicação que eu tinha não nos avisou); há décadas que não via uma zona tão decadente, tendo já esquecido como era haver gente a injectar-se na rua.

Uma experiência, a que se seguiu outra, já na Rua do Campo Alegre, que foi encontrar um restaurante onde não tivéssemos que dar um rim para podermos comer (quem é que disse que no norte se comia barato?!). A Sofia lá descobriu um onde havia estado numa visita anterior, próximo do jardim do Palácio de Cristal, e parámos enfim. Por esta hora – almoço tardio, bem para lá das duas da tarde – já levávamos uns quinze quilómetros nas pernas e muitos mais de fome.

De barriga cheia, Palácio de Cristal, a Ribeira, e toca de ir descansar para o Hotel pois à noite eu queria ir até Gaia. O que fizemos pelo tabuleiro superior da ponte Dom Luís: enxames de turistas (e nós entre eles), para encontrarmos o restaurante que eu conhecia, fechado. Lá tivemos que andar até um desses spots turísticos à beira-rio, junto às caves, para finalmente comer uma francesinha. Regressámos pelo tabuleiro inferior, para terminar o dia com vinte e três quilómetros bem doridos – uma etapa do Caminho de Santiago, mas sem mochila às costas – mas felizes.

Na manhã seguinte, arrancámos para Aveiro, mas a segunda parte da viagem fica para outras núpcias.

Nota: este artigo foi escrito seguindo as regras do Antigo Acordo Ortográfico
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