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Uma pastelaria em Tóquio

Sentaro gere uma pequena pastelaria de dorayakis, uma especialidade japonesa que consiste em duas panquecas recheadas com doce de feijão (“an“, no original). Quando Tokue, uma senhora com cerca de 70 anos, se oferece para trabalhar na pastelaria de Sentaro, ele aceita com uma certa relutância. Nessa pastelaria, há uma visitante, uma estudante, que não sabe o que fazer da sua vida e que se torna confidente de Sentaro.

Tokue rapidamente percebe que a sua receita de “an” é mágica, porque é feita com amor. Graças à sua receita secreta, o negócio de Sentaro floresce rapidamente. Com o tempo, Sentaro e Tokue abrem os seus corações e desenvolvem uma relação de amizade, onde se vão revelando também algumas feridas do passado.

Esta é uma história sobre pessoas do Japão actual, onde os estigmas ainda estão todos bem vivos. A estudante vive com uma mãe fria e que não lhe dá qualquer carinho, Sentaro tenta esquecer uma parte do seu passado menos boa e Tokue é uma sobrevivente da lepra, uma doença terrível. Tudo se complica, quando as revelações afloram e caem sobre estas vidas e as baralham.

Tokue, uma criatura doce e filosófica, encontra amor em tudo, mesmo que as suas mãos mostrem que não foi amada. Sentaro divide-se entre o dever e o sentimento e a mais jovem vai aprende a crescer mostrando um lado prático e desenvolto cheio de dores, mas de esperança.

Este filme é uma parábola sobre a vida, com os altos e baixos inerentes e as possibilidades que podem ser usadas. A persistência é uma qualidade e foi com ela que a vida dos três personagens mudou. Há uma cena enternecedora e maravilhosa, que é quando Tokue fala com os feijões e que, de certa forma, os encanta para crescerem saudáveis e produzirem um excelente doce. Tudo corria bem, até que um dia ela deixa de aparecer e o desânimo toma conta de Sentaro. Decidem visitá-la.

Recebe-os com enorme alegria e foi este o último sopro de ensinamento que lhes passou. Pouco tempo depois, morre e Sentaro recebe a sua herança: os utensílios que usava para fabricar o doce de feijão, tal como ela o fazia. Impregnados de conhecimentos e de amor serão a memória e o conforto que o pasteleiro e a estudante entendem como um modo de dar continuidade à sua arte.

Filme duma beleza sem par, mostra as cerejeiras em flor, uma Primavera de vida, a estudante, bem como o verde pleno, a idade adulta. A queda das pequenas florzinhas será a aceitação do fim da vida e Tokue não poderia ser eterna. No entanto, a sua marca, o tempo que viveu com eles, por muito breve que tenha sido, foi duma enorme qualidade e de extraordinária importância. A magia da vida no seu melhor.

Margarida Vale

A vida são vários dias que se querem diferentes e aliciantes. Cair e levantar são formas de estar. Há que renovar e ser sapiente. Viajar é saboroso, escrever é delicioso. Quem encontra a paz caminha ao lado da felicidade e essa está sempre a mudar de local.

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