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O Jogo da Pedra

Querer gostar ou tentar mostrar que se gosta de toda a gente à nossa volta mais do que hipocrisia é uma utopia.

São poucas as pessoas com quem sentimos empatia de imediato e algumas com quem a desenvolvemos com a convivência promovida em busca de objetivos comuns.

Aos 20 e poucos anos, fiz um intercâmbio cultural com portugueses, espanhóis, italianos e romenos. Comunicava em inglês com espanhóis e italianos (imaginem o quanto fluídas eram as nossas conversas) e tentava infrutiferamente desbloqueadores de conversa com os portugueses, embora falássemos a mesma língua. Valeu-nos o Jogo quebra-gelo da Pedra para conseguirmos desfrutar da experiência.

O Jogo da Pedra consiste em:

  1. uma pedra
  2. um detentor secreto da pedra que faz perguntas para se livrar da pedra
  3. sempre que alguém responde “Não” a uma pergunta do detentor secreto da pedra recebe a pedra e tenta impingi-la a outra pessoa
  4. no fim do jogo o detentor da pedra recebe um castigo.

É um jogo interessante para um grupo, promove a criatividade e desenvoltura do detentor da pedra, e torna-se um desafio linguístico e de alerta para os interpelados, provocando uma interação e convivência descontraída e saudável entre os intervenientes.

Como em muitas outras experiências, o que recordo desta é este jogo e uma massa caseira feita por um dos italianos, ou seja, sou uma pessoa que retém mais a aprendizagem e sensações do que as emoções, mas também sou como a maior parte da população, que interage no meio em que está e com quem está, resultando essa interação em relações de convivência maioritariamente ocasionais.

Grande parte das nossas relações são de convivência obrigatória, impostas pelas nossas relações familiares, núcleo de amizades, funções, necessidades sociais, contributos sociais e coexistência. Esta convivência pode ser feita de forma saudável, cordial e educada, por muito que a presença de outros nos altere e extrapole as reações sendo inexplicável o porquê no momento em que acontece, é o instinto de sobrevivência animal. Foi uma palavra, um movimento, um olhar, uma expressão, uma reação física ou química que nos despoletou o instinto de proteção perante a potencial ameaça (real ou inexistente) e nos deixa alerta.

Podemos e devemos treinar a aceitação de que somos todos diferentes, mesmo quando partimos juntos em busca de supostos objetivos comuns, e mesmo quando atingimos juntos os objetivos traçados, para deste modo desfrutarmos da convivência.

O Business Insider compilou oito dicas, a partir de um artigo de Patel no site Entrepreneur.com e de outros autores e publicações como a Psicology Today, para interagirmos com aqueles com quem simpatizamos menos:

  1. Aceita que gostas menos, pouco ou nada de algumas pessoas. Esforçar-nos para gostar de toda a gente, implica um esforço e desgaste emocional. Devemos dar oportunidade para criar laços, mas sem forçar só porque partilhamos o mesmo espaço e objectivos.
  2. Tenta interpretar o que te estão a dizer de forma positiva, existe sempre, mesmo quando no-la dizem de forma rude e mal-educada. O importante é evitar reagir também de forma rude e mal-educada. A indiferença é a maior parte das vezes a melhor resposta para estas atitudes.
  3. Desconstrói as tuas próprias emoções. Os outros só podem irritar-nos se permitirmos que isso aconteça.
  4. Despersonaliza e relativiza. A maior parte das discussões são mal-entendidos. Se estiveres em desacordo com a pessoa, tente ver as coisas de outra perspetiva. Reagir de forma exagerada pode obter uma resposta igualmente exagerada e isso pode desencadear uma situação ainda mais desagradável. Caso seja necessário, afasta-te e vai apanhar ar.
  5. Expressa os teus sentimentos com calma. A forma como comunicamos é mais importante do que o que estamos a dizer. No caso de alguém te irritar constantemente, Patel aconselha que confronte a pessoa com essa questão da forma mais tranquila possível, ou procure a ajuda de uma terceira pessoa como mediador.
  6. Antes de confrontar o outro avalie a situação. Questione-se se valerá a pena ou será preferível continuar o que estiver a fazer. Eu evito discutir com idiotas, opto muitas vezes por contar até 10, muitas vezes irrepetidamente.
  7. Evita reações à defesa. Se alguém estiver constantemente a apontar-te falhas ou a tentar inferiorizar-te, usa um truque psicológico: fale mais rápido quando discorda com alguém para que as pessoas tenham menos tempo para processar o que está a dizer.
  8. Lembra-te que tens o controlo da tua felicidade. A nossa felicidade e sucesso só dependem de nós. Somos nós que nos fazemos felizes.

Acrescento o 9: Dizer alguns palavrões no momento certo também ajuda. Para os mais recatados experimentem dizer “Cravos e Rosas” com a mesma entoação que outras expressões conhecidas… Ou então, num dia de inspiração, arrisquem e comecem o Jogo da pedra no vosso ambiente relacional. Ajuda a descomplicar, a ser mais positivo e a reagir de forma mais ponderada. No limite, se usarem mesmo uma pedra, e numa situação mais ingerível, é uma ótima ferramenta de arremesso.

P.S. Quantas vezes foi utilizada a palavra “Não” neste artigo?

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