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The Perks of being empático*

But I see your true colors

Shining through

I see your true colors

And that’s why I love you

So don’t be afraid to let them show

Your true colors

True colors are beautiful

Like a rainbow

True colours – Cyndi Lauper

Empatia: A capacidade de nos colocarmos no lugar do outro. De aceitarmos outro prisma da mesma situação, de sentir outrem como se fossemos nós.

Ser empático é ser sensível às energias e emoções que nos rodeiam. É perceber quando alguém está triste mesmo quando está a sorrir, é sentir o mau ambiente num lugar mesmo que não detecte a sua fonte, é ver a manipulação como espectador e fazer das entrelinhas letras garrafais.

Os empáticos são um verdadeiro raio X humano. Observam cada pessoa como quem folheia um livro, absorvem o ambiente como se chamassem por ele. Sabem coisas e não podem dizer, porque sabem, mas não sabem como. Só sabem. Na realidade intuem. Sejam estados de alma, personalidades ou situações. Inclusive fraquezas. De forma muito fácil. Quase inata.

Vivem mais os momentos. Em intensidade e profundidade. No entanto, como esse raio X sensorial desmaquilha a alma tanto dos lugares como das pessoas, pode ser uma experiência tão bela como desapontante. Existe um certo encanto pelo ir-se descobrindo que se perde. Por outro lado, num mundo cada vez mais maquilhado, torna-se uma skill poderosa.

Contudo, precisamente por vivermos rodeados de máscaras sociais, há situações em que os empáticos preferiam não o ser. Por uma razão muito simples, são obrigados a ver mesmo aquilo que não querem ver e a saber quando preferiam ficar na ignorância. Por outro lado pode ser uma característica extremamente perigosa nas mãos erradas. Um empático dá um excelente manipulador. É-lhe muito fácil aproveitar-se das fraquezas alheias as quais conhece de antemão. Ironicamente é essa mesma empatia que os torna não só manipuladores como igualmente manipuláveis.

Na realidade, como são umas autênticas esponjas sensoriais, os empáticos são facilmente atraídos por pessoas negativas, que consciente ou inconscientemente pretendem transmitir o seu fardo, de forma a diminui-lo ou partilha-lo.

Com a convivência com essas pessoas, os empáticos sentem como se uma sombra negra os acompanhasse, e só se apercebem disso quando o contacto com a fonte termina.

Como se respirassem ar fresco, ou estivessem presos no fundo do mar e tivessem finalmente encontrado a tona.

Frequentemente os empáticos sentem como se carregassem o peso do Mundo às costas. Mundo esse que muitas vezes não merece ser carregado. Por isso é tão importante para um empático rodear-se de pessoas positivas, frequentar ambientes leves, ou então simplesmente estar consigo mesmo.

Ninguém percebe melhor a expressão “ estar sozinho em nada se relaciona com quantas pessoas estão à nossa volta” como um empático. E não há nada pior do que nos sentirmos sozinhos …acompanhados.

Já dizia o filósofo (cujo nome tenho sempre que ir ao Google fazer copy paste) Friedrich Nietzsche

Não me roube a solidão sem antes me oferecer a verdadeira companhia

Para um empático por vezes a verdadeira companhia é ele mesmo. Porque não lhe é dada – ou não lhe foi dada – a hipótese de escolher entre a verdade ou a (aparente) perfeição. In the end, ainda bem.

A autora escreve segundo a antiga ortografia

(*) Trocadilho com o título do livro e filme The Perks of Being a Wallflower de Stephen Chbosky
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Angelina Lima

Posso dizer sem grandes incongruências e com várias reminiscências que no fundo sou uma não alinhada.

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