Grandfather and grandchildren prepare food in kitchen

Ter uma vida eco-friendly

Vivemos a maior crise climática de sempre e os impactes das alterações climáticas são evidentes um pouco por todo o mundo. Do Paquistão chegam-nos notícias de chuvas torrenciais que causaram cheias devastadoras como não há registo. A Gronelândia sofreu um degelo de 6 mil milhões de toneladas de água por dia em apenas um fim de semana. Os EUA e a Ásia enfrentam secas sem precedentes. A Europa caminha para a seca mais grave dos últimos 500 anos. Dados do IPMA indicam que todo o território português está em seca severa ou extrema. Estudos apontam que até 2040 cada português tenha que viver com 25 litros de água por dia quando a média atual se situa nos 190.

A minha eco-ansiedade dispara.

Podia ficar paralizada no medo, acreditar que a minha ação individual não faz a diferença no todo, encolher os ombros, dizer que o mundo já está perdido e que não estarei cá para ver as consequências (provavelmente até já presenciaste alguém com este discurso). Mas e as minhas filhas, os filhos dos outros, o que é que lhes deixamos? Que exemplo lhes passaríamos e que comportamentos estaríamos a perpetuar se nada de diferente fizéssemos? Acredito que a mudança começa por cada um de nós por isso pus mãos à obra.

Há uns anos comecei a analisar os meus hábitos, as escolhas que fazia, os produtos que comprava. Hoje questiono-me sempre antes de comprar: “será que preciso mesmo disto? Será que não tenho já uma opção semelhante em casa?” É que o mais sustentável é de facto tudo aquilo que já existe nas nossas casas, por isso não vamos substituir o que ainda usamos por uma versão mais amiga do ambiente quando não há necessidade. Depois existem mudanças que podemos fazer nas nossas rotinas que nem custam dinheiro, até nos ajudam a poupá-lo e por fim, aos poucos, podemos sim substituir os produtos de uso diário por versões mais ecológicas. A sustentabilidade não tem de ser um bicho de sete cabeças nem é necessariamente mais cara como nos fizeram acreditar. Basta comprar menos e fazer escolhas melhores, por isso deixo-te algumas dicas que funcionaram comigo e que podes aplicar na tua casa.

Fecha a torneira sempre que não está a uso e verifica se as que tens em casa têm um redutor de caudal. Cada minuto com a torneira aberta equivale a 12 litros gastos. Dá preferência a duches rápidos e guarda a água enquanto não aquece – sabias que podes estar a desperdiçar quase 3 litros de água potável por banho? Se tens crianças que utilizam banheira portátil esta água pode substituir as descargas da sanita, tal como outras mais sujas. Relembro-te que a cada descarga são gastos entre 10 a 15 litros.

Até aqui não gastaste dinheiro, pois não?

Aos poucos podes substituir os produtos que usas para a tua higiéne pessoal, evitando assim os embalados ou feitos com plástico: o sabão liquído pelo sabonete, o champô habitual por sólido, a escova de dentes convencional por bambu ou plástico reciclado são alguns dos exemplos.  

Na cozinha tem sempre um recipiente à mão onde possas guardar todos os restinhos de água e aproveita ainda a da lavagem dos vegetais para a rega das plantas. Se tens máquina de lavar loiça usa-a e muito. Ela filtra e recicla a água utilizando entre 6,5 a 12 litros por ciclo em comparação com aproximadamente 103 litros gastos para lavar a mesma quantidade de loiça à mão e se não fizeres pré-lavagem manual poupas em média mais 38 litros. Utiliza-a sempre cheia e no programa eco.

Reaproveita t-shirts velhas para panos, escolhe detergentes biodegradáveis e materiais de limpeza de origem vegetal. Faz reciclagem de todas as formas e feitios, e inclui a compostagem na tua vida. Há muito além dos Ecopontos Azul, Amarelo e Verde, basta começares a pesquisar onde descartar aquilo que já não te serve. Para isso aconselho-te que pares a leitura e instales já no teu telemóvel a Waste app – vai ser a tua melhor amiga!

Quanto às refeições dá preferência a uma alimentação de base vegetal, as leguminosas são mais baratas do que o peixe ou a carne, basta fazer contas. Não desperdices alimentos, sempre que o fazes desperdiças também todos os recursos que foram usados para os produzir. Faz listas para não ires às compras de cabeça e comprares coisas que já tens ou não precisas. Leva sempre os teus sacos e recipientes, e se possível prefere o granel em vez do embalado. Usa aplicações que combatem o desperdício alimentar (Too Good To Go, Phenix, entre outras) e compra produtos com etiqueta de fim de prazo de validade disponível nos supermercados. Verifica regularmente as validades do que tens em casa, faz refeições com o que estiver a expirar e congela para dias mais preguiçosos: assim evitas também os pedidos ao domicílio que são péssimos para o ambiente na quantidade de descartáveis normalmente utilizados.

A indústria da moda é das mais poluentes e com maior consumo de água por isso é nosso dever estimarmos muito a roupa que já temos. Para isso e sempre que possível põe a roupa a arejar ou lava apenas a zona suja em vez da peça inteira. Faz máquinas cheias com programas eco a baixas temperaturas. Tal como na cozinha, utiliza detergentes biodegradáveis e quando lavares roupa a mão usa a água para a descarga da sanita. Repara, reinventa antes de considerares que uma peça de vestuário é lixo e sempre que precisares de comprar considera o mercado em 2ª mão.

Algumas destas dicas podem ser óbvias ou simples para ti mas para muitas pessoas são o início da caminhada para uma vida mais sustentável. Como podes reparar a maioria até fazem com que economizes dinheiro. Por exemplo as medidas de redução do consumo de água que aqui te apresento fizeram com que reduzisse 100 litros de água por dia. O nosso consumo era em média de 300 e atualmente está nos 200 litros para um agregado de 3 pessoas, o que perfaz um gasto médio diário de 67 litros por pessoa. Consegues imaginar o impacto desta redução por todas as famílias? Dá que pensar. Mesmo que não estejas disposto a mudar pelo Planeta, faz pelo bem da tua carteira – garanto-te que vais notar a diferença no final do mês.

Share this article
Shareable URL
Prev Post

Querida Telma

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.

Read next

O assunto feio

A proposta é simples: distribuição gratuita de produtos de recolha menstrual em centros de saúde e escolas. A…

Falo, logo existo?

O poder do discurso é real? Será que pode influenciar a sua realidade de acordo com as palavras que pronuncia?…