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PolíticaPortugal

Somos todos Ventura

O fenómeno do Chega tem atingido um patamar que seria, para muitos, pouco expectável. Convém, no entanto, não esquecer que André Ventura e o Chega são resultado da democracia e esse resultado deverá ser respeitado por todos nós.

Bem sei que não descobrimos, até à data, um melhor sistema para as nossas sociedades e que, felizmente, o tempo da Monarquia também já lá vai. Contudo, a democracia tem de ser respeitada, quer gostemos do resultado quer não.

E todos aqueles que repudiam partidos como o Chega, principalmente os que se lhe encontram no oposto político como o PCP ou o BE, só lhe dão força, quando realizam festas como Avante em tempos de pandemia, ou quando têm nas suas fileiras alegados especuladores imobiliários como Robles ou uma deputada como Mariana Mortágua que é contra as taxas da energia, mas que, ano após ano, aprovou – em conjunto com Catarina Martins, a líder do seu partido – o Orçamento do Estado apenas, porque isso lhes dava jeito.

Quer queiramos quer não, somos todos culpados pelo crescimento do Chega. Quer queiramos ou não, somos todos Ventura. E não se ofenda, caro leitor. Justifico-lhe de imediato o porquê da minha afirmação.

Quando António Costa assumiu publicamente que não contava com o Chega para nada, deu-lhe força. De cada vez que a comunicação social fala nele, na tentativa de derrubá-lo, dá-lhe força. De cada vez que os comentadores políticos o tentam diminuir, dão-lhe força. De cada vez que é dado eco às suas provocações, nomeadamente, através das redes sociais, damos-lhe força. De cada vez que o tratamos como um tolo ou o ridicularizamos, damos-lhe força.

E, acreditem ou não, André Ventura de tolo tem muito pouco.

Todas as vezes que fazemos circular, nas redes sociais, as ideias aberrantes que constam do seu programa político, damos-lhe força. Basta-nos falar nele, bem ou mal, e estamos a dar-lhe força.

E neste ponto assumo, desde já, mea culpa. Ao escrever este artigo, estou, também eu, a dar-lhe força. Por isso, aconteça o que acontecer no futuro, estas serão as únicas linhas que escreverei sobre o tema. Enquanto o alimentarmos, ele só ganhará a força que todos desejamos que não tenha.

Julgo que a única arma para quem o quer derrubar, seja a do silêncio. Se o ignorarmos, acabaremos por enfraquecê-lo e por deixá-lo cair no esquecimento. E como diz o nosso sábio povo: “Quem não aparece, esquece”.

Balthasar Sete-Sóis

Balthasar Sete-Sóis, sociólogo, escritor, cronista, radialista e crítico literário encontra nas letras e na comunicação a realização e o sentido para aquilo que o rodeia.

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