Desporto

Recuperar e Renovar

Maio de 1999. Jovem dragão, de regresso do estádio das Antas, ouvia na rádio uma frase que nunca mais esquecera, apesar da memória não guardar quem o disse e em que transmissão. O FC Porto do Penta acabava de se formar, e o jornalista terminava uma breve análise ao campeonato que ali terminava, naquele fim-de-semana de sol alto, com um “o Boavista torna-se um grande, o FC Porto, enorme!”. Intimamente relacionados com o FC Porto, vários outros bons momentos ficarão guardados nesta frágil memória. Esses momentos, longínquos no tempo, são os alicerces daquilo que observamos nos dias de hoje. Porém, o presente não faz jus ao passado.

Cabeças rolaram mas o busílis da questão parece perpetuar. Num clube que vai perdendo referências, parecem sobrar sombras que obscurecem a grandiosidade do clube, deixando-o refém de interesses pessoais que prejudicam, e de que forma, a instituição maior que é o FC Porto. Neste momento, o clube tem uma estrutura que muito venceu, é certo, mas que não demonstra qualquer capacidade para resolver os problemas desportivos actuais, ao mesmo tempo que esbanja a capacidade financeira do clube, e é célere nos processos judiciais contra adeptos insatisfeitos com o actual rumo, com capacidade para o demonstrar através do círculo mediático em que cada um se insere. A mesma estrutura, que fornece condições para a assinatura de contratos que lesam o clube, beneficiando outras entidades que não o clube, não se preocupa no investimento da formação, que tão boa conta de si tem dado. A mesma estrutura, que permite o insucesso desportivo do clube, também, à conta de outros agentes ligados à modalidade, apenas se pronuncia para invocar a força de outrora, despropositadamente, sobre o centralismo do país.

Mais do que uma equipa técnica com poucos recursos ou uma armada espanhola com armas internacionais consagradas e poderosas, os fracassos desportivos do FC Porto destes últimos anos são da responsabilidade de quem possui o poder no clube. Daqueles que se submete a interesses nada interessantes para o clube, daqueles que deixaram o orgulho, a força e a raça dos jogadores que vestiam o azul e branco desaparecer.

Urge renovar e recuperar. Renovar o poder de decisão, e só depois o plantel. Recuperar os atributos mentais que nos permitiram transpor barreiras, até então, impossíveis. Recuperar valores perdidos, uma ideologia vencedora, uma vontade superior. Recuperar o significado de ser portista.

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João Miranda

Comunicação e Sociologia como formação, escrita como actividade de lazer. Livros e café, uma boa esplanada e amigos, sol no céu vigilante e viagens. Será difícil levar algo melhor da vida do que isto.

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