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CrónicasSociedade

Um Novo Mundo

Para quem pensou, como eu, que 2020 ia ser um ano em grande, não se enganou muito. Está a ser um ano em grande, mas em desafios e mudanças.

Nota: Quem não gosta de sarcasmo, pode parar de ler. Nos tempos que correm, resta-nos ter a capacidade de gerir as coisas e tentar “brincar” para aliviar os ânimos.

Quando um beijo, muitas vezes terminava guerras, agora é visto quase como perigo iminente. Vivemos tempos de mudança, vivemos tempos de adaptação. Passámos a ter “medo” das pessoas, medo do contacto físico, que é aquilo que nos dá vida.

Uma ida ao supermercado quase que parece uma ida às trincheiras e uma ida à farmácia é como ir ao campo de batalha carregar as armas dos colegas e voltar. Um espirro, que é a coisa mais banal da vida, passou a ser uma arma mortífera e quase motivo para ser levado por um colete de forças.

Estou há 3 semanas de quarentena. A primeira semana confesso que me sentia “tranquila”, que era temporário. Pensei que ao fim de uns dias já ia voltar de novo à rotina. 3 semanas, malta. 3 semanas. Hoje, já só penso se vou para a rua lamber as maçanetas das portas ou vou para a porta do Santa Maria.

As raízes do meu lindo cabelo de Rapunzel já começam a dar o ar da sua graça e começo a sentir-me uma brasileira a viver na favela e que pinta o cabelo com água oxigenada. Já desisti de o lavar. Está há três semanas atado e há três semanas que estes fios de cabelo não veem um pente. Sim, estou neste ponto da vida.

Aqueles pneus que fui perdendo graças aos jantares com as taças de cereais, já começaram a dar o “Olá, estamos aqui, bebé”. Vou voltar aos cereais.

Eu que ia ao Continente de pijama só para comprar Kinders, agora só para comprar leite quase que me faz sair de fato de astronauta e queimar a roupa à entrada.

Já limpei a casa tantas vezes que quase dá para comer do chão. Os meus vizinhos já não devem poder ouvir o aspirador. Já mudei os moveis de sítio mais que uma vez. Aquela cozinha, meus amigos, digo-vos já que parece uma cozinha do Ikea de tão bonitinha que está. Tenho o armário atolhado de roupa, porque não tenho saído para mostrar os meus modelitos. Cara Corona, o meu armário não foi feito para ter a roupa toda lavada e arrumadinha. Tenho saudades de passar a ferro, meu Deus! Índice de sanidade mental: 10%. Acho que vou começar a passar a ferro os lençóis. Toalhas. Roupa interior.

Eu que adoro uma cervejinha na esplanada com um Pica Pau, agora bebo a minha jola na cozinha, a olhar para a janela. Ou então ponho no computador uma imagem de uma esplanada e deixo a minha mente voar. O álcool ajuda-vos mais depressa a “viajar”.

Estamos confinados aos nossos lares e já consigo andar de noite pela casa sem acender uma única luz. No outro dia, adormeci a ver um filme de terror. Eu, Cátia Damas, amante do terror. Nível de medo aos filmes de terror: 0%.

Uma sessão de exorcismo neste momento da minha vida parece-me uma sessão para adormecer. Sessão de terror da Netflix? Meus queridos, já “papei” tudo. Estou a uma unha negra de passar para a sessão dos filmes românticos. Assim, sim, a minha sanidade mental vai para baixo de 0.

Tenho acompanhado a vida do pessoal no Instagra, que isto de estar de quarentena não me faz perder o meu gosto pela cusquice, e tenho visto a malta toda empenhada nos exercícios em casa. Até ao terceiro dia, confesso que me mantive fiel ao exercício. Agora? O pote da Nutela tem falado mais alto. Temos tido conversas bastante interessantes e profundas. No outro dia, decidi fazer um bolo de chocolate. Saiu tudo menos um bolo. Índice mental: 6%.

Não se preocupem, a minha sanidade mental até ao final deste texto ainda chega aos 0%. Estou a ver a novela e a miúda fugiu de casa… para o celeiro. Agora, sim, cheguei ao fundo. O raio da novela cativa-me.

Brincadeiras à parte, malta, este texto é só para nos rirmos um bocado da “guerra” que estamos a viver. Mantenham-se em casa e tentem respeitar as regras que vos pedem.

Eu também estou longe da minha família, só os vejo por vídeo chamada, mas é um sacrifício que temos de fazer para depois os podermos abraçar com mais força e significado.

Espero que no fim de tudo isto passemos a respeitar mais o próximo, passemos a dar mais valor aos abraços. Que passemos realmente a dar importância aos médicos, enfermeiros, profissionais de saúde, de segurança, que não fiquemos só pelas palmas à janela e depois voltemos a ignorar os pedidos de ajuda por melhores condições de trabalho e ordenado.

Que passemos a olhar para todas essas pessoas que estão nas trincheiras, na linha da frente a dar tudo. Que passemos a dar-lhes valor.

Quanto ao resto, tenham paciência por mais difícil que seja. Retirem algo de bom, tornem-se melhores pessoas. Temos tempo para ir à praia, para ir para a esplanada a virar álcool e conversar com amigos.

De resto, só quero os Santos. Já que o Marquês este ano ninguém lhe vai “pôr a vista” em cima, não me tirem os Santos.

Entretanto, usaram na novela a seguinte frase: “Estou-me a cagar para essa merda”. Malta fui. A novela espera-me.

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