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Sociedade

“Um amor secreto”

Hoje vou escrever sobre um tema diferente.

Confesso que não sou seguidora de séries nem viciada em Neflix ou HBO, apesar de gostar bastante de séries e dos conteúdos que disponibilizam. Já estamos agarrados a tantas coisas, hoje em dia, que tento evitar ao máximo ficar presa a estas plataformas. Não obstante esta introdução, aproveitei a quarentena para explorar a Netflix, vendo algumas séries (que ainda não acabei) e essencialmente documentários. Lá está, um ou três episódios no máximo e fica feito.

É sobre um desses documentários que hoje vou escrever. Um documentário escolhido aleatoriamente entre tantos outros existentes na Netflix: “Um amor secreto”.

Este documentário relata a vida e o romance de Terry Donahue e Pat Henschel que partilharam a vida por mais de seis décadas. Sim sim…é mesmo impressionante, seis décadas de vida em comum numa época em que as relações homossexuais eram amplamente marginalizadas e penalizadas socialmente. As duas mulheres conheceram-se em 1947 e ficaram juntas até à morte de Terry em 2019.

Não vou querer alongar-me a contar o que vi  e aprendi sobre a história das duas, deixo essa curiosidade para quem quiser ver o documentário que vale a pena. O meu foco neste artigo é o amor e a forma como se deve viver o amor, independentemente das circunstâncias em que se vive. Para mim foi essa a mensagem mais importante de todo o documentário, a forma como o amor deve ser vivido, a forma saudável como o amor deve ser estimado e que escasseia tanto nos dias de hoje. No caso delas aplica-se à relação entre ambas e com a família. Certamente que a vida destas duas mulheres, não deve ter sido sempre um mar de rosas, que devem ter discutido e entrado em desacordo inúmeras vezes mas percebe-se que encontraram sempre forma de ultrapassar essas contrariedades pelo amor que as uniu.

Mesmo quando existe uma personalidade mais dominante, como a de Pat, a doçura da Terry conseguiu sempre trazê-la ao meio termo do que pretendiam. Como casal complementam-se, tem de existir equilíbrio, cedências, compreensão, amor e acima de tudo muita amizade. O documentário centra-se na fase final da vida de ambas, o que torna tudo mais emotivo, pelo menos para mim. A chegada da velhice implica reajustar a vida por completo para procurarem ter maior conforto na doença e na assistência médica e familiar. Também lhes trouxe paz e aceitação, uma vez que só nesta fase tornaram público para a família que eram um casal. Como é que se consegue manter um segredo destes por tantos anos? Sem se comprometer a relação e o amor? É absolutamente notável como se mantiveram unidas, mesmo a chegarem ao fim das suas vidas, percebe-se que o amor é o elo principal entre elas.

Foi bonito ver a relação entre estas duas mulheres, a forma como a família lidou com a situação quando soube que eram um casal e não apenas duas amigas que passaram a vida juntas e como quando existe harmonia, tolerância e abertura de espírito a vida é muito mais plena.

Sofia Cortez

Sofia Cortez marketeer por acaso, escritora em desenvolvimento e artista por vocação. Não existe uma linha condutora para a criatividade, só a vontade de criar. Entre os seus trabalhos estão uma Exposição de Croquis de Moda realizada 97 no Espaço Ágora, curso de desenho na Sociedade de Belas Artes em Lisboa, a participação em feiras de artesanato com o projeto: Nomes em Papel para crianças, um livro editado em 2018 “Devemos voltar onde já fomos felizes”, várias participações em coletâneas de autores em poesia e conto, blogger no blog omeuserendipity.blogspot.pt, cronista, observadora, curiosa com o mundo e aprendiz de todos os temas que permitam o desenvolvimento humano.

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