O que faz a Política Humana?

De acordo com Aristóteles, a Política tem como objetivo a felicidade humana, conjugando-se em duas abordagens:

  • Pela Ética, que trata da felicidade individual de cada cidadão;
  • E pela Política propriamente dita, que trata da felicidade coletiva dos cidadãos.

Deste modo, a Politica aborda a gestão da felicidade do conjunto dos cidadãos potenciando uma vida feliz a cada cidadão individualmente.

Então, se a Politica trata a felicidade individual de cada cidadão, cada cidadão é inerentemente um ser humano politico quer seja ativo, participativo, interventivo ou não.

Para gerir a felicidade coletiva e consequentemente a individual, em 1976, foi aprovada em Portugal a Constituição da República Portuguesa, que define que a governação ética e política dos cidadãos (pessoas com nacionalidade portuguesa) se estrutura em quatro órgãos de soberania: o Presidente da República, a Assembleia da República, o Governo e os Tribunais.

O Presidente da República, que é eleito a cada 5 anos diretamente pelos cidadãos. A Assembleia da República é constituída pelos 230 deputados, sendo estes eleitos consoante a percentagem de votos que cada partido atinge em cada um dos 22 círculos eleitorais, para um mandato de 4 anos, e pela ordem em que estão identificados nas respetivas listas partidárias candidatas.

Nas eleições mais recentes, para a Assembleia da República, 19 partidos constituíram listas e propuseram pessoas cidadãs para assumirem funções na Assembleia da República representando-nos. Durante os 15 dias de campanha, fomos assediados com ações de marketing, promessas e propostas de campanha especulativas e sensacionalistas, como se se tratasse de aliciamento para adquirir um qualquer produto novo disponível no mercado. As campanhas eleitorais transformaram-se num desfile de circos, com palhaços, domadores, trapezistas, equilibristas e, claro, cada circo com o seu respetivo apresentador ou chairman que nos cativa a atenção e em quem depositamos e apostamos a felicidade coletiva em jeito de plano poupança.

Depois de conhecidos e mediante os resultados das eleições para a Assembleia da Republica, o Presidente da República nomeia o Primeiro-Ministro, por regra o líder do partido mais votado, e os membros do Governo propostos por este último.

Os Tribunais, são o único órgão de soberania que não é eleito, sendo independentes, autónomos e inamovíveis (não podem ser afastados do seu posto), e as suas decisões sobrepõem-se às de qualquer outra autoridade.

Perante isto, os cidadãos que não estão a ocupar qualquer uma destas posições e que não estejam ligados a qualquer partido político, são o ser político maioritário e mais importante para manter a politica humana.

Manter a política humana implica, no quotidiano, viver em coletividade e promover a própria felicidade e contribuir para a felicidade dos que nos são próximos, fazendo-o sem interferir com a liberdade dos outros.

Manter a política humana é não baixar os braços perante as situações irresolúveis pela sistema político (social, saúde, educação) em que vivemos, unir esforços e demonstrar que onde a política e os órgãos de soberania não conseguem chegar, não falhamos nós como seres políticos que somos.

Só assim a política se manterá humana, independentemente dos números e habilidades de circo que nos inflijam pelos olhos a dentro.

#juntospelarosália

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