Sociedade

Será que vale a pena lutar e sonhar com o nosso destino no mundo em que vivemos?

Vivemos num mundo onde a igualdade de oportunidades não é uma realidade. Todos podem sonhar é verdade, mas nem todos tem as mesmas condições para realizar os seus sonhos. A realidade onde estamos inseridos, a estrutura familiar a que pertencemos e o enquadramento social que temos determinam, grosso modo, as oportunidades que teremos na nossa vida. Porque uns conseguem ter grande sucesso na vida sem fazerem grandes esforços e outros, apesar de lutarem muito e de terem um grande espírito de sacrifício, conseguem muito menos?

A meu ver, está relacionado com o enquadramento social e familiar. Pessoas que pertencem a famílias mais abastadas do ponto de vista financeiro e que conhecem muitas pessoas tem mais oportunidades de sociabilização, de acesso ao ensino e de ascenderem profissionalmente do que pessoas que estão em desvantagem nesse quesito. As relações interpessoais jogam um papel muito importante no recrutamento e na promoção profissional de uma pessoa. Não digo que isso aconteça em áreas mais técnicas como a Medicina ou a Engenharia, onde a competência profissional é determinante, mas acontece muito, por exemplo, na área da política e da função pública. Em várias empresas quem sobe mais depressa, muitas vezes, são aqueles que tem um melhor relacionamento pessoal com os superiores e não os que apresentam maior produtividade. Costuma-se dizer que a vida está para os melhores dos melhores ou então para aqueles que tem muitos “conhecimentos”. E quando me refiro a conhecimentos refiro-me ao conhecimento de pessoas e ao posicionamento dessas pessoas perante a sociedade.

E para quem vive fora dessa redoma de contactos sociais e não tem grandes habilitações profissionais? A meu ver, fica muito difícil sonhar com um destino risonho. Essas pessoas podem viver forçadas a lutarem pelos projetos dos outros, a lutarem arduamente para terem um salário baixo para pagarem as contas e sobreviverem. Lutam pela sobrevivência e pela resistência.

Há aqueles que se recusam a trabalhar para terceiros. Para eles, a liberdade é sagrada e não abdicam dela para serem prisioneiros de uma rotina infeliz, escravizante e potencialmente conflituosa. Vivem uma vida de liberdade e independente de terceiros. Para eles, a liberdade não tem preço, mas pagam o preço de não terem independência financeira e de dependerem de familiares para se sustentarem e sobreviverem. Na realidade, essas pessoas não têm grandes sonhos. O verdadeiro sonho delas é não perderem o pouco que têm e que a vida não piore. Não sonham em alcançar mais, mas temem que o futuro se possa transformar num pesadelo impossível de suportar se não tiverem o apoio dos seus familiares no futuro.

Depois há aqueles que se perdem pelo caminho. Não aguentam decepções amorosas, crises financeiras e desgostos como perda de uma pessoa querida ou próxima. Podem enveredar pelo suicídio ou pelo caminho da criminalidade. Perderam o prazer de viver e a esperança. Deixaram de sonhar e de ter expetativas numa vida melhor. A vida não faz mais sentido para elas. Elas sentem que perderam tudo o que tinham e que tudo acabou.

E, por fim, temos aqueles que independentemente das circunstâncias lutarão sempre. Enquanto não houver Game Over no jogo da vida essas pessoas lutarão como tigres famintos ou como disse Apollo Creed a Rocky Balboa lutarão com o “olho do Tigre”. Não desistirão dos seus projetos e dos seus sonhos. Por cada projeto que morrer ,outro se levantará. Não se deixarão abater pelo insucesso, pela solidão, pelo medo e pela adversidade. Não chorarão um emprego perdido, amores não correspondidos e amizades desfeitas que o Tempo revelou serem falsas. Elas não sabem o seu destino apenas sabem que não desistirão de lutar nunca e que nunca perderão o amor próprio. Sabem que resistir é vencer e que não há felicidade sem resistência. Cada dia será uma oportunidade para um recomeço e perseguirão a felicidade como um Tigre que persegue uma presa.

Em jeito de conclusão, a vida é um labirinto cheio de obstáculos. É fácil perder-se dentro dele e é difícil de sair dele. Uns terão a vida mais dificultada, enquanto outros mais dificultada, mas, independentemente do contexto de cada um, é preciso agir e nunca se deixar adormecer pelas circunstâncias, sejam elas boas ou más. Há que tentar sempre sair do labirinto das adversidades. Se não for possível alcançar aquilo que sonhamos ao menos tentar sair do labirinto e que esse labirinto não se transforme numa vida de pesadelo. Há que tentar todos os dias, um dia de cada vez, independentemente das decepções do passado. Como diz Jürgen Klopp, treinador do Liverpool:

O vencedor é apenas um perdedor que tentou mais vezes e nunca desistiu.

Cris David Silva

Gosto muito de cultura e desporto. Tenho opinião vincada sobre várias matérias e gosto muito de refletir sobre os mais diversos assuntos. Sou apologista de que a vida deve ser vivida um dia de cada vez e com muita esperança e confiança, sabendo de antemão que a vida não é fácil e que é preciso muita força de vontade para conseguir dar a volta às situações difíceis.

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