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Compaixão – um caminho a seguir

Vivemos num mundo caótico, onde a nossa sociedade adquiriu nos dias actuais práticas, onde o conceito de compaixão se encontra deveras ausente no seu significado e conteúdo.

O ódio reinante no nosso planeta entre povos, religiões, géneros e a cultura do individualismo, não dando importância ao sofrimento dos outros, esquecendo o sentido colectivo da humanidade, têm despontado numa onda de violência sem precedentes. Atentados, em escolas, lugares públicos e a tentativa de exterminação de etnias, têm provocado feridas profundas na harmonia da humanidade difíceis de sarar.

Compaixão não é ter pena, apego, empatia ou sentido de proximidade, sentimentos momentâneos e nunca eternos. Ter compaixão é ter preocupação, colocar-se incondicionalmente ao lado do outro, sem esperar nada em troca, sem outro sentimento que não seja o alivio do sofrimento que outros padecem, é ter atitude, estar disponível para oferecer algo nosso para o bem de alguém ou da comunidade, é termos a noção que todos têm o direito á felicidade, sem preconceitos de género, cor de pele, religião ou cultura.

A única verdadeira razão pela qual devemos desenvolver uma correcta visão da realidade é desenvolvendo sabedoria e compaixão. Devemos ensinar às nossas crianças, desde o berço, no seio familiar os valores da compaixão, o respeito pelos humanos e animais, o perdão, a bondade, a humildade, a simplicidade e a fraternidade, exterminando qualquer sentimento negativo e preconceituoso.

Contudo, pergunto a mim mesmo: será que a compaixão poderá ser ensinada na escola?

Claro que sim, além do desenvolvimento intelectual, também no sistema educativo devemos ter em atenção a aprendizagem do genuíno, desenvolvendo o equilíbrio emocional, as qualidades humanas e o bem-estar, ajudando para o desempenho académico ser muito melhor.

 É durante a formação académica que se cresce intelectualmente e humanamente, que são formados os homens e mulheres das novas gerações. Sabemos de antemão que os professores já muito ocupados, no seu mapa anual de disciplinas, não estarão muito receptivos a mais tempo despendido na escola, mas o ensinamento da compaixão só trará benefícios tanto para os alunos como para os professores, quando os mesmos investigam e passam esse conhecimento para a vida dos adolescentes, podem-se relacionar de uma forma mais humana com os seus alunos, sem comprometer a sua experiência e autoridade.

Recebendo um feedback muito receptivo pelos alunos, quem experimenta inserir nas suas aulas o ensinamento da compaixão, criando uma atmosfera muito positiva na atitude e respeito entre aluno e professor, criando condições para o desenvolvimento de ambos. Têm de existir uma política educacional virada para a aprendizagem dos aspectos emotivos da nossa existência, centrada na paz interior de cada individuo e no bem-estar.

Professores, instituições não- governamentais no âmbito da educação e a sociedade em geral têm que trazer este debate para praça pública, é essencial o ensino da compaixão, nos dias que correm.

O benefício da aprendizagem da compaixão traz-nos uma melhor qualidade de vida, tanto psicologicamente como fisicamente, aumenta a auto-estima, o espírito de ajuda e um coração aberto para ouvir e aconselhar quem encontra dificuldades para superar os seus problemas. O altruísmo é uma das maiores qualidades presentes no interior do ser, só tem que ser reavivado e cultivado por todos. A nossa passagem na vida é efémera e estamos nela para sermos felizes, não existe felicidade sem compaixão, com ela podemos alterar o rumo da humanidade juntando povos e religiões numa harmonia até ao momento inexistente, temos que ouvir e pensar com o coração.

A compaixão é o caminho.

O caminho a seguir.

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