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Ser bom aluno

Como disse um dia Montesquieu, “é preciso estudar muito para se saber um pouco.” A tarefa de estudar, juntamente com esta noção de que precisamos de muito estudo e, mesmo assim, aquilo que sabemos será sempre pouco comparativamente ao que poderíamos saber, tornam-se, por vezes, frustrantes.

Estamos num país em que os estudantes não têm a vida facilitada e o futuro não nos sorri, nem mostra que nos irá receber de braços abertos. Se estudar já não é fácil, este fator torna-o ainda mais complicado, porque nos desmotiva e nos dá vontade de desistir. Para que isso não aconteça, é preciso ter muita persistência.

O que determina um bom aluno? O que faz de um mau aluno realmente mau? Estas são questões que circulam de boca em boca desde sempre e, provavelmente, para sempre. Acredito, de acordo com a minha experiência, que um mau aluno é um aluno preguiçoso. Todos nascemos com a capacidade de aprender coisas novas e com a chamada inteligência suficiente para sermos bons alunos – quando a preguiça intervém mais fortemente do que devia, o mau aluno que há em nós faz questão de vir à superfície. Sem a preguiça e a falta de vontade de fazer alguma coisa pelo nosso futuro, todos podemos ser bons alunos.

Um bom aluno é, a meu ver, alguém que estabelece metas e se propõe alcança-las mesmo quando a preguiça tenta falar mais alto, ou quando aquela série de televisão maravilhosa lança uma nova temporada. Ser bom aluno é resistir à tentação dos pequenos prazeres da vida e adiá-los para um momento em que o estudo possa, finalmente, ser colocado em segundo lugar. Com isto não quero dizer que não seja importante haver momentos de lazer – claro que é -, mas esses momentos têm de ter o seu próprio tempo e espaço, sem atropelarem os deveres que ser estudante nos impõe.

As bases para se ser um bom aluno são, sem dúvida, ter um grande objetivo (constituído por objetivos mais pequenos que nos permitem chegar a esse) e adotar um método de estudo adequado às nossas capacidades. Em relação ao primeiro ponto, é importante sabermos qual a razão pela qual estamos a lutar, ou seja, se tivermos objetivos claros e precisos, sentimo-nos mais motivados a continuar a nossa caminhada até lá chegarmos. Sem objetivos, torna-se difícil não perder a motivação e, em linguagem popular, arrumar as botas. No que ao segundo aspeto diz respeito, existem vários métodos de estudo, mas é importante percebermos que o melhor método é aquele que se adequa à nossa personalidade, às nossas capacidades e ao nosso tempo. Há quem estude através de esquemas e quem prefira longos textos, há quem simplesmente perceba a matéria e quem precise, além disso, de a decorar, há quem estude dois dias e saiba tudo e quem precise de duas semanas. Somos todos diferentes, pelo que se torna imperativo adotarmos métodos diferentes e, se o método adotado for adequado a nós, o sucesso é quase garantido.

O sucesso, contudo, não depende só de estabelecer objetivos e adotar um método. Há um grande fator que está na base de tudo isto: a determinação. Estudar não é fácil, principalmente dentro do contexto económico em que vivemos. Estudar é cansativo, desgastante, às vezes até se torna aborrecido. Estudar tira-nos tempo para as coisas que mais gostamos de fazer e faz-nos adiar alguns compromissos e, por vezes, mesmo estudando muito, as más notas aparecem e a frustração é inevitável. Se não formos determinados, será muito fácil desistir face a estas adversidades. Assim, a determinação em alcançar os objetivos a que nos propomos e em continuar de cabeça erguida a lutar por um futuro melhor é aquilo que, a meu ver, faz realmente um bom aluno.

Dalai Lama tem uma frase sobre a determinação que vai ao encontro do que aqui referi. “Determinação, coragem e autoconfiança são fatores decisivos para o sucesso. Não importa quais sejam os obstáculos e as dificuldades. Se estamos possuídos de uma inabalável determinação, conseguiremos superá-los.”

Concluindo, ser mau aluno é fácil – há menos trabalho, menos tarefas, menos preocupações e menos dores de cabeça -, mas ser bom aluno dá muito mais satisfação.

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Joana Veríssimo

Licenciada em Jornalismo e Comunicação e com uma paixão enorme pela escrita.

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