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Mulheres que Mudaram o Mundo (e o tanto que ainda há por fazer)

Nunca como hoje se falou tanto de igualdade de género. O que é um bocadinho triste, na verdade, visto estarmos em 2023 e ser ainda preciso relembrar que homens e mulheres devem ter direitos iguais.

Tenho a sorte de ter nascido num tempo, num país e numa família onde ser mulher não limitou as minhas escolhas. Contudo, sermos donas das nossas escolhas não é o mesmo que termos as mesmas oportunidades. E é aí que bate o ponto.

Em Portugal – e vamos cingirmo-nos a Portugal ou teríamos muito mais para falar -, o número de mulheres nas universidades é superior ao dos homens. De acordo com os dados da Pordata, relativos a 2022, do total de inscritos no ensino superior, 54% eram mulheres. No entanto, apenas 27% dos cargos de liderança são ocupados por mulheres. Mas, mesmo quando elas lá chegam, as diferenças continuam.

Os dados de 2021, ainda da Pordata, indicam que o salário médio mensal, para funções em quadros superiores, era diferente entre géneros, com as mulheres a receberem menos 24,5% do que os homens. Em termos globais, numa média entre todos os cargos e funções, as mulheres recebiam menos 154€ por mês. E não me quer parecer que os dados de 2022 sejam muito diferentes.

Como imaginam os leitores, isto é coisa que revolta. E nem preciso explicar porquê. A pergunta é: como é que isto se resolve? Com educação. Com homens e mulheres a educarem homens e mulheres para a igualdade. Um caminho longo para todos e penoso para muitas. Resolve-se com o exemplo e o não deixar esquecer que o mundo é hoje um lugar mais igualitário, porque houve mulheres que não tiveram medo de fazer ouvir a sua voz. De entre tantas, destaco dez. Podiam ser outras dez. Ou outras e outras ainda. Por diferentes razões e em diferentes momentos, estas mulheres destacaram-se, fizeram a diferença e ficaram para a História. Todas nós, que acreditamos num mundo onde o género é apenas um pormenor, temos um pouco do coração destas mulheres a bater-nos no peito.

COCO CHANEL

Francesa, 1883-1971

Estilista e empresária, Coco Chanel libertou as mulheres do espartilho. Literalmente.

As criações de Coco Chanel logo no início da sua carreira de estilista afirmaram uma nova forma feminina de estar e de vestir. Rompendo com as roupas espartilhadas e incómodas que vinham do final do sec. XIX, as suas criações eram fluidas, com tecidos leves e confortáveis e por vezes inspiradas no corte masculino, revolucionando assim todo o conceito de moda.

NISE DA SILVEIRA

Brasileira, 1905-1999

Médica Psiquiatra, ficou conhecida por revolucionar e humanizar o tratamento de doenças mentais. Nise lutou contra o confinamento de pacientes com doença mental em hospitais psiquiátricos, tratamento com electrochoques e lobotomia, práticas comuns à época. A sua discordância fê-la ser colocada na área da terapia ocupacional, área menosprezada pelos médicos. Ao invés das tradicionais tarefas de limpeza e manutenção que os pacientes exerciam sob o título de terapia ocupacional, ela criou ateliês de pintura e modelagem com a intenção de possibilitar aos doentes reatar os seus vínculos com a realidade através da expressão simbólica e da criatividade, revolucionando a Psiquiatria então praticada no país.

SIMONE DE BEAUVOIR

Francesa, 1908-1986

Escritora, filósofa e feminista, Simone de Beauvoir foi activista no movimento francês de emancipação das mulheres, nos anos 1970, e serviu de modelo e de influência aos movimentos feministas posteriores. Autora de uma vasta obra literária, filosófica e autobiográfica, Simone de Beauvoir publicou, em 1949, O Segundo Sexo, texto basilar do feminismo contemporâneo.

ROSA PARKS

Americana, 1913-2005

Rosa Parks foi uma activista do movimento dos Direitos Civis dos Negros nos Estados Unidos. No dia 1 de dezembro de 1955, entrou para a história por não acatar a ordem do motorista, de ceder a um branco o seu lugar no autocarro, em Montgomery, no Alabama.

GERTRUDE B. ELLION

Americana, 1918-1999

Prémio Nobel da Medicina, em 1988, pela descoberta de importantes princípios para tratamento com medicação, nomeadamente medicamentos inibidores de infecções virais, como o herpes. Gertrude Ellion descobriu também importantes princípios de quimioterapia, permitindo que hoje seja possível tratar diferentes tipos de cancro.

SOFIA IONESCU-OGREZEANU

Romena, 1920-2008

Sofia Ionescu foi a primeira mulher neurocirurgiã do mundo, abrindo caminho para que muitas outras mulheres sentissem ser possível seguirem áreas da medicina que até então lhes eram vedadas.

MARGARET THATCHER

Britânica, 1925-2013

Figura controversa da política internacional, foi indiscutivelmente uma mulher que deixou uma marca no mundo. Exerceu o cargo de primeira-ministra do Reino Unido de 1979 a 1990 e líder da Oposição entre 1975 e 1979. Foi a primeira-ministra com o maior período no cargo durante o século XX e a primeira mulher a ocupá-lo. Ficou conhecida como a Dama de Ferro, devido à sua personalidade e rigidez nas medidas adoptadas para governar o país.

KATHRINE SWITZER

Alemã, nasceu em 1947.

Kathrine fez carreira como maratonista. O mundo conheceu-a quando, em 1967, decidiu participar na maratona de Boston, numa altura em que apenas aos homens era permitida a participação. O coordenador do evento tentou impedi-la de correr, mas não teve sucesso, e Katherine completou a prova. No entanto, foi preciso esperar até 1972 para que fosse criada uma prova para mulheres.

OPRAH WINFREY

Americana, nasceu em 1954

Mulher dos sete ofícios e uma das mais influentes do mundo. Apresentadora, jornalista, atriz, psicóloga, empresária, repórter, produtora, editora e escritora. Com uma infância tudo menos feliz, Oprah conseguiu superar as inúmeras adversidades por que passou e tornou-se uma apresentadora de sucesso, uma negra, num meio dominado por brancos. O seu programa The Oprah Winfrey Show esteve no ar durante 26 anos.

MADONNA

Americana, nasceu em 1958

Madonna dispensa apresentações. Goste-se ou não da artista, é indiscutível que ela revolucionou não apenas o mundo da música, como também a forma como as mulheres se vêem e são vistas. Ditou a moda nos anos 80, e o conteúdo da sua música, bem como a forma como se apresentava (e ainda apresenta) permitiu às mulheres aceder a uma liberdade sexual e de expressão que até aí não conheciam.

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Comments 1
  1. Olá, Joana!
    Um artigo interessante e relevante para os dias de hoje (infelizmente).
    Lamento apenas que, e se como referes no texto “em Portugal – e vamos cingirmo-nos a Portugal”, que não faças referência a mulheres que mudaram o mundo no nosso país. Tais como: Carolina Beatriz Ângelo, Amália Rodrigues, Catarina Furtado, Natália Correia, Maria Eugénia Cunhal ou Maria Eugénia Varela Gomes, entre tantas outras.
    Mas, talvez, até tenhamos mais a bater no peito as acções de mulheres estrangeiras do que das portuguesas.

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