Se tu soubesses

Beijámo-nos uma vez e foi quanto bastou para eu querer repetir.

Ontem, daqui a cinco minutos, amanhã, por meia hora, para a vida toda, onde for, quando for.

Língua a tocar na língua, as minhas mãos a decorarem o caminho da tua cara, os teus dedos a entrelaçarem-se nos meus caracóis para depois me abraçares com força contra ti enquanto me chamas carinhosamente de menina. Era o néctar da felicidade.

Os nossos corpos prometeram mais um ao outro. O meu vibrou e o teu jorrou néctar no meu peito.

Se tu soubesses que, quando a lua sorri no céu, a ponta dos meus dedos te procura em cada centímetro de pele que tenho, já terias largado tudo e vindo saciar-me.

Se tu soubesses que o meu corpo pulsa tanto quanto o coração, cada vez que se lembra de ti, estarias a calar-me a voz com mais beijos.

Estarias a sussurrar as tuas ordinarices ao meu ouvido, enquanto as tuas mãos segurariam o peito onde tanto te perdeste. És tão ordinário e eu deixo-me gostar-te.

Estaríamos a arfar e a deixar que os corpos fossem um contra o outro repetidas vezes até ao orgasmo, olhos nos olhos, pele com pele.

Se tu soubesses o quanto te procuro e quero, tinhas-me dado a fórmula para te guardar perto. Não terias deixado que a minha boca procure os teus lábios para os morder. Não me terias desnudado à luz da Lua na noite de quarto crescente. Não me terias abraçado com a tua força ou encostado à parede…

Se eu soubesse que te ia querer assim, tinha-te deixado entrar cedo. Pela manhã, só para ter a certeza de que até à noite havíamos de percorrer o corpo um do outro entre gemidos, ordinarices e beijos logo com sabor a saudade.

Se eu soubesse que as minhas mãos te iam procurar, tinha guardado o beijo demorado que demos. Tinha-lo guardado na caixa do desejo para o aquecer entre as pernas, quando o frio me chegasse e te afastasse.

Se tu e eu soubéssemos…

Saberíamos que uma vez não chega para matar o desejo. Uma noite só pode ser usada para o acender.

Share this article
Shareable URL
Prev Post

O charme da Margem Sul

Next Post

Blockbusters: vieram para ficar?

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.

Read next

Natal sem desculpas

Existe melhor altura do ano em que possamos conviver com quem mais gostamos e trocar brindes e carinhos com…