Natal sem desculpas

Existe melhor altura do ano em que possamos conviver com quem mais gostamos e trocar brindes e carinhos com elas? Pois é, finalmente chegou o Natal, a altura favorita das crianças e até de alguns adultos, dos que sabem como viver a celebração. Este ano, como manda a tradição, foi possível ver a televisão a abarrotar de publicidades que exprimem a importância de ajudar as instituições de caridade. Quem pode, ajuda. Então, e quem não pode? É má pessoa? Não sabe o que é celebrar o Natal? Já tenho os ouvidos a entupir de lamurias provenientes de pessoas que muito criticam a situação económica de 2012 e o que virá em 2013. “Este ano não há Natal, porque não tenho subsídio”, diz um trabalhador. “Este ano não há Natal na minha casa, porque estou sem dinheiro”, diz o recém-desempregado.

Segundo as muitas aulas de catequese, a tradição manda que seja montada uma árvore e posteriormente enfeitada. A casa é decorada com pormenores natalícios de cor vermelha, verde, dourada e, entretanto, até azul. Por fim – mas não menos importante – um presépio deve estar também situado nas casas de quem celebra o Natal. As restantes tradições acabam por ser simbolismos que tornam o Natal mais vivido e alegre. O Pai Natal, por exemplo, embora seja uma adorável personagem que faz parte da imaginação de pelo menos 90% da população adulta, é ainda uma pequena forma de associar a época natalícia ao mercado de consumo. Se formos a ver, esta nova tradição resultou na perfeição em diversos pontos, mas não convém endividar-se. Por isso, em que parte é que não se pode celebrar o Natal, mesmo que seja com pouco?

Numa análise aprofundada, é possível constatar que o Natal que se vive nos tempos modernos não se assemelha ao que Jesus Cristo viveu quando nasceu. O seu nascimento decorreu numa remota e simples estalagem judaica em Belém, feita de madeira e com o mínimo de materiais indispensáveis. Não tinha rendas, nem fios de ouro, mas sim uma vaca, os três reis magos e a Virgem Maria e São José. Foi o melhor que se conseguiu arranjar para o nascimento do salvador. Tendo em conta que o nascimento “Jesus Cristo, o salvador” é o que faz o Natal e que este acontecimento não apresentou grandes dispêndios, porque será que existe a tendência de se ver o Natal associado, sobretudo, aos bens materiais?

Deste modo, que fique esclarecido de uma vez por todas: o Natal é para ser vivido por todos os que acreditam nele. Se o ano passado a sua casa apresentava cores e decorações natalícias, este ano talvez as possa voltar a usar (a menos que não tenha mandado tudo para o contentor mais próximo). A alegria de receber e oferecer um presente também é facilmente conseguida – basta perceber o conceito da palavra “económico”. As empresas têm manifestado alguma solidariedade com o momento de dificuldade financeira (pronto eu ajudo, o caso da Wells no Continente) e algumas Câmaras Municipais têm entregue cabazes às famílias mais carenciadas. Tentemos ainda valorizar todos aqueles sentimentos que fazem do Natal a época festiva mais esperada. Que os sentimentos como o rancor, a desilusão e a mágoa sejam substituídos por outros como a compaixão, a alegria e a esperança – e tente aproveitá-los até ao próximo Natal. As desgraças surgem sem esperarmos mas as alegrias, indubitavelmente dependem de nós.

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