Afinal Deus existe mesmo e toma pelo nome de bichano, felino, miau, tareco ou pompom. Desde a minha mais tenra infância que me lembro subjugada voluntariamente a estas divindades de 4 patas. Como sabem, são três os atributos de Deus: onipotente, onisciente e onipresente. Então, vamos lá mostrar as evidências.
- Ele tem todo o poder. Lembrem-se de quando chegou a vossa casa uma bolinha peluda numa alcofa, aparentemente inocente, e que num piscar de olhos se tornou dono e senhor do melhor lugar do sofá e do lado mais quentinho da cama.
- Ele tem todo o conhecimento. Quando estás com aquelas dúvidas existenciais e o teu olhar esbarra com o do teu gato e ficas hipnotizado. És então despido até ao mais ínfimo átomo do teu corpo, e compreendes que domina mesmo tudo.
- Ele está em todo o lado. Depois de um dia extenuante de trabalho vais deitar-te, puxas as cobertas e eis que a entidade suprema se encontra em pleno sono REM no teu leito. Resolves ir beber um copinho de leite quente à cozinha, quando te deparas com a bicheza a deliciar-se com o que sobra do teu pacote. Exasperado, vais ao WC lavar novamente o rosto, e qual filme Hitchcock surge uma cabeça peluda da banheira como que a dizer-te: Eu sei que tu sabes que eu sei.
Há algo de extremamente belo e enigmático nestas criaturas celestiais às quais fazemos juras de amor eterno.
E os egípcios já dominavam a temática. Atribuíam a Bastet, a deusa representada como uma mulher com cabeça de felino, os dons do amor maternal e do poder do Sol.
E que boa é esta prisão emocional sem algemas. Somos todos seres sencientes nesta nossa casa comum.
Uma festinha por dia não sabe o bem que lhe faria. Que devoção tão prazerosa.