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Bem-EstarLifestyle

O sonho comanda a vida!

Eles não sabem nem sonham
Que o sonho comanda a vida
E que sempre que o homem sonha
O mundo pula e avança
Como bola colorida
Entre as mãos duma criança

Manuel Freire

Quando for grande quero ser bombeiro! Não, quero ser médico, quero ser cantor, palhaço e trapezista. Quero saltar de paraquedas, ter um foguetão e ir à lua antes da hora de jantar. Quando for grande quero ter uma mansão, quero viajar pelo mundo. Quando for grande, vou a Marte, passo por Saturno e aterro em Mercúrio. Vou ser bailarina na maior companhia do mundo, vou dançar para uma multidão! Quando crescer vou ser “A” maior cientista, vou descobrir a cura para todas as doenças, e ao mesmo tempo vou ser veterinária e ajudar todos os cavalinhos do mundo.

Quando somos crianças, a capacidade de sonhar é infinita: de manhã sonhamos com um futuro científico, à tarde com romances de contos de fada. Na mente de uma criança há espaço para tudo, não há amarras ou barreiras que nos prendam, não há âncoras que nos segurem ao chão. Voamos alto, sem rede de protecção e sem receio de cair. Contudo, quando começamos a crescer, o espaço para o sonho começa a diminuir,  a vida ajuda-nos a definir sonhos concretos, atira-nos uma âncora e obriga-nos a assentar, a criar amarras com o que nos rodeia. 

Se, profissionalmente, alguns alcançam o sonho de ser aquilo que idealizaram em crianças, outros há que se “contentaram” com aquilo que as circunstâncias lhe trouxeram. E a nível pessoal a coisa ainda se torna mais complexa: aquela viagem sonhada há muito vem sendo adiada, sonhada mil vezes e posta em prática apenas quando os olhos se fecham e a mente viaja sozinha.

E o que fazemos? 

A maioria de nós, tendo determinado objectivo, mais ou menos tangível, programa a vida com a finalidade de o alcançar, o problema é quando, de tanto trabalhar no meio, nos esquecemos do fim. Por exemplo, a tal viagem, a viagem dos nossos sonhos, a tal que programamos na nossa cabeça, não a fazemos na adolescência porque precisamos da independência financeira para tal, não a fazemos enquanto jovens adultos porque nos falta terminar os estudos, depois estamos a trabalhar e finalmente juntamos os trocos para tal, mas entretanto conhecemos  “o/a” tal e parte-se o mealheiro para a boda. Recomeçamos do zero e a família cresce, vem novas roupas, livros da escola. Vamos depois, quando eles forem maiores e,a pouco e pouco, o sonho parece cada vez mais isso mesmo: um sonho!

Afinal o que nos separa da menina que queria ir à lua? O que nos aconteceu que nos tirou a capacidade de sonhar? Serão os sonhos de um adulto menos importantes que aqueles que tínhamos em criança? Terá sido o tempo que os roubou, terá sido a vida? E uma vida sem sonhos, é possível? 

“São tempos difíceis para os sonhadores” diria Amélie, e, efectivamente, na idade adulta, temos tendência a boicotar os nossos sonhos, a fechá-los numa gaveta e perder a chave. Arrumamos cada um deles num compartimento pequenino no nosso coração e na nossa mente e eles por lá se mantêm, quietos e adormecidos, insistindo em nos visitar quando dormimos, onde podem ser isso mesmo: sonhos. E cá vamos vivendo, um dia de cada vez, cumprindo a mesma rotina, dia após dia, vivendo para o amanhã, para as coisas práticas, mas e os sonhos?

Não há sonhos maiores ou menores, nem mais ou menos importantes, os sonhos são subjectivos e pessoais e, aquilo que sonho para mim, não será. certamente , o que sonhas para ti. Assim, por pequeninos que possam parecer, por insignificantes que possam soar ao outro, quando ditos em voz alta, os nossos sonhos são aquilo que transforma a nossa vida, robotizada, pré-programada e rotineira, em Vida, no verdadeiro sentido da palavra. Sonhar permite-nos crescer, ter objectivos, sonhar transforma o nosso percurso num caminho, na nossa estrada de tijolos amarelos, e, mesmo que pareça que são quilómetros intermináveis o objectivo está lá, só temos de lá chegar.

A viagem que estava metida na gaveta, o diploma que ficou a espera, o salto de paraquedas, conduzir um fórmula um, voar num balão de ar quente, escalar o Everest, dormir no deserto de Atacama, voar! 

Não coloques limite nos teus sonhos, coloca esperança, coloca fé se assim o quiseres, coloca dedicação, coloca reticências, mas nunca pontos finais…

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Andreia Mendes

Natural de Caldas da Rainha, 36 anos. Licenciada em Educação Social. Mulher, Mãe de dois. Com paixão pelas pessoas, pelas palavras, pelas acções, pelo teatro, pela música e claro pela escrita! Incapaz de compreender algumas injustiças por esse mundo fora, por esse tempo adentro.

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