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Sociedade

O que significa ser Mulher?

Um documentário de Yann Arthus-Bertrand e Anastasia Mikova

Independentemente de raça, cor, etnia, de crespo e liso, a mulher merece respeito * Como mulher, posso fazer alguma coisa para mudar o mundo * Ter um filho deficiente é a prova, para mim, do amor infinito de uma mãe. Esta criança não olha para mim. Não me abraça. Mas eu amo-a * Um homem que atira ácido à sua mulher? Que país pode ser tão bárbaro! * Já não fico calada por vergonha * Sou uma guerreira * Sou audaciosa * Feminista * Batalhadora * Destemida * Exigente * Dinâmica * Alegre * Heróica * Livre * Amo a vida * Posso ser subversiva. Acho que Deus deve ter sido mulher * Adoro ser mulher * Adoro a ternura, a sensibilidade, a essência do que realmente significa ser mulher.

Mulheres de várias idades, etnias e condições sociais mostram-se ao mundo, sem medos, dando a cara à grande questão em título, desdobrada nas seguintes perguntas: que fases da sua vida foram mais marcantes, da infância à idade actual? Quais são os seus sonhos e esperanças, medos e traumas? O que esperam da vida, da sociedade e dos homens? Que relação têm com o seu corpo e sexualidade? Que papel ocupa a aparência e a beleza na sua vida? O que pensam da educação, casamento, independência financeira e maternidade? Eis o documentário Woman – Mulher, uma viagem imersiva à realidade de cada uma das 2000 mulheres entrevistadas em 50 países, do ocidente ao oriente. A uma realidade que é de dimensão universal. Um filme que resulta de um trabalho de dois anos e meio, realizado pelo fotógrafo, jornalista, repórter e ambientalista francês Yann Arthus-Bertrand e pela jornalista ucraniana Anastasia Mikova.

Numa época em que tanto se discute o papel da mulher e, a meu ver, sem qualquer tipo de discriminação positiva, Woman dá-nos uma visão aprofundada e esclarecedora acerca da condição da mulher um pouco por todo o mundo, em discurso directo e sem rodeios, pela voz destas mulheres. Uma produção reveladora de múltiplas realidades, que mostra o paradoxo de um mundo que apenas é uno no sentido em que pertencemos a um só planeta, porque de contrário é um mundo cheio de “pequenos” mundos.

Desde chefes de estado a donas de casa, de ícones de beleza a motoristas, de agricultoras a prostitutas, em Woman cada mulher mostra-se na sua essência, imprimindo a sua matiz em cada assunto, onde uma lágrima, um sorriso, um silêncio ou um olhar tanto dizem. Uma visão íntima da mulher acerca da mulher e do seu lugar no mundo. Por vezes triste, principalmente quando muitas mulheres apenas suportam a vida. Um documentário que serve de reflexão sobre a desdita de se nascer mulher em países com uma dita “cultura” dominada por predadores. Uma “cultura” em que a excisão feminina é mais do que natural, o casamento forçado e a privação da educação são inquestionáveis, a violência doméstica é natural, o direito de uma mulher votar, sair sozinha ou até mesmo escolher a roupa que veste é inexistente… Enfim, uma reflexão sobre uma sociedade que insiste ser cega e muda, meramente espectadora e cínica. A considerada sociedade moderna. A nossa sociedade.

Genuinamente belas, não obstante as barbaridades de que muitas são vítimas, estas mulheres dão-nos uma lição de vida e um sinal de esperança. Transformam a sua realidade em força, condição própria da mulher-selvagem que cada uma é, deixando bem claro que adoram ser mulheres. Consideram-se bonitas. Têm um sentido de humor incrível. Uma força interior indestrutível. Uma desenvoltura e resiliência fantásticas. Uma imensa capacidade de trabalho. Uma luz indelével. Um Amor que nunca mais acaba… A Mulher, naquilo que verdadeiramente é.

Depois do sucesso do documentário Human – o que nos torna humanos [+], Yann Arthus-Bertrand juntou-se agora a Anastasia Mikova neste trabalho intenso, que nos dá que [re]pensar e que mais uma vez nos põe em sentido e faz questionar sobre o sentido de tudo. Contudo, mais do que pensar, e tal como estas mulheres corajosas e os realizadores desta produção, se cada um de nós fizer algo em prol de uma sociedade alinhada em igualdade e justiça, uma pequena coisa que seja, talvez possa representar uma pedra na desconstrução de dogmas e na construção de um mundo melhor. Mais livre e feliz.

Woman-Mulher – Ver trailer [+]

Manuela Gonçalves Pereira

Madeirense, casada e mãe de dois filhos, os seus amores-para-sempre. Residente em Coimbra e licenciada em Comunicação Social, inspira-se nas pessoas e em tudo o que a vida oferece. Enveredou pela comunicação das organizações, área em que actualmente exerce a sua actividade profissional. Ler {livros e o mundo} e escrever aqui e ali são alguns dos seus passatempos favoritos. Encara o sentido de humor como uma forma de desconstruir preconceitos. Lema de vida: em tudo há sempre uma oportunidade...

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