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A sensatez da maturidade

Lembro-me, com muita precisão, de por volta dos meus 6 ou 7 anos ficar paralisada a olhar para um anúncio de televisão, que nem faço a mais pequena ideia sobre o que anunciaria.

O que me chamou a atenção foi a imagem de uma mulher muito bonita, que caminhava de forma elegante e, provavelmente, em câmara lenta (os anos 80 eram assim).

A minha mãe, ao aperceber-se da minha reacção, perguntou-me porque é que estava tão atenta. Ao que respondi, que quando crescesse, queria ser como ela. “Bonita?”, perguntou-me. “Não”, respondi. “Sensata!”

Não faço a mais pálida ideia porque é que raio associei a sensatez à imagem daquela modelo (nem onde fui buscar a palavra sensata no meu vocabulário infantil), mas já desde essa época que associo a sensatez, a ponderação, o enraizamento, o foco, a uma certa forma de se estar na vida, a que alguns apelidam de maturidade e que demando por ela até hoje.

A maturidade é muitas vezes associada às experiências da vida, erroneamente agregada à ideia de que quanto maiores e mais pesadas lições ultrapassarmos, mais maduros seremos. E se a isto juntarmos anos de vida, tanto melhor.

Pura ilusão! Se não deixarmos ou tentarmos aprender com as lições que a vida nos trouxer, bem pode nos ser apresentado de bandeja o mais puro e intricado obstáculo que não aprenderemos nada com ele. Continuaremos, incólumes e, se preciso for, a massacrar-nos com os porquês de tantas coisas nos acontecerem, quando na verdade nos deveríamos estar a perguntar: para quê?

Poderão passar-se anos com maiores ou menores lições, grandes ou pequenos aprendizados e qual pessoa torta, jamais nos endireitarmos.

Nem de nada nos adianta o sopro de cem velas no aniversário, se teimarmos em fincar pé nas velhas atitudes, sem nos atrevermos a pensar, de uma vez por todas, fora da caixinha. É exercício diário. Demanda arriscada. Que requer, muitas vezes, apoio e entrega.

O que é que, de facto, significa ser maduro? Ter atingido uma certa idade implica superioridade? Nem por isso, mas respeito. Muito! Não é fácil caminhar pela vida até certo ponto (tomara que a minha busca pelo Santo Graal da sensatez perdure e, com saudinha, de preferência).

Viver uns quantos e belíssimos anos é honra, é merecimento de quem se arrisca e pisa o chão por onde caminha e a quem a vida foi generosa através de longevidade e há que agradecer por isso. Contudo, mesmo assim, com muitos anos, é lembrar que mesmo com o estatuto merecido de quem ensina há sempre espaço para aprender. Da mesma forma que honrar quem já muito caminhou para além de nós, é meio caminho andado para se aprofundar em conhecimentos.

Na verdade, maturidade é desafio. Mas é pessoal. Porque se questionarmos pessoas diferentes o que é que para elas significa ser-se uma pessoa madura, as respostas nunca serão iguais. Estão sempre relacionadas com as suas próprias batalhas.

Mesmo quando essa batalha surge, em câmara lenta, na figura de uma modelo dos anos 80.

Carla Moreira

Fiz teatro e fui jogral de poesia há algumas luas. Ainda piso as tábuas, volta e meia, porque faz parte de mim, nem me vejo de outra maneira. Gosto muito de vários assuntos. De pessoas. De assuntos que envolvam pessoas. A paixão por livros e letras é tão grande que tenho de aprendê-las através das palavras.

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