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Afinal, o que é uma enxaqueca?

Entrar nos 30 apaziguou-me a pressa de viver, trouxe-me a capacidade de contemplar e estar, mas trouxe-me também crises de enxaquecas muito mais frequentes e intensas que nos anos anteriores.

A enxaqueca é uma cefaleia primária, vulgo, dor de cabeça pulsante que não é sintoma de outra doença. “É provocada por uma combinação de processos a nível cerebral: excitação/depressão de células, dilatação de artérias e libertação de substâncias químicas. As pessoas com enxaqueca são mais sensíveis a certos estímulos: ambientais ou do seu próprio organismo, que podem desencadear esses processos cerebrais. Pensa-se que há também alguma suscetibilidade genética.”

Caracteriza-se por episódios de dor pulsantes e intensos, recorrentes ao longo da vida, mas com intervalos isentos de episódios e incide mais na faixa dos 15 a 40 anos. Antes da adolescência, a enxaqueca atinge igualmente rapazes e raparigas. A partir daí, em 4 pessoas que sofram desta condição só uma é do genero masculino.

Dados apontam para que 8% a 15% dos indivíduos do Ocidente Europeu sofram deste problema e, tendo em consideração que esta faixa etária, corresponde à fase produtiva, esta situação que tem um impacto direto na economia e nas relações sociais e familiares.

No meu caso, os indicadores de despoletamento e ativação costumam ser: uma moinha num dos lados da cabeça, tensão na zona da nuca, aumento da temperatura corporal, náuseas, áurea e alguma dificuldade em ingerir comida ou manter-me em pé. O que não sendo incapacitante, é bastante debilitante e condiciona o meu desempenho nas tarefas profissionais, sociais e pessoais que tenho para realizar.

Há uns anos, aproveitei uma consulta de neurologia para questionar o médico XPTO sobre a viabilidade de experimentar um tratamento farmacológico para diminuir a frequência e intensidade das enxaquecas, já que conheço várias outras pessoas que o fazem. Respondeu-me com uma pergunta, se eu conseguia identificar as situações que me potenciam enxaquecas, isoladas ou combinadas. E eu consegui listar estes de imediato:

  • beber pouca água,
  • comer carne de porco ou derivados,
  • estar muitas horas sem comer ou beber,
  • comer muito chocolate,
  • obstipação intestinal,
  • sítios com muito barulho ou com muitas misturas de sons,
  • mistura de cheiros fortes (desde perfumes a detergentes),
  • exercícios ou movimentos físicos que tencionam os tendões do pescoço,
  • beber vinho com sulfitos,
  • fazer mistura de bebidas alcoólicas,
  • TPM,
  • estar muito tempo em locais escuros e com pouca ventilação,
  • mexer em coisas com pó,
  • não tomar café nos períodos em que estou habituada,
  • locais com climatização central, como escritórios e shoppings,
  • dormir pouco,
  • estar horas fechada em reuniões infrutíferas,
  • irritar-me e ter picos de stress;
  • and so on…

Quando me calei, disse-me que conhecendo o meu quadro clínico e visto que tenho hipersensibilidade a diversos estímulos exteriores não teria grandes resultados com os tratamentos disponíveis. Indicou-me tomar antiflamatórios logo que notasse os primeiros sintomas de enxaqueca e para evitar e contornar os possíveis estímulos o mais possível. Preveniu-me para evitar aumentar a dose de comprimidos (o que pode levar a cenários de cefaleias crónicas diárias) e que o segredo de controlo destes episódios estaria em antecipar a toma.

Nem sempre consigo contornar e evitar as situações despoletadores e nessas alturas nem sempre tomo os comprimidos a tempo, até porque evito ao máximo tomar comprimidos (estou a evitá-lo hoje no pós-operatório de uma extração de um dente ontem, ai!!).

Mesmo quando tomo comprimidos, normalmente o episódio só se resolve com o escuro, o silêncio e uma cama, em que o meu corpo se permite fazer reset (é mesmo esta a sensação), na esperança de que umas horas sejam o suficiente para o meu computador restaurar ou preparar-me para mais 2 dias em estado zombie.

A parte positiva? É que já falta pouco para os 40.

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