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O Nome da Rosa

Em 1980, o professor tornado escritor, Umberto Eco escreveu o romance que abriu portas a um novo registo literário: o romance policial histórico. Um argumento intenso, uma personagem principal com laivos de Sherlock Holmes e uma época histórica sombria, fazem com que o Nome da Rosa seja um dos melhores romances de sempre e de leitura obrigatória mesmo passados 40 anos.

Diz-se que os livros são sempre melhores que os filmes. Apesar de ser quase impossível ver todos os filmes que nasceram de livros, o Nome da Rosa provavelmente é a excepção que confirma a regra. O livro de Umberto Eco foi transformado em filme em 1986 pelo realizador francês Jean-Jacques Annaud e, por muito gráfica que seja a nossa imaginação, nada nos prepara para este filme visualmente feio e de intrigas religiosas desafiantes do intelecto.

A acção tem lugar numa abadia no Norte de Itália no ano de 1327 e é narrada por uma das personagens principais, Adso de Melk. O cenário medieval é frio, desconfortável e sujo, conseguimos sentir um desconforto quase físico ao longo do filme. A história desenrola-se à volta de uma série de mortes misteriosas com um toque diabólico. O monge franciscano William de Baskerville, interpretado por Sean Connery, e o seu aprendiz e narrador da história, Adso de Melk, interpretado por Christian Slater, chegam à abadia com o intuito de investigar um aparente suicídio de um dos membros da ordem religiosa beneditina.

Com uma abertura intelectual fora do comum para a época e uma postura sempre interrogativa, Baskerville vai pondo em causa a suposta intervenção diabólica à medida que mais mortes vão ocorrendo na abadia. Um livro em grego, com toques humorísticos e, por isso, hereges, que se encontra perdido numa biblioteca secreta é o elemento comum a todos os mortos. Com uma teia de personagens fechada em si própria que rejeita qualquer explicação que não envolva o Anticristo, Baskerville e o seu aprendiz desafiam a própria Inquisição na busca da verdade que se encontra escondida nas páginas de um livro proibido.

O final do filme surge de forma grandiosa com um gigantesco incêndio que não só destrói a biblioteca secreta como também qualquer dúvida que o verdadeiro culpado dos crimes é a tacanhez intelectual que reside na proibição da leitura de um livro. William de Baskerville dá a sua missão por encerrada e deixa abadia juntamente com Adso de Melk que deixa também para trás uma intensa e silenciosa história de amor.

O Nome da Rosa é um policial medieval cru, soberbamente realizado, que não nos deixa uma sensação de algo incompleto quando comparado com o livro. Se o livro é bom, neste caso, o filme não lhe fica nada atrás.

Rita Ramos

Escrevermos sobre nós próprios, no sentido de nos darmos a conhecer a quem nos lê, acaba sempre por ser ingrato. Somos um nome? Uma idade? Uma formação académica? Eu quero acreditar que somos tudo o que vivemos, que somos tudo o que nos rodeia e que absorvemos, que somos quem amamos, que somos os livros que lemos e as viagens que fazemos. Somos um conjunto de tudo e de nada. Quanto a mim, sou a Rita, tenho 37 anos, sou licenciada em Relações Internacionais, sou casada, sou filha e mãe, e as palavras têm sido a minha maior companhia ao longo da vida.

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