O insensato

Costuma-se dizer que o mal que fazemos é a nós próprios. E sim, é verdade, somos as principais vítimas dos nossos próprios erros. A questão é que, muitas das vezes, são os outros que são os danos colaterais dos nossos disparates.

Curiosamente, somos os ditos seres racionais, que, no entanto, somos movidos por emoções e impulsos que muitas das vezes nos levam à insensatez. Podemos dar como exemplo a impulsividade. Por que razão temos dificuldade em controlá-la? Se é um processo biológico e neurológico, por outro lado, não somos também racionais? Porque perdemos tantas vezes o controlo? Não irei procurar dar resposta a estas questões, mas apenas ver como no dia-a-dia deparamos com ela. Aquele doce que comemos a mais é sem dúvida reflexo da nossa impulsividade. E sem dúvida que estamos a fazer mal a nós próprios, mas e se o ato impulsivo for o de passar um semáforo vermelho? E se em resultado suceder um acidente?

Talvez não estejamos tão certos quando dizemos que o principal mal que fazemos é a nós próprios. E essas atitudes insensatas podem levar-nos a um desastre sem precedente. Podemos, sem ser efetivamente maus, cometer um ato que pode causar maior dano que a maldade pura. E assim, acabarmos por ser piores de quem é mau.

A pessoa má pode escolher parar as suas ações. Não que isso seja muito visto. Mas talvez, para não dar muito nas vistas, acabe por se colocar um limite. Por outro lado, a pessoa má que age sozinha pode ser evitada pelos seus pares. O problema é que muitas vezes o insensato alimenta-se daquilo que o mau planta. Espalha a desinformação, apoia injustiças, repete o discurso fácil. Poderíamos dar exemplos conhecidos, não era? E se é mais fácil condenar o mau, resistindo com os nossos preceitos morais e ideológicos, o mesmo já se torna mais difícil para o insensato, que acaba por ser que propagandeia e expande aquilo que o mau deseja.

Claro que esta conversa é ensaística, e estamos com um discurso maniqueísta, porque nada é assim tão simples, ou como dizemos, preto no branco. Mas a verdade é que a insensatez acaba por dar poder na nossa sociedade a quem procura o poder por meios ilícitos, fazendo uso da mentira e da manipulação, que o insensato repercute. E os danos colaterais aqui, podemos ser todos nós.

Nota: Artigo escrito segundo o Novo Acordo Ortográfico

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