O Facebook no Jornalismo

Nenhuma rede social teve, até hoje, um alcance tão grande como aquela que Mark Zuckerberg fundou. O Facebook tem vindo a manifestar-se na vida social e, por vezes, pessoal das pessoas. E a sua influência não é nula também nos jornais e nos meios de comunicação social. Esta influência tem vindo a ser estudada em várias teorias de vários autores contemporâneos, dada a sua inevitável relevância no âmbito das ciências da comunicação.

Numa primeira instância, pode falar-se das vantagens do Facebook, quer para os jornais e outros meios de comunicação social, quer para os seus consumidores. Estas vantagens têm que ver, essencialmente, com a rápida e acessível partilha de informações. Os meios de comunicação partilham, através das suas páginas, notícias às quais as pessoas podem aceder. Nas notícias de última hora, por exemplo, o Facebook é das principais fontes de que as pessoas se servem para estarem informadas. Isto, porque há na sociedade uma necessidade de vigilância – as pessoas, embora raramente pretendam agir, gostam de estar informadas. Isto também é muito usual na política, em épocas de eleições. Esta plataforma permite aos jornais satisfazerem algumas necessidades e vontades dos seus leitores, de forma gratuita e rápida. O que pode levar também a que alguns deles fiquem de tal modo conquistados que acabem por reforçar os seus hábitos de leitura e, consequentemente, comprar alguns jornais. Este é o lado cor de rosa do Facebook para com os jornais e meios de comunicação social. Como em tudo na vida, não podia aqui falhar o reverso da medalha.

Ser jornalista ou comunicador, nos dias de hoje, passa quase obrigatoriamente por se estar ligado às redes sociais e por se ter uma conta de Facebook, ou uma página profissional. O Facebook tornou-se – quer se queira, quer não – num meio de comunicação social. Porém, este não será, certamente, o mais fidedigno dos meios de comunicação. Em primeiro lugar, tal como o Correio da Manhã – comparação propositada -, o Facebook está repleto de sensacionalismos. As notícias ganham falsas dimensões e a agenda noticiosa do Facebook é cada vez mais lamentável.

Outro pedaço deste lado negro, está relacionado com as distorções da realidade e das notícias. No mundo do Facebook, entra-se, muitas vezes, numa onda de partilhas – “diz que disse” – que acabam por não representar as notícias tal como elas são. Muitas vezes, as pessoas partilham notícias, acompanhadas do seu comentário pessoal, sem terem lido a notícia completa, mas apenas o título e o título nem sempre representa a essência da notícia.

O número de páginas de comunicação e difusão de notícias também é cada vez maior e isto traz um problema muito grave aos meios de comunicação mais referenciados. Isto, porque, por vezes, uma página ou uma entidade pessoal lançam rumores e há um ou outro jornalista que se aproveita disso para redigir uma notícia num órgão de referência. Mesmo que estas notícias geralmente não passem do formato digital, isto abala a credibilidade do jornal, fazendo com que os seus leitores – que seguem a sua página no Facebook para estarem informados em tempo real – fiquem desacreditados e deixem de seguir a página, de ler as suas notícias ou até mesmo de comprar o jornal.

Quem gosta de estar verdadeiramente informado e está atendo ao trabalho dos media, vai facilmente detetar as suas falhas. Quem não está tão atento, vai estar, muitas vezes, mal informado e, quando começar a perceber isso, vai dar descrédito aos mesmos. Isto porque infelizmente a maior parte das pessoas não sabe fazer uma seleção daquilo que é notícia do que não é.

Assim sendo, conclui-se que os jornais e os outros meios de comunicação social devem usar o Facebook como alvo – ou seja, para atingir os leitores, informando-os e espevitando-lhes o interesse pelo jornal em questão -, mas jamais o devem utilizar como fonte. Desta forma, ficarão todos a ganhar: os jornais, os leitores e o próprio Facebook.

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