1 – Começo, desde já, por dizer que estou inteiramente do lado do actual Presidente da Câmara Municipal do Porto. E faço-o não por ser portuense, nem por achar que faça sentido algum a Guerra Norte/Sul, mas sim, porque Rui Moreira tem toda a razão naquilo que tem dito publicamente sobre a TAP. E, ressalve-se, que já não é o primeiro autarca da cidade do Porto a ter de tomar tais posições na praça pública, já que esta posição agressiva para com o Porto, o Norte e Portugal da parte da Administração da Companhia Área Portuguesa já tem décadas. Desde que Fernando Pinto foi nomeado por Jorge Coelho, antigo Ministro da Administração Interna de António Guterres (salvo erro), Administrador da Companhia, que a TAP tem tido esta triste e pecaminosa postura para com todos nós.
E sim, a postura recente da TAP para com o Aeroporto Francisco Sá Carneiro afecta-nos a todos de Norte a Sul. Isto, porque não faz sentido absolutamente nenhum que quem tenha a sua sede empresarial em Viana do Castelo, Coimbra, Beja ou Faro tenha de entrar e sair de Portugal pelo Aeroporto da Portela (Lisboa). O mesmo tipo de raciocínio se aplica ao turismo. Tal coisa não faz sentido absolutamente nenhum, dado que só terá um único efeito negativo: afastar o investimento de Portugal e concentrar numa única região do nosso país tudo e mais alguma coisa.
2 – Rui Moreira tem feito passar a ideia de que a TAP está a tentar suprimir o Aeroporto do Porto para que, desta forma, se force a construção de uma terceira travessia sobre o rio Tejo, se construa um novo Aeroporto em Lisboa e o TGV. E se a lógica de Rui Moreira fizer algum sentido e não tiver sido desmentida por ninguém, então, temos aqui uma guerra. Uma guerra que Lisboa começou sem necessidade alguma.
Ora, vejamos. Portugal Continental tem 3 portas áreas. São elas: Porto, Lisboa e Faro. Em todas elas existem acessos e infraestruturas que permitem as deslocações por todo o país. Como tal, faz mais sentido que Portugal invista na melhoria das suas três portas áreas, em vez de o fazer somente numa. Contudo, tem vindo a público que o governo de António Costa vai continuar a bater-se pela ampliação do Aeroporto de Lisboa…
Ou seja, Lisboa está mesmo a ”comprar” uma guerra que não tem sentido nenhum!
3 – Atenção que eu não sou contra a construção de uma terceira travessia sobre o Tejo. E muito menos me oponho à chegada do TGV ao nosso País. Pelo contrário!
Se é realmente necessário construir uma outra ponte que ligue as duas margens da Capital, então, que se faça, mas, repito, somente se tal for mesmo necessário!
Quanto ao TGV sou da opinião que este já cá deveria estar há muito, mas não a qualquer preço. Primeiro que tudo há que renovar toda a nossa linha ferroviária que continua a ser exclusiva. E só depois é que se passa à implementação do TGV na zona de Portugal, onde a sua construção faça mais sentido.
Passo a explicar: Portugal e Espanha têm um sistema ferroviário que utiliza as construções Franquistas e Salazaristas – a Linha Ibérica. Ligeiramente mais larga do que a que é utilizada na Europa Central, esta obriga a que as mercadorias que venham de Portugal e Espanha tenham de ser recolocadas num outro comboio na fronteira com França. Tal operação acarreta custos que aumentam o preço do produto final. O mesmo problema se coloca ao contrário (com os produtos que venham da Europa Central para a Península Ibérica).
Ora, obviamente que, face a esta situação, a construção de um TGV que ligue directamente a Península Ibérica à restante Europa é uma excelente ideia que baixará custos e preços dos produtos. Contudo, há que ser racional na sua construção, pois, se seguirmos a ideia que está em cima da mesa, que passa pela construção de um TGV em solo luso, que terá um percurso mais longo, irá fazer com que os custos de exportação/importação de produtos sejam ainda mais elevados do que a manutenção do sistema actual. O que faz mais sentido é construir a linha do TGV mais ou menos no centro de Portugal e reforçar as ferrovias existentes para que se possa fazer a ligação desta ao restante País.
Custa assim tanto chegar a esta conclusão? Pelos vistos para os nossos governantes custa e de que maneira! E pelos vistos o problema é crónico e contagioso, pois passa de governo para governo.
4 – Uma última e breve nota.
Vejo muita gente a criticar o executivo de António Costa, por causa da reposição das 35h semanais na Função Pública. Ora, eu gostava de perguntar a esta gente o que acha do facto de os bancários terem, há anos a fio, uma jornada semanal de trabalho de… 35h?
Não acham tal uma injustiça para com os trabalhadores de outros sectores privados, ou o vosso mal está somente na Função Pública?