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No meu tempo é que era bom…

No meu tempo é que era bom!

Serei apenas eu que, cada vez que oiço esta frase, sinto um formigueiro miudinho no dedo grande do pé?

Se lês as notícias no telemóvel: “Ah, no meu tempo é que era bom, as pessoas liam os jornais e comentavam as notícias, agora só olham para o aparelhometro infernal!” Se ouves música com fones nos ouvidos: “Ah no meu tempo é que era bom, ouvíamos música da boa, na telefonia, agora ouvem uns barulhos com coisinhas encafuadas nos ouvidos!

Tudo o que hoje se faz já teve um antigamente, no entanto, parece que os mais velhos têm esta tendência para criticar os mais jovens, sendo que essas críticas são, na sua maioria, pouco construtivas. Há quem lhe chame o Generation Gap, mas aquilo a que mais se assiste é um Information Gap ou, em português uma falha de conhecimento.

O tal jovem que olha para o telemóvel, se calhar está a fazer exactamente mesma coisa que o tal senhor, o Sr. Zé, da mesa do lado: a ler o jornal, com a diferença que pode ler mais do que um ali no seu aparelhómetro, quem sabe se o sr que critica, até não gostaria mais de fazer o mesmo? Bastava que lhe explicassem e que ele quisesse ser esclarecido.

Pensando bem nisto, a falta de informação, a falta de disponibilidade para a dar e a falta de abertura para a receber transformam-se, qual bola de neve, no tal “no meu tempo é que era”.

Contudo, não é só relativamente à tecnologia que isto acontece. No supermercado, o João faz uma birra monumental, a Mariana mantém firme o seu papel de mãe e faz aquilo que, para ela é o mais acertado, faz o olhar 33 e avança dois metros. O Joãozinho lá se levanta do chão e corre atrás dela. Ao fundo do corredor, a D. Luísa observa: “No meu tempo, não era nada assim, se fosse meu filho não fazia este espectáculo e, se fizesse, levava uma lapada naquele rabo!”

Será que nós NUNCA fizemos birras? E os nossos pais? A reacção de cada um não era, certamente, igual como uma norma e, provavelmente, quando os filhos da D. Luísa se portavam menos bem, havia uma D. Maria que abanava a cabeça e dizia: “Ah, no meu tempo…

Podíamos continuar por aí fora à procura de exemplos e garanto que teríamos material mais que suficiente para um livro, mas acho que já percebem a ideia! Em vez disso, sugiro que sejamos mais pacientes, que ignoremos os tais formigueiros no dedo do pé e que, quem sabe, possamos ajudar o Sr. Zé e a D. Luísa a perceber melhor o “novo mundo” que os rodeia. Um mundo que todos os dias muda um bocadinho, pessoas que encaram cada dia de maneira diferente, que deixa para trás tantas coisas boas e trás tantas coisas melhores no horizonte.

Vivemos tanto e tão depressa que o hoje é o antigamente de amanhã.

Se perdermos um bocadinho dessa pressa, baixarmos as rotações e olharmos para quem nos rodeia, talvez toleremos melhor os nossos “Velhos do Restelo” e, quem sabe, não os tornaremos também mais tolerantes aos jovens de hoje.

E já que falamos nisso: e os miúdos que agora passam a vida fechados em casa na Internet e nem ao macaquinho do chinês sabem jogar? Que formigueiro que isso me faz! Sabem… no meu tempo é que era bom!

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Andreia Mendes

Natural de Caldas da Rainha, 35 anos. Licenciada em Educação Social. Mulher, Mãe de dois. Com paixão pelas pessoas, pelas palavras, pelas acções, pelo teatro, pela música e claro pela escrita! Incapaz de compreender algumas injustiças por esse mundo fora, por esse tempo adentro.

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