+1 202 555 0180

Have a question, comment, or concern? Our dedicated team of experts is ready to hear and assist you. Reach us through our social media, phone, or live chat.

Munique na Oktoberfest

Experimentem dizer aos vossos amigos que vão passar uns dias a Munique por alturas de Setembro ou início de Outubro. Garanto-vos que fácil e rapidamente vos colam um rótulo de bêbado(a), ou pelo menos ganham uma imagem de grande apreciador(a) de cerveja. E qual é o mal?

Há alguma razão nisso. A Oktoberfest é a mais importante festividade da cultura bávara. Muito resumidamente, por ocasião do casamento do príncipe Ludwig (mais tarde rei Ludwig I) com a princesa Teresa da Saxónia, em 1810, toda a população de Munique foi convidada para a boda real. No ano seguinte, como forma de celebrar o primeiro ano do casamento, organizou-se nos mesmo terrenos uma mostra agrícola da região. Ano após ano os habitantes fizeram crescer a celebração até se chegar aos dias de hoje em que mais de 6 milhões de visitantes de todo o mundo acorrem a Munique.

Imagem de marca são as enormes canecas de cerveja que vemos serem transportadas com uma mestria única. E muito se fala de cerveja nestas festas porque é um tão só o produto número um da região. E desfazendo um mito, a cerveja não morre naquelas canecas enormes, aliás a cerveja mal tem gás, é um puro líquido dourado guardado em barricas de madeira (preferencialmente) e servidas directamente sem engenhosos sistemas de pressão. E varia entre a boa e a muito boa, sendo que nesta escala as nossas conhecidas e celebradas cervejas tugas se ficam pelo mau, a uma boa distância no que ao sabor diz respeito.

Para quem pensa que beber cerveja é o propósito da Oktoberfest engana-se redondamente. Chegando-se às portas do recinto, convém acertar com amigos e companheiros um local de encontro porque o recinto é enorme e facilmente uma pessoa se perde (ainda mais depois de se beber algo…). Um dia bem passado deve começar com a chegada ao recinto ao fim da manhã, um primeiro contacto com o ambiente e depressa seguir-se para o almoço, pernil (maravilhoso pernil) ou frango são as escolhas invariáveis, a acompanhar… cerveja. Tem é que escolher em primeiro um dos pavilhões das diferentes cervejas. Depois pode lá permanecer ou mudar para outro se conseguir lugar. Esta hipótese funciona para se experimentar diferentes cervejas. Sim, é verdade, umas são melhores que outras. Eu apreciei a Augustiner e a Hofbrau mas há mais.

Vista aérea do recinto da Oktoberfest.

Uma tarde num pavilhão é obrigatória. Digo mesmo que é apenas estúpido não o fazer. Um pavilhão é uma tenda montada pelos melhores engenheiros e onde cabem milhares de pessoas. O barulho é constante e isso é bom porque todo ele é animação. Vozes e gritos misturam-se com cânticos locais e música tradicional ao vivo. Encontrar mesa pode ser difícil mas consegue-se e pode acontecer que tenhamos de passar por cima dos bancos e algumas pessoas para nos sentarmos. As mesas são longas e dão para mais de 20 pessoas. Os bancos de uma mesa estão encostados aos da outra e da outra e assim ficamos literalmente cercados de pessoas desconhecidas. Não temos outro remédio senão confraternizar seja com alemães, locais ou não, irlandeses, norte-americanos, australianos, etc. Ainda por cima qualquer um veste o traje da Baviera, eles e elas, não interessam nacionalidades. Eu por exemplo, lembro-me de juntamente com um alemão espicaçar a rivalidade entre um irlandês e um inglês. E lembro-me de uma jovem muito animada a dançar em cima de uma mesa que vinha de um distante país que ela afirmou chamar-se Cacém…

Interior do pavilhão da Augustiner
Interior do pavilhão da Augustiner

Assim se começa a ver que a cerveja não é o maior património da Oktoberfest, são as pessoas, o convívio. Após jantar (pernil ou frango), sugiro um passeio pelo recinto e entre uma montanha russa e a outra há inúmeras atracções para prolongar o estado de animação. Há carroceis, tapetes rolantes mais rápidos que as nossas pernas, um simulador de gravidade zero que não se aconselha a todos, uma torre com 80 metros metros de onde se avista uma boa parte da cidade antes de se entrar em queda livre, e muito mais. Entre os pavilhões, diversões, lojas, quiosques e afins, o que chamamos de festa da cerveja é uma verdadeiro parque de atracções.

E se o facto do recinto fechar portas antes das meia noite pode parecer cedo, lembrem-se que começaram a beber aquelas canecas à hora do almoço… É por isso que Munique mostra a sua noite quando começa a ser um desafio encontrar o caminho para o hotel. A noite pode ser muito discreta mas há várias formas de a prolongar. O mais fácil será aproveitar os bares que vivem alegrias por se localizarem junto às saídas do recinto, ou os outros que com sorte encontramos a caminho do hotel. Em alternativa há sempre as festas em modo pós-Oktoberfest. Umas mais recomendadas e ou recomendáveis que outras, fica à sua responsabilidade descobrir quais valem a pena.

E depois há Munique durante o dia. Aposto que por esta altura muitos já se tinham esquecido que tudo isto acontece na terceira maior cidade da Alemanha em população. Entre os atractivos temos por exemplo o Museu da BMW, a marca mais reconhecida da Baviera (não convém beber para lá ir, ou seja, não vá à Oktoberfest). Há o enorme e belíssimo Allianz Arena, estádio onde joga o Bayern, mas a menos que seja dia de jogo ou tenha encontro marcado com o campeão europeu Renato Sanches, só vai ver arquitectura. Há o Parque Olímpico onde se realizaram os jogos de 1972 mas para jardim vale muito mais o grandioso Englischer Garten, o Jardim Inglês. Sem dúvida o melhor local para descontrair um pouco, curar as ressacas dos dias de festival ou simplesmente dormitar num relvado. Aqui aconselha-se vivamente almoçar nas esplanadas junto à torre chinesa. É um luxo comer ao ar livre podendo escolher mais do que o pernil ou o frango para acompanhar a caneca de cerveja.

No centro da cidade deve-se procurar a Marianplatz, com os seus edifícios típicos e o famoso relógio é um local pitoresco por excelência (leve um selfie-stick para tirar fotografias por cima da multidão). Uma vez lá vá tomando contacto com as ruas estreitas, as lojas, as dezenas de bicicletas amontoadas até encontrar a obrigatória Hofbrauhaus, literalmente a casa da cerveja Hofbrau, uma espécie de cervejaria em ponto gigante, com vários andares e salões enormes, música tradicional ao vivo, mesas e bancos compridos, pernil e muitas canecas de cerveja misturadas com cânticos e animação sem fim. O ideal seria vir aqui logo no momento da chegada (mesmo com a mala às cavalitas) para tomar contacto desde o início da sua visita a Munique com o ambiente e sabores que certamente o fizeram lá ir.

A Marienplatz, centro histórico de Munique.
A Marienplatz, centro histórico de Munique.

Na verdade quis com este artigo dizer que Munique e a Oktoberfest são muito mais do que cerveja mas no fundo… esse é precisamente o motivo que nos faz lá ir.

Share this article
Shareable URL
Prev Post

Porque funciona a “Geringonça”?

Next Post

Silêncio louco

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.

Read next

Constantine

Batman. Flash. Arqueiro Verde. Estes heróis da DC Comics são nomes grandes e reconhecidos pelo público, apesar…

Os novos hippies

São 3 meninas, de idades em escadinha, criadas ao ar livre, ao vento, ao sol e à liberdade. A mãe não as…

Food all around Us

A propósito da estreia do filme O Chef, recordei-me que o último filme centrado em gastronomia a que assisti já…