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Crónicas

Mimados da bola

Estamos em época dos Jogos Olímpicos de 2020 e que terão início apenas neste ano de 2021, mais precisamente entre o dia 23 de julho e o dia 8 de agosto.

Como é do conhecimento da generalidade das pessoas, estamos perante um evento sobre as mais variadas modalidades desportivas e cujos atletas apurados, trabalham durante 4 anos para cumprirem o sonho de alcançar uma medalha.

É verdade. Uma medalha, de ouro, prata ou bronze, mas uma medalha.

Perguntar-se-á, ao ler este artigo, o que é que os Jogos Olímpicos terão a ver com o título supramencionado.

Passarei de imediato a esclarecer, obviamente, mas informo desde já que, embora os jogos olímpicos também tenham entre as suas modalidades o futebol, não é sobre esse futebol que a minha reflexão hoje se faz.

É cada vez mais comum, no final das competições futebolísticas, nacionais ou internacionais, de clubes ou de seleções, vermos os jogadores da equipa vencida a retirarem a medalha do pescoço, logo que a mesma lhes é colocada, como se fosse uma humilhação ter-se pendurada uma medalha de vencido, de segundo lugar, ou de vice-campeão. Cada um de nós poderá apelidá-la como melhor lhe aprouver.

Adeptos, treinadores e presidentes, assim como a indústria do futebol no seu todo, têm mimado, principescamente, estes meninos que não podem carregar consigo a prova de que os seus adversários sejam os campeões de uma qualquer competição. Há, inclusivamente, imagens de futebolistas que atiram a medalha ao chão, e histórias de outros que as oferecem para não terem de recordar-se de tão fatídico momento.

Ora, nos Jogos Olímpicos a realidade é bem diferente.

Estes atletas (muitos distantes no que respeita aos jogadores de futebol, cujas competições são anuais) esperam 4 anos para conquistarem uma medalha olímpica e não importa se é de bronze (relativa a um terceiro lugar), se é de prata (relativa a um segundo lugar) ou de ouro (relativa a um primeiro lugar).

Há atletas (pasmem-se) que fazem uma enorme festa mesmo sem receberem qualquer medalha, mas apenas e só, porque baterem os seus recordes pessoais ou, dito de outro modo, por se terem superado a si mesmos.

Para qualquer um deles, uma medalha (mesmo que não seja a de ouro) é motivo de regozijo e não de vergonha. Penduram-nas em casa, não as atiram ao chão quando não são de ouro, nem as oferecem por se sentirem despeitados.

É preciso lembrar que estes atletas olímpicos não ganham, na sua generalidade, o que ganham os jogadores de futebol. Têm pouco destaque nos órgãos de comunicação social e, pese embora todo o esforço e empenho, não têm o mesmo reconhecimento por parte do seu povo (a menos que conquistem uma medalha) que têm os jogadores de futebol.

E mesmo assim trabalham, sacrificam-se durante 4 anos, porque para eles uma medalha é tudo e para os futebolistas não é nada. Para os atletas olímpicos uma medalha, seja de que metal for, é motivo de orgulho, mas para os futebolistas é motivo de vergonha.

Se para os atletas olímpicos a prata e o bronze são sinal de que existe alguém melhor do que eles e que podem trabalhar mais e melhor para que seja possível ultrapassá-los dali por 4 anos, para os futebolistas simboliza apenas uma injustiça perpetrada contra si.

Já diz o povo, e com razão, “o que uns não querem, estão outros desejando”.

E assim vai o mundo, vagarosamente girando, vergonhosamente perdendo.

Balthasar Sete-Sóis

Balthasar Sete-Sóis, sociólogo, escritor, cronista, radialista e crítico literário encontra nas letras e na comunicação a realização e o sentido para aquilo que o rodeia.

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