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Carta de uma agnóstica a Deus

Querido Deus,

Não sei se te encontras bem, se é a idade que já te pesa ou se apenas tens o pior sentido de humor do universo.
Não te entendo! E juro que já tentei.

Por muito que me expliquem e por muitas parábolas que leia, não entendo.

Se achas que não merecemos melhor, porque raio não nos metes a todos na inexistência?

Criaste-nos para sermos a obra prima das tuas criações e não nos querias dar o conhecimento, certo? Percebi bem? Mas a Eva deixou-se tentar e mordeu a maça, a sacana! Então fomos condenados todos ao castigo de sabermos que vamos morrer, padecendo de todas as maleitas e mais uma ao longo destes milénios e, no fim, não termos conhecimento de absolutamente nada?

Para quê? Qual a finalidade deste sadismo milenar? Continuamos estúpidos e a única certeza absoluta é de que vamos morrer!

Grande castigo!

E, por uma abelhuda, pagamos todos! Sim, Senhor!

Depois, não entendo, lá está, porque sou burra, porque raio é que nos dás doenças e só ganhas créditos quando escapa alguém? Ah e tal, Deus fez um milagre e safou o meu familiar, no meio de todos os outros que estavam a morrer, porque é glorioso e misericordioso! Então e os outros desgraçados que não têm a sorte de ter alguém conhecido que saiba as ladaínhas para te agradar?

Então, a culpa das doenças e de haver gente vil em todo lado é da Eva?

E da guerra, também? Ou é aquele tal de livre arbítrio que parece andar a gozar com todos nós? É por causa da Eva que tantas mulheres foram subjugadas e maltratadas pelos homens ao longo dos tempos? Por convencer o panhonha do Adão a trincar a maçã? É por isso?

Olha, acho esta história toda muito mal contada! Se és Todo Poderoso, acaba lá de uma vez com esta questão. Aprende a desculpar e salva esta humanidade, porque isto não tem jeito nenhum.

Acaba lá com a inveja e com a ganância. Acaba com a fome e a guerra.

Acaba com o que mal há neste mundo e não deixes o desgraçado do Lúcifer ser o único culpado desta tua obra tão imperfeita. Se tu és o maior e mais poderoso, onde está o amor pelos teus filhos? Afinal, qual é o teu grande plano?

Continuamos todos sem o conhecimento, porquê o castigo?

Não é castigo que chegue saber que vamos morrer? E que vamos perdendo as nossas faculdades com o passar do tempo? E que depois de tanto trabalho para largarmos as fraldas, vamos precisar delas outra vez? Desculpa a minha ignorância, mas a maçã da Eva estava estragada!

Pensa com carinho no que te disse e tenta que a tua mais espantosa invenção não acabe com todas as outras tuas criações. 

Acabo aqui esta pequena missiva, porque por muito que eu queira não consigo perceber patavina do que andas a fazer.

Fica bem com a Tua Graça!

Ana Marta

Ana Marta, nascida em Sintra a 22 de Abril de 1971 e mãe de 3 filhos, desde cedo revelou o seu interesse pela escrita e pela Literatura, começando por escrever pequenos poemas durante a adolescência, época em que estudava Literatura Portuguesa. Ávida leitora desde que aprendeu a ler, sempre consumiu livros dos mais variados géneros literários e escrevia, em diários, textos sobre o que o seu coração sentia. Algumas décadas mais tarde, viria a publicar num blogue intitulado "Inexplicavelmente", textos da sua autoria e que, mais tarde, atraíram milhares de seguidores na sua página de Facebook, atualmente "ANA MARTA". Em 2020, lança o seu primeiro livro "Inexplicavelmente".

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