Aproximando-nos das chamadas «férias grandes», para a maioria das pessoas – ou já estando nelas –, deixo aqui algumas recomendações literárias para esta época, sempre considerada muito propícia para mais e renovadas leituras, com mais tempo, descanso e prazer pelas mesmas. E estas sugestões não se tratam apenas de novidades editoriais, mas de livros intemporais, que valem a pena ser lidos e relidos…
Nesta oitava crónica literária, revisitamos alguns títulos da PAULINAS Editora.
Nenhum Caminho Será Longo, de José Tolentino Mendonça

Qual será o verdadeiro nome da amizade? E é possível a amizade ser nomeada? Quando nos confrontamos com a pergunta sentimo-nos em embaraço: de sua natureza, a amizade é um sentimento forte e intenso, sem deixar de ser uma experiência discreta, sempre singular no seu registo, quase quotidiana, na sua expressão. Não é por acaso que, nas nossas sociedades, o amor é tutelado institucionalmente. Não há, porém, nenhuma lei que tutele a amizade. Contudo, ela constitui um património humano sem o qual a nossa vida não seria a mesma ou simplesmente não seria. Falamos muito do amor e pouco da amizade. Este livro do «Prémio Pessoa 2023» é uma surpresa e um marco. Capítulo a capítulo, envolve-nos numa viagem que convoca a cultura e a espiritualidade, a antropologia e a Bíblia, as artes e a experiência comum. Deixando ainda espaço para que juntemos a nossa voz, nesta espécie de elogio àquilo que os amigos são.
Antes de Tudo o Abraço, de Marie-Hélène Mathieu e Jean Vanier

Este livro conta histórias de dor e de alegria de famílias confrontadas com a deficiência. Os seus autores, fundadores do Movimento internacional Fé e Luz, reuniram aqui alguns casos reais típicos que permitem uma leitura e um posicionamento esperançoso por parte de pacientes, acompanhantes e terapeutas, perante a adversidade em que vivem muitas pessoas, confrontadas com a limitação física e mental.
O Elogio da Imperfeição, de Paolo Scquizzato

Este pequeno livro é um convite a saber lidar com a imperfeição. O Cristianismo tornou-se frequentemente uma religião a tender para o perfecionismo moral (confundindo-o com a santidade), como se fosse a única condição para obter o amor de Deus e os seus dons. Mas o único dom que Deus poderá conceder-nos não será senão Ele próprio, quer dizer, Amor, perdão e misericórdia. E Deus só nos poderá dar tudo isto quando nós nos reconhecermos necessitados de amor, pecadores e pobres. A nossa salvação chegará, não quando tivermos derrotado as nossas misérias, mas quando começarmos a viver a verdade de nós mesmos, isto é, quando começarmos a aceitar-nos com as nossas fragilidades. Nós somos as nossas imperfeições, as nossas feridas e os nossos pecados.
Cabeça ou Coração, de Gaetano Piccolo

Eis um pequeno manual de instruções para começar a tomar consciência do que se move dentro de nós, cuja perceção nos permite escolher, daquilo que a vida nos oferece, o que aproveitar e o que deixar que se perca. Alguns sentimentos ajudam-nos a viver, mas outros tiram-nos vida. A arte do discernimento, sobre cujas reflexões, a partir dos Exercícios Espirituais de Santo Inácio, disserta o autor, propõe-nos alguns caminhos para evitarmos os escolhos e tornarmos proveitosa a viagem do quotidiano.
O Caminho da Esperança, de Francisco Van Thuan

Escritas pelo arcebispo de Saigão, durante os seus treze anos de cativeiro, e copiadas clandestinamente, a leitura quotidiana destas páginas foi o sustento de milhares de pessoas. O manuscrito chegou até nós graças aos refugiados, os famosos «boat people», que dele receberam força, coragem, serenidade, fé e esperança, nos momentos mais dramáticos da sua fuga. A riqueza espiritual de um verdadeiro mestre, que nos guia, dia após dia, na travessia da existência.
Auto-Estima. O toque mágico de uma vida feliz, de Carlos Afonso Schmitt

Realizarmo-nos como seres humanos é o compromisso mais importante que podemos assumir na passagem pela Terra. Diante das incertezas e contratempos da jornada, a fé na capacidade de sermos bem-sucedidos e felizes é a bússola que orienta os nossos passos. Acreditarmos no nosso potencial e sermos responsáveis pelo sucesso dos nossos empreendimentos é o ponto de partida de todo um processo evolutivo. Uma autoimagem positiva e uma autoestima saudável são as forças motivadoras que nos levarão a concretizar os nossos sonhos, cumprindo com êxito a missão que Deus nos reservou.
Coleção «As Obras de Misericórdia»

Estamos perante 13 livros de bolso alusivos às 14 obras de misericórdia existentes, ora corporais, ora espirituais. São eles, pela respetiva ordem de coleção: «Dar de comer, dar de beber», de Víctor Manuel Fernández; «Vestir os nus», de Antonietta Potente; «Acolher o forasteiro», de Renato Kizito Sesana; «Assistir os enfermos», de Angelo Cupini; «Visitar os presos», de Giovanni Nicolini; «Enterrar os mortos», de Andrea Grillo; «Dar bom conselho», de Giovani Cucci; «Ensinar os ignorantes», de Armando Matteo; «Corrigir os que erram», de José Tolentino Mendonça; «Consolar os tristes», de Marcelo Barros; «Perdoar as injúrias», de Guy Gilbert; «Sofrer com paciência as fraquezas do próximo», de Christian Albini; e «Rezar a Deus por vivos e defuntos», de Cristina Simonelli.