É muito comum olhar para muitos miúdos e dizer que eles já vieram ensinados a mexer no telemóvel, navegar na “NET” e saber trabalhar com um computador. No entanto, isso acaba por ser um desafio para o ensino e para os professores.
Será que os professores devem ensinar de forma diferente esta geração digital/online?
Está a Educação preparada para esta geração?
Está esta geração a ser preparada para estes desafios?
São, efectivamente, muitas questões e todas elas pertinentes.
De facto, seja por instinto ou por imitação, o que é certo é que as crianças destas novas gerações, desde muito cedo, que parecem ter uma aptidão incrível para as tecnologias.
Neste contexto, é obviamente urgente e obrigatória uma adaptação quer por parte dos professores, na sua forma de ensinar, nas suas abordagens, quer ainda por parte do próprio Ministério da educação, no sentido de rever e modificar os conteúdos programáticos.
Fomos todos, e não só os alunos e professores, mas também pais e encarregados de educação, postos à prova no ano lectivo de 2019/20, aquando da pandemia (COVID 19). Tivemos que nos adaptar em tempo recorde às novas tecnologias e ficar reféns de plataformas que nos possibilitassem ter aulas à distância.
Quatro anos volvidos, e ainda hoje essa “moda” se mantém, tendo havido uma proliferação de cursos, palestras, debates e afins, tudo online.
Claro que, houve e ainda há um grande esforço da nossa parte para nos mantermos actualizados e, acima de tudo, operacionais.
Importa, também, e no meio de tanta inovação e adaptação, perceber se as mudanças foram benéficas ou não.
Na minha humilde opinião, penso que estamos a evoluir muito, e rapidamente, em certos campos e nitidamente a regredir noutros.
Senão, vejamos, com tudo à distância de um clique, já ninguém quer ter o trabalho de pensar, de raciocinar, de fazer contas de cabeça, perdem-se as noções básicas, recorre-se à ajuda da inteligência artificial. Já não se usa ir para a biblioteca estudar, a não ser pelo ambiente, pelo silêncio, no entanto, quase ninguém requisita livros para ler em casa, estuda-se através de sebentas e pelos cada vez menos livros que se adquirem pela obrigação de se deixar uma disciplina “feita”. E fora as matérias ditas de obrigação, já quase ninguém lê, porque ler dá trabalho, e é tão mais fácil pesquisar tutoriais do que ler instruções.
E o resultado disto é catastrófico: perde-se a capacidade de comunicar, a capacidade de argumentar e de construir ideias, perde-se também a capacidade de escrever e mais difícil ainda, de escrever sem erros ortográficos.
E como é que se consegue aferir tais resultados? De uma forma muito simples: O grau de dificuldade dos testes e exames na sua generalidade tem diminuído de forma a que se consiga obter aproveitamento positivo por parte dos alunos.
A tarefa dos professores estará, assim, cada vez mais dificultada, pois, para além de terem que se manter atualizados para conseguir acompanhar as mudanças e consequentes adaptações, ainda têm que conseguir motivar os alunos e não descurar “velhas” abordagens de modo que não se perca (ainda mais) qualidade no ensino.
Em suma e em tom de provocação: custa a crer que as crianças de hoje, e que serão os adultos de amanhã, apesar de tanta destreza na tecnologia, estejam munidos das ferramentas necessárias e essenciais para serem autónomos, para sobreviverem no mundo do trabalho e ainda para desempenharem papéis de relevo na sociedade.
Nota: este artigo foi escrito seguindo as regras do antigo acordo ortográfico