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CinemaCultura

LEFFEST’16: Considerações Finais

Chegou ao fim a 10ª edição do Lisbon & Estoril Film Festival e sentimos que o objetivo foi cumprido: aproximar cada vez mais o cinema do grande público. 

Depois de ter começado com o entusiasmante O Herói de Hacksaw Ridge, de Mel Gibson já sabíamos que outros tantos importantes filmes estavam a caminho da 10ª edição do Lisbon & Estoril Film Festival. Queríamos ter o bilhete garantido nas nossas mãos para poder assistir às antestreias dos filmes mais comentados do ano como os casos de Lion – A Longa Viagem para Casa, de Garth Davis; Certain Women, de Kelly Reichardt; O Vendedor, de Asghar Farhadi; Hell or High Water, de David Mackenzie; ou Homenzinhos, de Ira Sachs. Mas não só desses filmes, que certamente serão ainda mais comentados durante a temporada de prémios que se avizinha, foi marcada a nossa estreia na cobertura de um dos festivais mais conhecidos em Portugal.

Quisemos arriscar e descobrir projetos pouco ou nada referidos neste ano cinematográfico. Nomeadamente, London Town, que tal como Sing Street apoia-se na música para contar o amadurecimento de um adolescente; Christine de Antonio Campos, sobre a chocante história verídica de uma repórter que se suicidou em direto num canal de televisão norte-americano, até passar pelo israelita Sand Storm, realizado por Elite Zexer sobre a emancipação de duas mulheres, mãe e filha, numa família onde o pai é o símbolo claro da autoridade.

Faltou-nos assistir às antestreias de Paterson e Gimme Danger que contaram com a presença do realizador Jim Jarsmuch. Sentimos um aperto no coração por não conseguir visionar os projetos de um dos cineastas mais importantes do cinema independente americano, que tal como Richard Linklater preocupa-se em captar os instantes banais do dia a dia. Apesar disso, não deixamos de manter um sorriso na cara, ao descobrirmos que as sessões estavam lotadas, e foi então que compreendemos que o público sempre gosta de ir ao cinema. E eram só portugueses que ocupavam os espaços. Cruzamos com pessoas de diferentes nacionalidades e trocamos dois dedos de conversa com jovens estrangeiros estudar em Portugal e até com pessoas de diferentes idades, todos juntos para observar cinema, sentir cinema, pensar cinema e experienciar e viver cinema.

De facto, o balanço parece-nos bastante positivo, quer por parte da audiência, como da parte da organização do festival que quis acompanhar as mudanças no cinema mundial e destacar muitos projetos onde as mulheres tiveram, ou têm, maior influência na estrutura narrativa.

As vozes femininas foram imediatamente ouvidas com a projeção de Malèna, a obra revisitada de Giuseppe Tornatore e protagonizada por Monica Bellucci, que também esteve presente no festival (e o autógrafo da atriz italiana quase que nos escapava, mas foi por pouco). A longa-metragem, do mesmo cineasta de Cinema Paraíso, segue os passos da mulher mais desejada da Sicília de nome Malèna, que desperta o desejo em todos os homens e a inveja em todas as mulheres locais. O filme não serve apenas de ode à beleza da protagonista, como de uma latente homenagem/ estudo ao star-system em torno das personalidades femininas. Na verdade, a escolha do filme não poderia ter sido a mais adequada, tendo em conta o impacto que Bellucci tem no universo feminino e masculino e no cinema mundial. Na conversa abaixo, sentimos a sua simplicidade, a sua dedicação aos filhos e aquilo que acha acerca da mulher no cinema mundial.

O mesmo que se o diga da experiência do visionamento de Elle, de Paul Verhoeven, um dos melhores filmes do ano, que confirma a necessidade das mulheres não serem nem vitimizadas nem punidas nos seus desempenhos ditos mais obscuros. Isabelle Huppert conquistou-nos, bem como ao público, afinal o filme recebeu o prémio NOS como escolha dos espetadores.

Destaque igualmente para a exibição de American Honey, que estreia no próximo dia 17, e que, “segue os passos de Star (Sasha Lane), uma jovem adolescente com uma vida problemática, que foge com uma equipa de vendas ambulante e que viaja por todo o centro oeste da América a vender subscrições porta a porta. À procura do seu lugar no grupo, ao qual Jake também pertence, rapidamente entra num estilo de vida onde dominam as longas noite em festa, dias sem regras e amor adolescente”. No elenco deste filme, surge também o nome de Shia LaBeouf, o protagonista dos três primeiros filmes de Transformers.

Anna Karina no filme Made in USA que foi a capa da 10ª edição do LEFFEST'16
Anna Karina no filme Made in USA que foi o rosto da 10ª edição do LEFFEST’16

Ademais, não poderíamos esquecer de mencionar o fantástico (re)encontro com os filmes de Jean-Luc Godard. A (re)exibição em sala de cinema da sua obra foi uma oportunidade única de rememoração, de análise e de celebração de um dos mais importantes cineastas do cinema contemporâneo. Percorremos, de sala em sala, as suas obras-primas e os seus raríssimos filmes, numa cinematografia multifacetada, que a partir de 1959 (com o filme À Bout de Souffle/ O Acossado) rompia com os moldes da estrutura narrativa clássica e instituiria o cinema com linguagem autónoma e como essa primeira fonte de verdade, a verdade conferida a 24 fotogramas por segundo. Revolucionário experimentalista da imagem, cada filme deste cineasta justifica o porquê de ser aplaudido como um dos mais importantes autores da sétima arte. Destacamos filmes como Viver a Vida (1962), O Soldado das Sombras (1963), O Desprezo (1963), Alphaville (1965), Masculino/Feminino (1966), O Maoísta (1967), Duas ou Três Coisas que eu Sei Dela (167), Joy of Leaning (1969), História(s) do Cinema (1989-1998) ou Adeus à Linguagem (2014). O mesmo que se o diga da conversa com ator Jean-Pierre Léaud, que nunca sessão especial de projeção de Masculino/ Feminino falou do que foi trabalhar com François Truffaut e claro com Jean-Luc Godard, ou até de Jean Douchet, o filósofo francês de 87 anos, que revelou em algumas apresentações a importância do currículo de Godard e o que é isso chamado CINÉMA.

Não esqueçamos igualmente as exibições dos trabalhos de Jerzy Skolimowski que também esteve no LEFFEST como membro do júri e de Emir Kusturica. Este último cineasta nascido em Sarajevo em 1954, é um dos mais importantes dos autores sérvios da modernidade, sobretudo pela obra remeter ao cataclismo da guerra das Balcãs e, por sua vez, por se questionar acerca do sentido de pertença das suas personagens, aliando-se sempre em questões políticas, económicas e sociais. Underground/ Era Uma Vez Um País, o filme de 1995, mostra-nos exatamente isso, com base num cinema puro livre de convenções, com uma estética que alia o realismo a um registo fantástico. Evidenciam-se filmes como O Tempo dos Ciganos (1988), Arizona Dream (1993), Gato Preto, Gato Branco (1998) e o mais recente On the Milky Road (2016), ao lado de Monica Bellucci, que teve antestreia no LEFFEST.

Foi um festival de momentos únicos para relembrar, em que o filme The Last Family, do polaco Jan P. Matuszynski acabou por vencer o prémio Melhor Filme Jaeger-LeCoultre, bem como o Prémio Revelação TAP – Melhor Realizador. The Last Family é a primeira longa-metragem de ficção do realizador polaco e mostra “o quotidiano claustrofóbico de Zdzislaw Beksinski, um pintor surrealista polaco conhecido pelas suas obras distópicas e perturbadoras”. Também a Elite Zexer saiu vencedora do festival, ao receber o Prémio Especial do Júri João Bénard da Costa pelo filme Sand Storm, e como já mencionado o filme Elle do holandês Paul Verhoeven foi galardoado com o Prémio NOS Melhor Filme – Escolha do Público. O festival terminou com a projeção de Animais Noturnos, de Tom Ford, com Amy Adams, Jack Gyllenhaal e Michael Shannon.

PRÉMIOS DO LISBON & ESTORIL FILM FESTIVAL 16

Prémio Melhor Filme Jaeger-LeCoultre

The Last Family, de Jan P. Matuszynski

Prémio Especial do Júri João Bénard da Costa

Sand Storm, de Elite Zexer

Prémio Revelação TAP – Melhor Realizador

Jan P. Matuszynski por The Last Family

Prémio NOS Melhor Filme – Escolha do Público (O Prémio NOS proporcionou pela primeira vez ao público a oportunidade única de escolher, o melhor filme do festival)

Elle, de Paul Verhoeven

Melhor Curta-Metragem

The Sleeping Saint, de Laura Samani – Centro Sperimentale de Cinematografia (Itália)

Menção Honrosa

Paul est là, de Valentina Maurel – INSAS (Bélgica)

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Virgílio Jesus

Licenciado em Ciências da Comunicação e com Mestrado em Cinema e Televisão pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, sou um apaixonado por cinema desde os meus 10 anos. Todos me conhecem como o 'viciado em filmes' porque na realidade estou sempre interessado em ter a sétima arte como tema de conversa.

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